Construção e reforma

Faça limpeza durante a obra para preservar acabamentos e facilitar mudança

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Giovanny Gerolla

Colaboração para o UOL, em São Paulo

O pintor já está quase terminando o serviço e o que se vê é muita poeira fina da massa corrida ou do gesso lixados. Há ainda serragem do piso de madeira novo, respingos de tinta nos vidros e argamassa grudada esquadrias afora. Bateu o desespero? Quem é que vai arrumar esta bagunça?

O instrutor de formação profissional do SENAI-SP, Nilton Guimarães indica que o fim do caos começa com a ordem no canteiro de obra. "Ensinamos aos pedreiros, assentadores, gesseiros e pintores que o cuidado com a sujeira é parte do planejamento inicial da obra. Primeiro, eles devem monitorar todo o ambiente, analisar o que vai ser feito e proteger o patrimônio do cliente", afirma.

A limpeza e a organização durante a construção ou a reforma reduzem o trabalho e os gastos ao final do serviço, pois protegem os acabamentos: vale embalar ou cobrir absolutamente tudo com plásticos, papelão ondulado, papel "craft" ou mesmo plástico do tipo bolha. Proteja batentes, pisos, vidros, portas e até móveis, se eles forem mantidos no espaço. Vá criando as proteções conforme os processos são executados e cada etapa vai ficando pronta.

"Tem que embrulhar tudo. Quem 'perde' oito horas fazendo isso, economiza dois dias de limpeza pós-obra", alerta o professor. Por isso, antes de contratar um pedreiro ou uma empreiteira, pergunte sobre este planejamento e como o acúmulo de sujeira, lá no fim, é prevenido.

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Limpeza durante e após a obra ajuda na manutenção do bom estado dos acabamentos: use equipamentos e produtos apropriados e encape móveis e peças delicadas imagem: Getty Images
Limpeza profissional

O dono da residência também pode se precaver fazendo, ele mesmo, a elaboração de um plano detalhado de todo o serviço incluindo etapas parciais de limpeza. Em construções e reformas de espaços industriais e comerciais é comum incluir faxinas intermediárias no cronograma da obra, a fim de evitar a imundície e o desespero finais, sem falar na prevenção de danos aos materiais recém-instalados.

Funciona assim: antes da entrada de assentadores e pintores, é feita uma primeira limpeza grossa, que remove os restos de argamassa e de concreto. A segunda etapa, intermediária, é programada para o momento em que já foi dada nas paredes a primeira demão de tinta. A terceira e última, mais fina, fica para depois do fim da pintura.

Em residências, normalmente, a equipe de limpeza pós-obra entra para a faxina só depois de terminado o serviço do pintor. A entrega da casa tinindo se dá em dois dias e são, em média, cinco funcionários trabalhando simultaneamente. Além de limpar esquadrias, vidros, pisos - porcelanatos, madeira, cerâmica ou pedras -, louças, metais e paredes, a equipe remove também pequenos restos de entulho e embalagens. O trabalho é feito para preservar os acabamentos novos e facilitar a mudança. 

A vantagem, além de poupar o esforço do morador, é a eficácia da tarefa executada com o emprego de produtos e utensílios específicos. Por exemplo, se o piso novo é de mármore e acaba de ser polido, é utilizada uma enceradeira industrial com disco de fibra que não agrida a superfície. Para não riscar vidros e esquadrias, restos de tinta são retirados com espátulas plásticas.

Materiais como estopas, panos secos e limpos, buchas e fibras não abrasivas, borrifadores e escovões (tipo mop) entram na conta do contrato e são (quase sempre) fornecidos pela empresa. O orçamento é feito a partir da análise da planta do imóvel, acompanhada de um descritivo da construção ou reforma, que indica qual o tipo de sujeira será limpo. Para um apartamento com 250 m² e quatro dormitórios, o custo médio do serviço de faxina pós-obra é de R$ 700.

Nada de água sanitária

Não importa se você decidiu juntar os amigos para fazer o trabalho por conta ou vai contratar uma empresa especializada e embalou a casa toda: a sujeira é inevitável. Um item básico para por ordem na bagunça é o aspirador de pó, mas se a poeira foi excessiva, a versão doméstica não dará conta do recado. Pense, então, em locar um modelo industrial em sites e lojas de aluguel de ferramentas.

Os produtos de limpeza também vão além do limpador multiúso: são desincrustantes e limpadores gerais com diferentes graus de acidez (pH), específicos para cada material de construção e tipo de crosta a ser removida. Também são usados detergentes neutros e desinfetantes bactericidas, mas, acredite, a água sanitária não faz parte desta lista. Os materiais empregados nesta faxina profunda não são encontrados nos supermercados, estando disponíveis em alguns "home centers" (os preços variam entre R$ 30 e R$ 90, de acordo com a marca e o volume da embalagem).

Ao se aventurar em uma limpeza pesada como esta, tome alguns cuidados como usar óculos e luvas de proteção, além de botas de borracha. Respeite o "modo de usar" descrito na embalagem, atentando-se especialmente ao volume de diluição e ao modo de aplicação de cada um. E nunca faça misturas! Elas podem ser extremamente tóxicas.

Fontes: Marco Antonio Pereira Porto, diretor operacional da H2Office – limpeza profissional; Nilton Guimarães instrutor de formação profissional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Estado de São Paulo (SENAI-SP). Consultas: Bellinzoni e Duratto, empresas de fornecimento de produtos de limpeza; Casa do Construtor – aluguel de ferramentas.

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