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Autores do "Ninho do Pássaro" empilham casas em showroom de design

Pegue dois arquitetos criativos e conceituais, junte com uma empresa de móveis e objetos de design que possui um complexo de fábricas, museu, espaço para convenções e até um ponto de ônibus assinados por grandes nomes da arquitetura. O resultado? A VitraHaus, provavelmente o showroom mais inventivo e inteligente dos últimos tempos, localizado no complexo da Vitra em Weil am Rhein, na Alemanha, próximo da fronteira com a Suíça e a França.

Inaugurada em março deste ano, a construção leva a assinatura dos arquitetos Jacques Herzog e Pierre de Meuron, responsáveis pelo desenho do Estádio Olímpico de Pequim (2008), China, mais conhecido como "Ninho do Pássaro". A VitraHaus, que une o nome da Vitra, uma empresa de design, e a palavra casa - "haus" em alemão -, conglomera também dois conceitos presentes na arquitetura de Herzog e de Meuron: a sobreposição de volumes e a busca pela "casa originária" (Urhaus).

As primeiras ideias para a VitraHaus foram geradas em 2001, mas, naquela época, o que se pretendia era uma extensão do Vitra Design Museum, projeto de 1989 de Frank Gehry. Em 2004, com o lançamento da linha Home Collection, fez-se necessária a construção de um prédio imponente e espaçoso. 2006 foi o ano do desenvolvimento do projeto que teria sua construção iniciada em 2007.

São cinco andares, se contado o térreo, compostos por 12 "casas" - cinco delas ao rés do chão e outras sete "empilhadas" As unidades são arquetípicas e dão a impressão de estarem dispostas de maneira aleatória, como em uma "colcha de retalhos".

A articulação arquitetônica das casas, porém, se deve à paisagem. Cada fachada permite a visão de parte do campus Vitra e arredores. Ao norte é possível ver a colina Tüllinger, enquanto ao sul se avista a cidade da Basiléia, na Suíça.

O conceito das "Urhauses" tem a ver com a tentativa de afastar a VitraHaus do que se espera de um showroom tradicional, condicionado a um ascetismo de um "cubo branco", como os próprios Herzog e de Meuron afirmam. As "casas fundamentais" identificadas pela simplicidade da cobertura em duas águas, por exemplo, aproximariam os espaços expositivos de uma "escala doméstica", habitável e, em certa medida, familiar aos desenhos infantis e às construções tipicamente germânicas compostas por telhados desse tipo.

Tal conceito é identificável desde as primeiras obras da dupla como a "Casa Azul", em Oberwil, projetada entre 1978 e 1980 ou o Schaulager (1998-2003), da Fundação Emanuel Hoffmann, em Munique, que é uma espécie de "galeria-depósito" para as obras de arte da entidade.

Questões construtivas

São 21,3 m de altura até o topo, o que faz com que a VitraHaus seja a mais alta construção do complexo Vitra. O prédio, ao contrario das fábricas, por exemplo, se estrutura numa orientação vertical fornecendo uma visão panorâmica do espaço. As unidades, aparentemente simples, são sustentadas por processos mecânicos típicos da produção industrial, como o empilhamento, a extrusão e a prensagem.

As cinco "casas" do térreo são visivelmente mais curtas e largas que as estruturas dos andares superiores e estas, também, não possuem uma unidade dimensional compartilhada. Todos os volumes têm estrutura de concreto e parecem ter sido trabalhados em uma prensa de extrusão, o que lhes teria conferido o perfil exageradamente alongado. A obra apresenta volumes em balanços que pode chegar a 15 m.

As fachadas das extremidades de cada unidade são fechadas por uma pele de vidros que permite a interligação com o exterior. Durante o dia, o visitante vê a paisagem integrada aos ambientes montados no interior da construção; à noite, é o interior do showroom que se destaca através das vidraças.

As paredes, por sua vez, são revestidas por fora por tinta com matiz antracite, um tipo de mineral escuro, o que permite sua integração ao tom betuminoso do telhado e à paisagem como um todo. As paredes ainda receberam tratamento termo-acústico e, por dentro, as divisões são em sistema drywall. O piso é de madeira clara tanto no interior, como no pátio externo usado no verão.

A estrutura empilhada é sustentada pelo encontro das lajes com as empenas (zona superior de uma parede, de forma triangular, que encaixa numa cobertura de duas águas) subjacentes, o que resulta na tridimensionalidade do conjunto. Tal recurso, salvo as proporções, já havia sido empregado em outras obras de Herzog e de Meuron, como na galeria londrina Tate Modern (2000), uma "pilha" ortogonal que lembra uma pirâmide composta por estruturas envidraçadas.

De uma maneira geral, os cinco níveis do showroom da Vitra, dão a impressão de um conjunto caótico, mas ao mesmo tempo belo. Segundo o arquiteto Jacques Herzog, a VitraHaus é fruto de uma visão singular de mundo e o paradoxo está implícito em uma rica e complexa resolução das intersecções que formam a sua estrutura.

Organização interna

Além dos cinco pisos, a VitraHaus tem uma estrutura subterrânea. Ali ficam as áreas de armazenagem de produtos, manutenção e serviços. No térreo, há espaço para a recepção, foyer, loja, café, chapelaria, setor de entregas, business lounge e a Vitrine, dedicada a exposições especiais.

No primeiro andar está uma área que corresponde à extensão do Vitra Design Museum e a primeira parte do showroom propriamente dito que se estende pelos outros três pisos superiores de maneira interligada e quase labiríntica. No quarto e último piso, ainda há um terraço com vista ampla para a região do Reno. (Daiana Dalfito, colaboração para o UOL)

Ficha técnica

VitraHaus, Weil am Rhein, Alemanha

Projeto de Herzog & de Meuron

Detalhes do projeto
  • Cliente Vitra
  • Área do Terreno 12.349 m²
  • Área Construída 1.324 m²
  • Início do Projeto 2006
  • Conclusão da Obra 2010
  • Projeto Jacques Herzog, Pierre de Meuron e Wolfgang Hardt
  • Equipe Guillaume Delemazure , Charlotte von Moos, Thomasine Wolfensberger
  • Colaboradores Katharina Rasshofer, Harald Schmidt, Sara Secci, Nicolas Venzin, Isabel Volkmar, Thomas Wyssen
  • Projeto de Paisagismo August Künzel (Suíça)
  • Projeto Estrutural - Concreto ZPF Ingenieure (Suíça)
  • Construção Krebser und Freyler Planungsbüro (Alemanha)
  • Gerenciamento da Obra Krebser und Freyler Planungsbüro (Alemanha)
  • Projeto de Instalações Elétricas Krebser und Freyler Planungsbüro (Alemanha)
  • Projeto Luminotécnico Ansorg (Alemanha)
  • Comunicação Visual Graphic Thought Facility (Reino Unido)
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