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Casa reaproveita fôrmas de concretagem para o acabamento dos interiores

Giovanny Gerolla

Do UOL, em São Paulo

A Casa do Zé se resume em contrastes: carregada de modernidade, fica em um tradicional vilarejo português nos arredores de Lisboa, chamado Palmela, bem em frente à praça enfeitada com belo painel de azulejos pintadinhos à mão e sob a muralha de um castelo medieval no alto das montanhas.

O terreno onde a residência está foi entregue aos arquitetos do Paratelier praticamente vazio, mas o acesso a ele era difícil. O projeto, então, previu uma construção que reduzisse a quantidade de materiais a ser transportada morro acima e também fosse ágil (a obra seria concluída num intervalo de apenas seis meses). 

Somadas essas necessidades práticas às exigências administrativas (a forma que a fachada teria passaria pelo crivo da Câmara Municipal de Palmela), a solução encontrada foi a construção em concreto pigmentado na cor ocre, que manteria em equilíbrio o conceito de um monolito (volume residencial único em fachada estrutural) em um matiz que dialogasse com o planejamento urbano para o povoado.

O truque

“Foram feitas algumas experiências para chegar à tonalidade certa”, conta a arquiteta italiana Monica Ravazzolo, do Paratelier. Mas o grande trunfo da Casa do Zé ainda estava por vir: para concretar a fachada foram usadas fôrmas de madeira em painéis compostos por três camadas cruzadas de pinus – muito resistentes – que, ao final do processo de cura, poderiam ser limpas e reutilizadas. Essas fôrmas transformaram-se em revestimentos para pisos, forros e paredes, além de estrutura para itens fixo do mobiliário em marcenaria - como armários, gabinetes, mesas e camas -, bem como para a concepção dos degraus e do guarda-corpo das escadas. Tudo devidamente assinado pelos arquitetos que idealizaram a residência.

Por sua vez, o telhado foi estruturado em concreto armado, seguindo a linha construtiva da casa, e como era previsível, painéis Viroc (placas de madeira prensadas com cimento), compuseram o acabamento dessa parcela da obra. “Primeiro fizemos e curamos os elementos da cobertura em concreto que, depois, foram revestidos por uma tela betuminosa impermeabilizante encimada pela estrutura de madeira, na qual, acabaram fixados os paineis Viroc”, explica Ravazzolo.

O resultado deste trabalho é a residência que se insere num entorno histórico, ao passo que se destaca das outras casas por sua volumetria geométrica.  A Casa do Zé, em seus contrastes, dividiu-se em três pavimentos que desobedecem o comum, intercalando a ala íntima com as de uso coletivo e social. No térreo, pouco abaixo da linha da rua, o hall se alinha à oficina voltada para um pátio que ilumina os interiores; no primeiro andar estão os dois dormitórios; e no terceiro e mais alto, ficam os ambientes sociais dispostos ali para alcançar as mais belas vistas sobre as paisagem e a cultura locais. Uma bela casa portuguesa, com certeza.

Ficha técnica

Casa do Zé, Palmela, Portugal

Projeto de Paratelier

Detalhes do projeto
  • Área do Terreno 90 m²
  • Área Construída 186 m²
  • Início do Projeto 2011
  • Conclusão da Obra 2014
  • Projeto Paratelier
  • Equipe Leonardo Paiella e Monica Ravazzolo
  • Colaboradores Ilaria La Corte, Hugo Amaro, Mariana Gama, Inês Anselmo
  • Projeto de Arquitetura Paratelier
  • Projeto de Decoração Paratelier
  • Projeto Estrutural - Concreto Emanuel Correia
  • Construção Cofraçado, lda
  • Gerenciamento da Obra Leonardo Paiella
  • Projeto de Instalações Elétricas Emanuel Correia
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