Casa e decoração

Casa em pirambeira é 'obra de arte' em bairro nobre de São Paulo

Ledy Valporto Leal

Do UOL, em São Paulo

Já faz mais de 20 anos que o arquiteto Arthur Casas passou por uma experiência marcante: comprou uma casa que, segundo o corretor de imóveis que a vendeu, ninguém queria porque era muito ‘alta’, ‘esquisita’ e mal conservada. A morada é assinada pelo arquiteto João Batista Vilanova Artigas (1915-1985) um dos expoentes do Modernismo e da vertente do Brutalismo conhecida como "Escola Paulista" e projetou obras importantes como a sede da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), na década de 60, e o Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi (1952-1970).

Foi um amigo de Artigas, o advogado Rivadávia de Mendonça, quem encomendou o projeto ao jovem arquiteto que na época (1944) tinha apenas 29 anos. Era a fase corbusiana do projetista, daí a síntese da cosntrução: um cubo com janelas “rasgadas” sobre pilotis. Aproveitando o aclive acentuado de 12 m, Artigas construiu a casa na parte mais elevada do terreno de modo a garantir a visualização da paisagem do Pacaembu, em São Paulo, e ter iluminação natural abundante para os interiores. A casa desenvolve-se em dois pavimentos - o inferior, onde está o setor social, além de cozinha; e o superior, reservado à ala íntima.

Reforma

Quando começou a reforma, Casas esmerou-se para preservar ao máximo as peculiaridades originais. “Mas era preciso adequá-la ao meu estilo de vida, embora um projeto de Artigas seja quase ‘imexível’”, resume o arquiteto. Assim, conceitos atuais de moradia foram incorporados à residência: o dormitório do casal ganhou um banheiro, um outro dormitório virou escritório e a edícula dos fundos foi eliminada. No piso inferior, o living ganhou caixilharia que dá movimento às portas de correr, um lavabo tomou o lugar da chapelaria e a cozinha foi ampliada. Confortos também foram providenciados, como lareira, ar-condicionado e elevador.

Obedecendo as orientações da Fundação Vilanova Artigas, Casas manteve o desenho da fachada muito próximo aos planos originais, mantendo as aberturas e restabelecendo o uso do tijolo aparente, além do concreto, típicos das obras do mestre que faria 100 anos em 2015. Na parte externa da residência, onde só havia taludes, a reforma instalou muros de pedra em dois níveis, sendo que no mais alto uma piscina ganhou corpo.

Internamente, respira-se arte por todos os lados. Uma das paixões de Casas, as peças garimpadas por anos integram a construção de forma complementar e leve: quadros, esculturas, fotografias e móveis de designers renomados habitam aquela casa que, para o morador, é a maior das obras de arte.

Ficha técnica

Casa Rivadávia de Mendonça, São Paulo (SP)

Projeto de Vilanova Artigas (original); Arthur Casas (reforma)

Detalhes do projeto
  • Cliente Rivadávia Mendonça
  • Conclusão da Obra 1944
  • Projeto João Bastista Vilanova Artigas (original) e Arthur Casas (reforma)
  • Projeto de Arquitetura João Bastista Vilanova Artigas (original) e Arthur Casas (reforma)
  • Projeto de Decoração Arthur Casas
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