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Casa se abre para mata através de varanda rústica com seis metros de altura

Ledy Valporto Leal

Do UOL, em São Paulo

Uma caixa dentro da outra. Assim o arquiteto Vinicius Andrade define a Casa RR, projetada pelo escritório Andrade Morettin e localizada em Itamambuca, praia do litoral norte de Ubatuba (SP), próxima à divisa com o Rio de Janeiro. Os proprietários - um casal jovem com dois filhos pequenos - queriam uma construção que não agredisse o meio ambiente, já que entre o lote e a praia há uma faixa de 100 m de mata ciliar com espécies da Mata Atlântica.

Desta forma, em lugar das construções litorâneas destinadas aos fins de semana esparramadas no terreno e que empregam técnicas construtivas tradicionais, com coberturas em telhas de barro, a solução adotada pelos arquitetos perseguiu o caminho inverso. Ou seja, foi fortemente marcada pelo emprego de componentes industrializados, levados prontos e apenas montados no local, “assegurando um canteiro seco, com pouca geração de resíduos e baixo impacto ambiental”, ressalta Andrade.

Caixa-forte

No lote de 500 m², ergueu-se a inusitada caixa metálica, com 18 m de frente, 8,5 m de largura e seis metros de altura, elevada 75 cm do solo e apoiada em pilotis de concreto moldado no local, a fim de proteger a construção da intensa umidade própria da região. Essa estrutura é composta por telhas de aço, tipo sanduíche, com eficiente desempenho termo-acústico, graças ao enchimento de EPS (manta isolante com cinco centímetros de espessura).  

nela, enquanto as faces menores são superfícies predominantemente cegas – possuem somente pequena abertura horizontal na altura das varandas do piso superior – as duas outras maiores se abrem francamente para o exterior, sendo que a principal, voltada para a praia, antecede uma varanda com pé-direito duplo. Nestas duas fachadas maiores, foram instalados painéis com telas de fibra de vidro e PVC (para repelir insetos), montadas em caixilhos de aço. Esses requadros com seis metros de altura, além de deixar a obra com aspecto esbelto, são pivotantes na fachada principal, onde está o avarandado, e fixos na posterior, com somente um módulo móvel para o acesso.

Caixote

A "caixa menor" é interna e abriga um programa compacto: estar, jantar, cozinha, suíte de hóspedes, lavabo e área de serviço, no térreo, e dois dormitórios e um banheiro no pavimento superior. No prolongamento dos quartos, porém, foram instaladas varandas com decks e coberturas retráteis para os banhos de sol. Toda a estrutura desse pavilhão é de cumaru maciço, madeira nobre que dispensa tratamento, executada pelo engenheiro Hélio Olga, da Ita Construtora. Os fechamentos e forros são feitos de OSB (compensado de tiras de madeira coladas com resina em camadas à alta temperatura e pressão) com perfurações circulares. Com isso, forma-se um interessante contraste quente-frio, resultado do mix de materiais.

A estrutura dos dois pisos da "caixa menor" é também constituída por cumaru, agora com modulação de 3 x 4 m. Os pilares deste sistema sustentam também a cobertura metálica, enquanto um conjunto de mãos-francesas permite à fachada principal libertar-se da função estrutural (portante). Entre as caixas também há uma diferença de altura de 75 cm, que assegura a ventilação cruzada permanente e possibilita a instalação da caixa d'água no desvão.

Ficha técnica

Casa RR, Praia de Itamambuca, Ubatuba (SP)

Projeto de Andrade Morettin

Detalhes do projeto
  • Área do Terreno 500 m²
  • Área Construída 220 m²
  • Início do Projeto 2006
  • Conclusão da Obra 2007
  • Projeto Escritório Andrade Morettin: Vinicius Andrade e Marcelo Morettin
  • Equipe Merten Nefs (coordenador), Marcio Tanaka, Marcelo Maia Rosa, Marina Mermelstein e Renata Andrulis
  • Projeto de Arquitetura Vinicius Andrade e Marcelo Morettin
  • Projeto de Fundação Pedro Negri
  • Construção Vicente Ganzelevitch e Ita Construtora (madeira)
  • Projeto de Instalações Elétricas Nilton José Maziero
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