Casas

Casa moderna implantada na serra proporciona conforto "de fazenda"

Juliana Nakamura

Do UOL, em São Paulo

Quando o arquiteto Eduardo de Oliveira Rosa iniciou o projeto dessa casa na área rural de São Pedro, no interior de São Paulo, a missão era especialmente desafiadora. Primeiro era necessário pensar em uma implantação que tirasse partido da localização privilegiada, no alto da Serra de São Pedro, região de relevo de cuestas, caracterizado por paredões de pedra basáltica e rica vegetação nativa. Também era preciso criar um lar confortável e aconchegante para um casal de aposentados, onde eles pudessem desfrutar o tão sonhado descanso, após anos dedicados à construção de estradas e ao ensino de biologia.

Havia, ainda, uma particularidade que adicionava uma responsabilidade extra ao trabalho do arquiteto. Os clientes, desta vez, eram os seus pais. "Após passarem décadas mudando de cidade para cidade por motivos profissionais, eles sonhavam com uma casa grande o suficiente para acolher móveis e objetos coletados ao longo dos anos", revela Rosa. A casa deveria comportar também a desejada visita de filhos e netos em fins de semana e férias.

Para compatibilizar todas as exigências, Rosa desenhou uma casa que responde às condições do lote e do entorno. "A implantação sugere a letra “Y”, sendo que dois braços acompanham o perfil do terreno e o terceiro, no nível inferior, se projeta em direção à encosta e incorpora a única árvore existente nessa área", explica o arquiteto.

Os dois primeiros volumes abrigam respectivamente os espaços de convívio e os dormitórios. No terceiro há um apartamento para acomodar as visitas. Com janelas fixas, que permitem visões panorâmicas da paisagem, as áreas de sociais têm pés-direitos generosos variando de seis a oito metros de altura.

Por sua vez, a geometria acentuada e o telhado irregular da construção remetem às máquinas dos primórdios da aviação – como o 14 Bis, de Santos Dumont - e em nada fazem lembrar uma típica casinha de sítio. Além dessa, outras referências arquitetônicas podem ser notadas no projeto: das empenas cegas das residências na região de São Pedro, às estufas agrícolas revestidas com telas de sombreamento.

Aspectos construtivos

O acesso à casa se dá por meio de uma rampa descendente que conduz ao hall de entrada no piso superior. Desse ponto tem-se a vista da serra e da grande varanda. Ponto central do projeto, o espaço avarandado está diretamente ligado à cozinha e é fechado por telas de metal expandido e de sombreamento, o que acentua sua condição de espaço intermediário entre o interior e o exterior. "Esses grandes portões não apenas fecham a varanda definindo os seus limites, como também a integram à paisagem", pontua Eduardo Rosa. Abertas, as estruturas móveis parecem marquises delgadas sustentadas por cabos de aço.

Erguida a partir de uma estrutura mista com colunas e vigas de concreto e algumas pilares circulares de aço, a construção se apropria de elementos “aparentes”, minimamente obscurecidos pelos acabamentos comuns, caso dos pilares de aço, apenas pintados com tinta preta fosca. O revestimento externo, feito com uma mistura de reboco fino e pó colorante negro, segue tal premissa que resulta num acabamento de aparência irregular e cinza escura, que lembra carvão.

"O tom escuro não deixa que a casa se sobressaia de forma excessiva em relação ao verde da paisagem. Além disso, as paredes manchadas nos remetem às empenas cegas pintadas com tinta asfáltica encontradas na arquitetura vernacular das cidades da região", comenta o arquiteto.

Os demais acabamentos da casa são simples e utilitários. O piso é de cimento queimado preto, nas áreas de convívio, ou de assoalho de ipê, nos dormitórios. A cobertura é composta por telhas de zinco ondulada e parte dos muros de contenção da casa foi feita com pedras extraídas do terreno durante o serviço de terraplanagem.

Funcionais, a ventilação cruzada e o pé direito alto regulam a temperatura nos interiores em períodos mais quentes. Além disso, a orientação das janelas foi planejada de modo a favorecer o conforto térmico. Por exemplo, o pano de vidro panorâmico da sala de estar se abre para o sul, evitando a exposição excessiva aos raios do sol. Por outro lado, a longa varanda envidraçada no piso superior está orientada para o norte para captar a radiação solar nos dias de inverno.

Rosa conta ainda que o processo de construção da casa foi muito rico e acabou se transformando em um projeto familiar. Seu pai foi responsável pela supervisão técnica e pelo detalhamento da maior parte da obra. Já as portas, feitas de assoalho de ipê, foram produzidas por seu irmão mais jovem, que é engenheiro agrônomo e carpinteiro nas horas vagas.

Ficha técnica

Casa no sítio Santo Antônio, São Pedro (SP)

Projeto de Oliveira Rosa Architectural Design

Detalhes do projeto
  • Área Construída 473 m²
  • Início do Projeto 2002
  • Conclusão da Obra 2005
  • Projeto Oliveira Rosa Architectural Design (ORAD)
  • Equipe Eduardo de Oliveira Rosa
  • Colaboradores Edison Luiz de Oliveira Rosa
  • Projeto de Arquitetura Eduardo de Oliveira Rosa
  • Projeto de Paisagismo ORAD
  • Projeto Estrutural - Concreto Benedito de Souza
  • Construção Sérgio Smaniotto
  • Projeto Luminotécnico ORAD
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