Cerimônia

Saiba o que fazer se for deixada no altar como Valdirene de "Amor à Vida"

Site Amor à Vida/TV Globo
Na novela "Amor à Vida" (Globo), Valdirene (Tatá Werneck) é dispensada pelo noivo em plena cerimônia imagem: Site Amor à Vida/TV Globo

Marcelo Testoni

Do UOL, em São Paulo

O casal namorou durante dois anos e resolveu se casar. Ela escolheu a igreja, ele se mudou para a casa dela e, juntos, providenciaram os preparativos da festa e enviaram os convites. Mas, dez dias antes da cerimônia religiosa, veio a surpresa: "O meu ex-noivo fugiu sem dar qualquer explicação a mim ou a meus familiares e ainda pediu ao pai para que buscasse suas roupas em minha casa", relembra a dona de casa Regina Cançado, de 64 anos, o vexame que vivenciou em 1986.

Embora o relato de Regina nos faça lembrar os dramas das telenovelas -vide Valdirene (Tatá Werneck), que foi abandonada no altar por Ignácio (Carlos Machado)-, na vida real o fato de ser deixada dias antes ou na data do casamento gera estresse emocional, como também problemas financeiros em série. Sentimentos de fracasso, rejeição, vergonha e desilusão tornam-se frequentes e impedem a pessoa deixada de agir e procurar a outra parte para discutir as dívidas contraídas com a preparação do evento.  

Prevenção
Como medida preventiva às perguntas "por que eu?" ou "onde errei?", a psicoterapeuta de casais Ana Gabriela Andriani aconselha o hábito da comunicação e atenção às expectativas do casal. "O casamento relâmpago está relacionado à falta de intimidade e interesse dos noivos um pela vida do outro ou até por equívocos mal resolvidos durante a relação."

"Nunca duvidei do meu ex-noivo e também nunca procurei conhecer seu passado e sua rotina, talvez por receio de bancar a mulher pegajosa", lembra Regina Cançado.

Se o noivo é do tipo que não fala muito sobre si e cancela até os programas que ele próprio planejou, a noiva deve desconfiar. "É importante ir à casa dele, conhecer sua família e seus amigos e procurar saber o que ele faz. Apaixonados, cometemos o deslize de viver os sonhos futuros e esquecemos o presente", explica a psicoterapeuta.

O que fazer?
Quando alguém do casal some no dia da cerimônia, a primeira medida a ser tomada é minimizar o desconforto gerado, colocando alguém da família ou um cerimonialista a postos na porta do local da cerimônia, para orientar os desavisados. Se o episódio ocorrer a poucos dias, ainda há tempo de emitir uma notificação sobre o ocorrido e cancelar a celebração. ‘‘A noiva, seus pais ou a assessoria responsável pelo evento devem analisar os prejuízos dos envolvidos e ressarci-los individualmente para evitar ainda mais constrangimentos’’, orienta Sylvia Queiroz, organizadora de casamentos e recepções.

Devoluções
"Sem entrar em muitos pormenores com os convidados, é aconselhável também enviar os presentes de volta. Também é possível verificar com os convidados se eles desejam recebê-los de volta ou se preferem doá-los para alguma instituição de caridade", explica Pedro Santos, produtor de eventos da empresa Carvalho Pinto.

Em seguida, os fornecedores de serviços imediatos, como vestido, carro, fotografia e filmagem são avisados e, por fim, as empresas responsáveis pela estrutura e montagem do evento, banda, decoração, bufê e lua de mel. "É preciso analisar todas as cláusulas, cancelar os contratos um a um e pagar as multas o mais rápido possível", observa Sylvia Queiroz.

"Geralmente, é possível cancelar o bufê e o bolo até uma semana antes da festa. Mas, se a noiva for abandonada no dia do casamento, isso é impossível, uma vez que toda a equipe já foi convocada e os insumos calculados. Quanto às bebidas, são estudadas devoluções. Muitas empresas oferecem a entrega de 50% do pedido, alterando para outra ocasião", esclarece Pedro Santos.

Para evitar danos e cancelamentos súbitos, algumas empresas exigem como garantia o envolvimento de ambos os noivos na contratação dos serviços. Se os dois assinaram documentos e efetuaram pagamentos, deverão então calcular o que coube a cada um, e ressarcir ao outro os custos excedentes. Se não houve acordo, a melhor saída é consultar um advogado.

Reparações
A noiva ou noivo largado na véspera ou no dia do casamento pode correr atrás de seus direitos e entrar com uma ação no Tribunal de Justiça, exigindo indenização de danos materiais referentes aos gastos que teve com o casamento e, eventualmente, de danos morais, se forem provados traumas psicológicos e grande repercussão social do término -na imprensa, por exemplo.

"Como garantia, as noivas devem guardar todos os comprovantes de gastos feitos previamente ao casamento, notas fiscais, escritura pública da futura casa, comprovantes de transações bancárias, testemunho do chefe e de outros colegas de trabalho (caso haja perda da expectativa de crescimento profissional), além de atestado médico se o fato de ter sido abandonada a tenha levado a precisar de terapia e remédios", explica Paulo Ladeira, advogado na área de Direito de Família e Sucessões, da Advocacia Ladeira.
 

  • Arquivo Pessoal

    Luis Martins ajudou Regina Cançado a esquecer a promessa que fez de nunca mais pôr os pés na igreja e se casaram dois anos depois, em 1988

Superação
Apesar de tantas dores de cabeça, a noiva não deve se concentrar somente no que deu errado, mas também reconhecer as lições que aprendeu com o rompimento da relação, a fim de não errar de novo. "Esse é o momento de aceitar o que passou e colocar os pés no chão para escolher o parceiro certo, e não o casamento", observa a psicoterapeuta Ana Gabriela Andriani.

Também é importante ter a noção de que, em algum momento, o relacionamento iria acabar. Portanto, é melhor que a farsa termine o quanto antes para que o casal possa seguir ou reconstruir sua vida mais cedo.

Regina Cançado, que teve de cancelar o casamento dias antes da cerimônia, aconselha: "É necessário perdoar e seguir adiante. No final das contas, acabei me casando dois anos depois com o Luis [foto acima à esq.], um amigo que me deu de presente os convites do meu ‘quase’ casamento. A vida é cheia de boas surpresas."

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