Vida em casa

É mais fácil encontrar o amor do que um faz-tudo; leia histórias de sucesso

Edson Lopes Jr./UOL
Michel Rost, à esq., com seu faz-tudo, amigo e padrinho de casamento Eduardo Pereira de Souza imagem: Edson Lopes Jr./UOL

Juliana Simon

Do UOL, em São Paulo

Não é difícil ouvir de amigos ou familiares histórias dramáticas com prestadores de serviço que não são pontuais ou fazem serviços mal feitos. Mas há esperança: existem relações entre donos de casa e os 'faz-tudo' que duram anos e extrapolam o mero trato profissional.

Isso aconteceu com Michel Rost, diretor em uma companhia de seguros, que perdeu as contas de quantos serviços já solicitou a Eduardo Pereira de Souza. De cano estourado aos detalhes delicados do apê, Edu é o homem de confiança da casa há 14 anos. "Antes de conhecer o Edu, dormi no chão por três anos. Tinha acabado de me separar e precisava refazer todo o apartamento, a começar pela pintura", lembra Michel.

Edu é zelador do edifício onde a mãe de Michel morava e se especializou em pintura e eletricidade. Como se empenhou no aprendizado das técnicas, tornou-se meticuloso ao executar as tarefas e foi capaz de atender aos padrões exigentes do cliente fiel. Todos os trabalhos são "de ponta a ponta", vão desde a concepção da ideia, com sugestões sobre a obra, até a remoção da sujeira mais grossa.

De faz-tudo a padrinho

Nesses anos todos, Edu também refez - em alguns casos totalmente - o serviço de outros profissionais. "Uma das obras do apartamento durou seis meses, porque havia muita coisa mal feita, muita lambança que precisava ser consertada", recorda Michel.

Homem de confiança, o zelador tem livre acesso à casa do amigo e até virou cuidador do gato Faísca e do papagaio Peppa, durante as férias da família. Mas o gesto que selou a amizade entre os dois veio em janeiro deste ano, quando Edu foi convidado para ser padrinho de casamento do Michel.

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A relação profissional virou amizade e o faz-tudo Edu foi até padrinho de casamento de Michel imagem: Edson Lopes Jr./UOL

10 anos de história

Após sofrer na mão de muitos prestadores de serviço, a gerente de estratégias digitais Marcela Tavares finalmente encontrou José Antônio dos Santos Silva, também conhecido por sua legião de clientes cativos como seu Zé ou Zezinho.

"O seu Zé até me ajudou até a arranjar o apartamento onde eu moro hoje. Na ocasião, o corretor me levou para ver um outro imóvel reformado, mas o dinheiro não dava. Seu Zé, que era o porteiro do prédio, lembrou deste apê, que estava fechado", conta Marcela.

A relação se estabeleceu há dez anos e, desde então, o faz-tudo é solicitado para todo tipo de serviço: seja para substituir a resistência do chuveiro e desentupir um cano até dar aquela mãozinha para as equipes de TV a cabo e realizar uma boa dedetização.

Como as assistências se tornaram mais frequentes, seu Zé abandonou a vida de porteiro, aprendeu mais sobre reforma e montou uma empresa de manutenção. O negócio já tem seis anos e vai bem. "A experiência a cada serviço prestado e a troca de ideias com outros profissionais me fizeram aprender mais e a propaganda boca a boca foi o que me ajudou a conquistar clientes”, conta José.

Relação de confiança

A jornalista Margarida Gorecki conheceu Ronaldo de Oliveira Santos em 2013, por indicação da cunhada. O serviço era um pequeno reparo, mas a confiança foi estabelecida já na primeira visita. A partir daí, trabalhos mais complicados começaram a surgir. "No ano passado, compramos uma máquina de lavar louça e tivemos que refazer a bancada da pia, do mármore à saída de água. Ele executou todos os detalhes da obra", lembra Margarida.

Segundo ela, além do trabalho de primeira, Ronaldo responde super-rápido, chega no horário e faz um preço justo. "Quando ele não sabe fazer o serviço proposto, é sincero e sempre tem indicações de bons profissionais". A seriedade do faz-tudo fez toda a diferença e não só em termos profissionais: "Ele me deixa confortável em recebê-lo sozinha, sem medo de assédio", diz a jornalista.

"Confiança é tudo no nosso meio, muita gente não pode acompanhar o serviço e precisa estar seguro de que a casa está em boas mãos. Dependo disso para manter o meu ganha-pão", concorda Ronaldo. Se o trabalho é bem feito e negociado da maneira correta, existe a garantia de indicações e, claro, mais trabalho para o profissional. Para quem contrata, fica a certeza de soluções certeiras e com preço e prazos justos. Assim, todo mundo sai ganhando.

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