Casas

Com 1 mil m², casa ocupa terreno triangular e se destaca por fachada de concreto em curvas

Ledy Valporto Leal

Do UOL, em São Paulo

O traçado curvilíneo, característico da obra do arquiteto Ruy Ohtake, é o grande destaque desta casa que, mesmo ao longe, impressiona os visitantes. Com 1 mil m² de área construída, a residência situa-se em um condomínio fechado na cidade de Valinhos, interior de São Paulo.

A concepção do projeto teve um fator determinante: o formato peculiar do terreno de 5 mil m² - um triângulo com 70 m de frente e 140 m de profundidade, além de um acentuado aclive de 21 m e “uma vista linda à frente, descortinando a paisagem da cidade e da região”, ressalta o arquiteto, autor de projetos diferenciados como o Hotel Unique e o edifício Tomie Ohtake, entre outros.

Diante das dificuldades impostas pelo lote, Ohtake optou por posionar a casa no terço posterior e mais elevado do terreno. “Implantei a residência onde a topografia mais ajudava, próxima ao vértice do triângulo”, afirma. Essa solução possibilitou a criação de um recuo de 60 m em relação à rua, onde foi instalada uma grande área de lazer com um lago e uma piscina com 210 m², borda “infinita” e revestimento composto por pastilhas coloridas, que compõem desenhos em formas sinuosas. Tal cenário, já exuberante, é completado pelo trabalho paisagístico desenvolvido pelo escritório Burle Marx.

Em ondas

Há dois momentos marcantes nesta arquitetura de Ruy Ohtake: as vigas da fachada frontal e a monumental rampa-escada na ala social. As primeiras, com desenho sinuoso tridimensional, delimitam - nos dois pavimentos - varandas de grande extensão, com 25 m lineares. A superior dá acesso aos dormitórios com esquadrias de madeira que criam interessante contraste em relação ao concreto. A inferior está interligada visualmente ao living através de imensos panos de vidro, que dão transparência e luminosidade ao local.

Por sua vez, a rampa-escada escultórica, com 4,5 m de diâmetro interno e suave inclinação, está inserida num espaço inusitado – um recanto com pé-direito duplo e claraboia de idêntica circunferência, que inunda o interior com luz natural. Neste espaço acham-se dispostos ambientes como home theater, bar e lounge, enquanto sob a laje do mezanino estão a cozinha e a lavanderia. Cria-se assim, conforme enfatiza o arquiteto, “um espaço com diferentes sensações de pé direito mais baixo e pé direito duplo”. Ressalta-se aqui um espaço de grande elegância formal e o requinte modernista na escolha dos materiais – concreto, madeira e vidro.

A volumetria da construção tem o formato de um arco aberto e é definida por uma parede hermética contínua, paralela às divisas do terreno (7,50 m de afastamento). Essa superfície de concreto aparente é um dos pontos de atração do projeto, já que contém pequenas janelas circulares envolvidas por pinturas em formato orgânico que iluminam banheiros e áreas de serviço. Uns definem como óculo (abertura em fachadas, geralmente em frontões ou frontispícios), outros como olho. Mas, trata-se de uma intervenção pictórica de Ohtake, que explica: “foram juntadas, na forma orgânica, três janelas circulares e, no térreo, duas portas ovais que acessam cozinha e sala de jantar, são elementos agregadores, além de plásticos”.

Os pavimentos e as cores

A residência compreende dois pavimentos: o piso térreo, com seu setor frontal destinado aos ambientes de escritório, estar e jantar, voltados para um amplo terraço com 25 m de frente, dotado de churrasqueira; enquanto o piso superior comporta quatro suítes – tendo a do casal 70 m² – e copa de apoio. Os espaços reservados à garagem para quatro carros e dois dormitórios de empregados, além de depósito, configuram um volume baixo e semi-enterrado, disposto próximo ao vértice do terreno.

Em relação à estrutura, as lajes de entrepiso e cobertura são nervuradas (com vigas que se cruzam) e protendidas (sem tensões de tração por serem sustentadas através de ancoragem), apoiando-se na parede periférica e em dois pilares, alinhados com o pano de vidro que delimita a fachada frontal.

A cor comparece em poucas superfícies, mas de forma marcante. Internamente, algumas paredes são pintadas em vermelho, azul e amarelo. O mobiliário econômico, selecionado com cuidado, contribui para acentuar o contraste entre as superfícies com cores primárias e o cinza do concreto, que lhes serve de pano de fundo.

Na casa, as fartas curvas dominam a concepção arquitetônica e constituem cenário inusitado e até mesmo instigante: elas estão em praticamente todos os elementos da construção, desde a criação dos principais espaços até os detalhes, como portas e janelas. Ruy Ohtake justifica seu fascínio pelas curvas sinuosas como uma influência do arquiteto Oscar Niemeyer. “Ele é uma enorme referência na minha formação”, conclui.

Ficha técnica

Casa Valinhos, Valinhos (SP)

Projeto de Ruy Ohtake

Detalhes do projeto
  • Área do Terreno 5.000,96 m²
  • Área Construída 1.012,94 m²
  • Início do Projeto 2006
  • Conclusão da Obra 2010
  • Projeto Ruy Ohtake
  • Colaboradores Carlos Roberto Azevedo e Ararê Sennes
  • Projeto de Arquitetura Ruy Ohtake
  • Projeto de Decoração Ruy Ohtake
  • Projeto de Paisagismo Escritório Burle Marx
  • Projeto de Fundação Apoio Assessoria e Projetos de Fundações Ltda
  • Projeto Estrutural - Concreto César Pereira Lopes
  • Projeto Estrutural - Aço César Pereira Lopes
  • Construção Blokos Engenharia Ltda. e Oscar Kusaka
  • Projeto de Ar-Condicionado Assistec Projetos
  • Projeto de Instalações Elétricas SKK
  • Projeto Luminotécnico Studio IX
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