Festa e cerimônia

Casamentos homossexuais agitam o setor de organização de festas dos EUA

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Casais norte-americanos gastam, em média, US$ 25.631 (cerca de R$ 53 mil) em seus casamentos imagem: Thinkstock

María Peña Da EFE, em Washington

A crescente aceitação dos casamentos entre homossexuais nos Estados Unidos, legalizados em mais três estados nas últimas eleições gerais, vai representar um "boom" para o milionário negócio de organização de festas no país. Eleitores em Maryland, Washington e Maine aprovaram diversas iniciativas no último dia 6 de novembro nas quais aceitam o casamento entre homossexuais. Com isso, os serviços dedicados a planejar com detalhe as festas de matrimônio, da escolha dos hotéis aos quitutes, já se preparam para lucrar.

Os casais norte-americanos gastam, em média, US$ 25.631 (cerca de R$ 53 mil) em seus casamentos, um valor que não contempla o custo da viagem de lua de mel. A lista de despesas inclui a compra do traje, o aluguel de limusines e salões de recepção, agências de viagens, calçados, floriculturas, papelarias, restaurantes, confeitarias, decoradores, fotógrafos, alfaiatarias e bandas musicais. Nos EUA, cresce o número dos chamados organizadores de casamento. Mas eles também têm seu preço, dependendo do gosto e do bolso do cliente.

O casamento homossexual representa um mercado emergente para uma indústria que, durante décadas, gerou milhões de dólares entre os casais heterossexuais. Se apenas a metade dos pouco mais de 781 mil casais homossexuais nos EUA tivesse o direito de contrair matrimônio e o aproveitasse, os casamentos gays fariam a alegria de uma indústria abatida que registraria uma receita adicional de pelo menos US$ 10 bilhões, segundo calculou a revista "Forbes".

O Instituto Williams da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), informou em seu site que esses três estados --Maryland, Washington e Maine-- poderiam gerar, pelo menos, US$ 166 milhões nos primeiros três anos em vigor da medida. De acordo com o texto das iniciativas, os casais homossexuais já vão poder subir ao altar a partir do próximo mês em Washington e, no mês seguinte, janeiro de 2013, em Maryland e no Maine.

Ainda segundo o Instituto Williams, 1.979 casais homossexuais devem se casar no Maine nos primeiros três anos, de um total de 3.958, e a previsão é de que gastem US$ 15,5 milhões. Em Maryland, o número de casais homossexuais previstos para se casar é de 6.269, de um total de 12.538. Juntos esses casais gastariam US$ 62,6 milhões nesse mesmo período.

Já em Washington, de um total de 19.003 casais do mesmo sexo, a previsão é de que cerca de 9.501 se casariam entre 2013 e 2016 e investiriam em suas festas de união cerca de US$ 88,5 milhões, segundo estimativas do Instituto Williams. A entidade fez suas previsões de acordo com os dados do censo de 2010, com a média das despesas das festas nesses três estados e com os relatórios de turismo estaduais.

Esses números, no entanto, representam somente a metade do total de casais que pensam em se casar nos primeiros três anos em vigor da lei, que autoriza o casamento entre pessoas do mesmo sexo em Maryland, Washington e Maine, por isso o número poderia facilmente dobrar. Os cálculos também não levam em conta os cidadãos desses estados que já se inscreveram como "casais domésticos" ou que já realizaram alguma cerimônia de casamento.

O apoio nas urnas às uniões entre homossexuais é significativo porque, até agora, a maioria da população tinha se mostrado contra autorizá-los quase todas as vezes que o apoio foi submetido à consulta. Por isso, os avanços nessa questão tinham sido por via judicial ou legislativa.

Agora, após a eleição da semana passada, o casamento entre pessoas do mesmo sexo já é legal também em Connecticut, Iowa, Massachusetts, New Hampshire, Vermont e no Distrito de Colúmbia, enquanto em outros cinco estados são permitidas uniões civis, mas esse ainda não é um direito reconhecido pelo Governo Federal.

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