Casamento

Para incluir animais no casamento, é preciso permissão do local e muito treinamento

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Luciana Pepino se casou em abril com Rodrigo Lélles e diz que não deixaria os pets de fora do evento imagem: Zoom Vip/Divulgação

Mayara Alves

Do UOL, em São Paulo

Uma das exigências mais importantes de um casamento é que o casal esteja rodeado de quem ama, o que, para muitos, inclui os bichinhos de estimação. Para quem é apegado aos pets, não há motivo para deixá-los fora da cerimônia. Muito pelo contrário, o ideal é que tenham papel de destaque, como levando as alianças ao altar, tarefa normalmente exercida por daminhas e pajens.

Em seu casamento, Luciana Pepino fez questão que seus três cachorros participassem da celebração, realizada em abril deste ano. "Eles são tratados como nossos filhos. E são nossos filhos, pois fazem parte do nosso dia a dia e dormem conosco. Nós não deixaríamos um de nossos filhos fora dessa solenidade", diz. Para facilitar a presença dos bichos, a noiva optou por fazer a cerimônia e festa em um buffet. "Assim, ficou mais fácil convencer um padre a aceitar a presença deles. O problema acontece quando a igreja não permite a entrada de animais. A escolha do padre estava vinculada ao fato de ele gostar de animais e aceitá-los no altar com a gente."

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Assim como Luciana, cada vez mais casais apaixonados por seus animais estão surpreendendo os convidados ao optarem pela presença dos seus xodós na cerimônia e festa. No entanto, se quiser arrancar inúmeras interjeições de encanto dos presentes com o seu bichinho, é preciso levar em conta alguns detalhes.

Cheque a possibilidade
Não é simplesmente o desejo de tê-los com o casal que basta. Antes de fechar o local onde será celebrada a cerimônia, é preciso checar a possibilidade da entrada de animais. “Tem de haver um acordo entre o estabelecimento que vai realizar a cerimônia ou a festa e os noivos. Alguns locais aceitam e outros não. Mas se é uma exigência que eles estejam lá, é preciso que os noivos procurem um local que tope desde o começo da organização do evento”, afirma André Agramonte, adestrador de cães que treina animais para ocasiões como o casamento.

Além de verificar a possibilidade da presença deles, é preciso também lembrar se há autorização para os animais andarem soltos ou apenas na coleira. A dica da adestradora de animais Andréa Souza de Paula é pedir permissão para que os animais fiquem livres e ainda colocar no contrato a presença deles, para evitar dores de cabeça na hora da celebração.

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    Momento do encontro da noiva Luciana com um dos bichinhos de estimação no altar


Prefira cachorros
Além de cachorros, existem outros animais que podem desempenhar o papel, mas, segundo Agramonte, o trabalho fica mais complicado quando se trata de outras espécies, como gatos e pássaros. “Geralmente, o cão já está acostumado a apoiar o homem em diversos trabalhos. Já outros animais necessitam de treinamento mais complexo e uma atenção voltada especificamente para aquele treino desde muito cedo, coisa que raramente acontece”, explica o especialista em animais.

Andréa explica que o comportamento de outras espécies animais, que não sejam cachorros, dificulta o processo. No entanto, com muito treinamento, tudo é possível. “Uma vez, fiz um noivado com um pássaro ring neck [espécie semelhante à jandaia]. O ambiente era a própria casa e não havia convidados, apenas meu cliente e a noiva. O treinamento foi para que a ave levasse para a noiva um papel com o pedido de casamento. Por ser um ambiente familiar para a ave e sem intervenções de convidados, foi mais simples”, conta Andréa.

Mesmo que os noivos tenham um cachorro, também há algumas observações. “Todas as raças são aptas, não há restrição. Porém, é esperado que o cão tenha perfil para desempenhar o papel no dia do casamento. Por exemplo, cães muito medrosos ou muito agitados podem ter mais dificuldade, sofrer com estresse. O cachorro deve ter concentração, gostar de brincadeiras e ter um trabalho de socialização muito bem feito”, explica o adestrador Agramonte.

Tempo de treinamento
Se os donos (e noivos) quiserem que o animal leve as alianças para o altar, devem reservar, no mínimo, uns seis meses para preparar os pets. “O tempo vai de acordo com o que o cliente quer e se os animais possuem algum problema de comportamento que deve ser treinado", diz Andréa. A adestradora enumera medo, agressividade, ansiedade e o hábito de latir como características que podem atrapalhar o andamento da cerimônia. Ela diz que, em geral, o treinamento começa de seis meses a um ano antes da data marcada, no início com vários treinos durante a semana; conforme o animal evolui a frequência de treino pode ser reduzida, e, perto da cerimônia, a rotina é intensificada de novo.

Beatriz Duarte, treinadora especializada em comportamento canino, alerta para outro detalhe: é preciso levar em consideração se o cachorro entrará sozinho ou na coleira, acompanhado por um responsável. No caso de entrar sozinho, o tempo de treinamento deve ser maior, porque é mais fácil de o cão solto se distrair.

  • Beto Ganem/Divulgação

    Nina, Pita e Fred entram na igreja

Imprevistos acontecem
Andréa adestrou três cachorrinhos para o casamento de Luciana Pepino e Rodrigo Soares Lélles. O resultado foi que Nina, Fred e Pita foram as estrelas da noite. “Eles foram treinados em diversas situações e locais, porque o meu maior medo era que eles latissem para as pessoas”, conta Andréa.

Mas a surpresa veio no tradicional tapete vermelho, que não estava lá. “No lugar do tapete, havia um chão espelhado. Dois dos cães se assustaram ao pisar, um travou e outro quis sair correndo. Mas, com muita calma, coloquei-os de volta na posição e eles perceberam que não corriam perigo”, conta a adestradora. Por isso, é bom que o adestrador esteja presente no momento.

“No fim, a cachorrinha que dava mais trabalho nos treinos foi a que mais se comportou. E os três deixaram os convidados passarem a mão tranquilamente e ficaram quietinhos no altar durante a cerimônia”, finaliza.

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