Casa e decoração

Sobrado em SP ganha cor e personalidade com reforma "sem paredes"

Giovanny Gerolla

Do UOL, em São Paulo

Era uma dessas velhas casas em um bairro operário da capital paulista, dessas que contam a história da cidade: um sobrado com área social térrea, piso íntimo superior e jeitão suburbano. Mas, com a intervenção da arquiteta Renata Popolo, a casa ganhou nova personalidade: primeiro, não há mais divisórias entre os ambientes no térreo; estar, jantar e cozinha se transformam em uma coisa só. “Para que isso fosse possível, sem perder a sustentação da laje do pavimento superior, criamos uma estrutura auxiliar. Pois nós não sabíamos se alguma daquelas paredes divisórias era estrutural”, conta a projetista.

O sustento extra veio de uma viga metálica que atravessa a grande sala integrada e fica escondida sob o forro de gesso. Apesar da mudança radical, o projeto resguardou alguns detalhes originais como "a estrutura de madeira do telhado, que foi reaproveitada. Pois as telhas são [do tipo] romana, de barro, e a casa tem um pé direito generoso com 2,65 m”, explica Popolo. Nos pisos da área de convivência, e em toda a área íntima – dormitórios, closets e até banheiros – também foi mantida uma relíquia da arquitetura paulistana: tacos em madeira peroba rosa, que foram lixados para receber uma resina de proteção.

As janelas, porém, não foram necessariamente preservadas, pois todos os vãos sofreram alguma intervenção. Como a ideia era iluminar mais e, assim, gerar a sensação de amplitude, a regra foi aumentá-los, onde possível, sem mexer na estrutura (em concreto) da casa Sumaré. Grandes portas de correr e vitrôs em caixilhos de alumínio pintados de preto tomaram as aberturas de forma a minimizar a manutenção.

Acima e do lado de fora

A proposta de integração, no entanto, não parou na cozinha e nas salas. Subiu as escadas e chegou às suítes, onde dormitórios, banheiros e closets não têm portas-divisórias, a separação se dá apenas por cortinas. Há continuidade entre um espaço e outro, cujo ritmo é marcado pela harmonia das cores e pela extensão do piso de madeira recuperado. Nos revestimentos, investiu-se no reaproveitamento máximo do "velho", destacando o aspecto natural da madeira, do cimento queimado e das cores foscas.

Para não "apagar" demais a casa Sumaré, a arquiteta Renata Popolo soube dosar muito bem a quantidade e a posição exata de elementos brilhantes para criar contrastes, a exemplo da parede atrás do sofá e da marcenaria do jantar. O grande desafio da reforma, porém, ficou do "lado de fora": foi criar em um mesmo terreno, onde já existia uma casa, uma área de escritório separada do uso residencial, com entrada e duas vagas de garagem independentes.

Para encontrar um equilíbrio ideal para uso compartilhado entre moradia e trabalho, o estilo moderno e com toques divertidos - como o skate que decora o estar, a variedade de quadros e de estampadas "pop" e as cores fortes das áreas comuns -  foi adotado. O sobrado antigo, agora, é uma morada com espírito jovem.

Ficha técnica

Casa Sumaré, São Paulo (SP)

Projeto de Renata Popolo

Detalhes do projeto
  • Área do Terreno 175 m²
  • Área Construída 215 m²
  • Início do Projeto junho de 2011
  • Conclusão da Obra novembro de 2011
  • Projeto Renata Popolo
  • Colaboradores Luanda Engenharia
  • Projeto de Arquitetura Renata Popolo
  • Projeto de Decoração Renata Popolo
  • Projeto de Instalações Elétricas Luanda Engenharia
  • Projeto Luminotécnico Renata Popolo
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