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Casa de praia no litoral norte de São Paulo reúne beleza, natureza e sustentabilidade

O cheiro de mata úmida e a sinfonia dos pássaros sem sair de casa. É o que conseguiram os arquitetos Tânia Regina Parma e Newton Massfumi Yamato, da Gesto Arquitetura, no projeto da Residência Pouso Alto no litoral norte São Paulo. Com estrutura de aço, ela está suspensa sobre um terreno com mata nativa.

A história começou quando um jovem casal, com dois filhos pequenos, buscava uma casa de veraneio para passar o final de semana. Próximo ao Parque Estadual da Serra do Mar, o casal se encantou com um terreno na praia de Barra do Una, em São Sebastião, litoral norte de São Paulo. Repleto de árvores nativas, o local conta ainda com rios de águas cristalinas. O rio Pouso Alto que deu nome à casa. Mas como construir no lugar sem perder esses presentes de um dos biomas mais ricos do mundo?

Reduzindo o impacto
O primeiro problema apareceu durante a construção. “Na área, inexiste uma rua com pavimentação adequada para transportar os materiais”, conta Parma. Então, os arquitetos optaram por um sistema que utilizasse elementos prontos: a estrutura metálica, assim como as lajes e as esquadrias de janelas e portas foram levadas pré-fabricadas. A solução evitou a entrada de máquinas de grande porte, poupando o meio ambiente.

Um projeto anterior, o Ecoresort Leebambou, realizado pela dupla de arquitetos naquela região, também ajudou a manter as características do terreno. Para desenvolvê-lo, uma equipe multidisciplinar estudou os impactos das edificações do litoral. “Ficou muito claro que as edificações implantadas sem a alteração da geomorfologia local contribuiria significativamente para a minimização de impactos”, explica a arquiteta.

Então, os arquitetos projetaram uma casa com 845 m² distante do solo - com a mesma tipologia arquitetônica do hotel. Dessa maneira, foi possível preservar a conexão entre a vegetação, os animais e o solo. Ao mesmo tempo, a distância do solo contribui para a redução da umidade no interior da residência.

Resolvidas essas questões, a dupla desenhou um imóvel com três “apartamentos” - quarto, banheiro e closet -, lavabo, cozinha, despensa, sala de jantar e duas salas de estar. Estas se interligam por passarelas ao jardim e solarium, localizados na cobertura do bloco da área de lazer.

Inspiração indígena
A casa foi construída com lajes e paredes de concreto celular autoclavados - concreto de peso leve, geralmente pré-moldado em forma de bloco – e estrutura de aço. Para dar um toque rústico, esses materiais ficaram aparentes. O acabamento é apenas uma pintura que protege o aço da oxidação. As paredes internas receberam cal. Nas áreas sociais e íntimas, o piso é de madeira e, nas molhadas, cimento queimado. Devido à estrutura e ao solo firme da área, as fundações são diretas - o peso é passado para o terreno pelo prolongamento do pilar abaixo do nível do solo.

Essa arquitetura é envolvida por uma cobertura feita com a fibra da palmeira piaçava - fibra longa, resistente e com textura impermeável usada como cobertura das ocas pelos índios. Uma abertura no topo da cobertura permite a entrada de luz para uma espécie de “jardim de inverno” com mata nativa no centro da construção. Além disso, ela ajuda na circulação de ar e garante conforto térmico dentro da residência. O projeto paisagístico, de Gil Fialho, usou plantas da Mata Atlântica para integrar a área interna da casa com o entorno.

Seguindo pela passarela de madeira, sustentada por colunas de piquiá desenhadas pelo engenheiro Yopanan Rebello como árvores, chega-se ao pavilhão de lazer. Ele abriga sala de estar, sala de descanso com spa, sauna, vestiários, sanitários, área de ginástica, espaço gourmet e piscina.

A piscina, de borda infinita, é preenchida pela água do rio Pouso Alto. Conforme a água transborda, volta para o percurso do rio. Assim, constantemente, a água da piscina é renovada, o que dispensa o uso de produtos químicos. Pela beleza, funcionalidade e respeito ao meio ambiente, a residência recebeu o Prêmio Rino Levi cedido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) do Departamento de São Paulo, em 2004. (Isis Nóbile, colaboração para o UOL)

Ficha técnica

Residência Pouso Alto, São Sebastião (SP)

Projeto de Gesto Arquitetura

Detalhes do projeto
  • Área Construída 845 m²
  • Conclusão da Obra 2004
  • Projeto Tânia Regina Parma e Newton Massfumi Yamato
  • Equipe Marcio Tanaka, Paula A. Frasca, Paulo Rogério Silva
  • Colaboradores Wilson Pombeiro
  • Projeto de Paisagismo Gil Fialho
  • Projeto Estrutural - Aço Alfredo Nogueira - Pint Tecnologia de Pintura e Perlex (execução)
  • Construção Construtora Porfírio e Plaza
  • Cálculo Estrutural Yopanan C. Rebello
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