Acessórios da noiva

Mulheres praticam desapego e lucram com aluguel e venda do vestido de noiva

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Passar o vestido adiante evita que a peça amarele no fundo do armário imagem: Getty Images

Louise Vernier e Amanda Sandoval

Do UOL, em São Paulo

Quem já atravessou a igreja a caminho do altar usando um vestido de noiva escolhido a dedo sabe o quanto a peça vale, do ponto de vista sentimental e financeiro. Mas a não ser que o objetivo seja passá-lo de geração em geração --tradição que, na maioria das famílias, já caiu em desuso-- o mais provável é que a peça acabe amarelando com o tempo, lá no fundo do armário.

arquivo pessoal
Sonaira com vestido assinado pelo estilista Bruno Muniz, de São Paulo imagem: arquivo pessoal
Pensando nisso, Sonaira Barbosa Mussi, 26 anos, de Paranaíba (MS), preferiu guardar as lembranças na memória, em fotos e vídeos do evento, e decidiu vender a peça. “Mesmo amando o vestido, era inviável ficar com um investimento tão alto parado. Além do valor comercial, tinha a questão prática: um vestido como o meu ocupava muito espaço e, ainda por cima, eu não o usaria novamente”, afirma a dentista. O primeiro passo, para desapegar, foi buscar lojas on-line que comercializassem vestidos de noiva usados. E foi nessa pesquisa que encontrou, no ano passado, o portal Usei Uma Vez. Cinco meses após fazer o anúncio, recuperou 60% do valor gasto na peça. “Paguei R$ 10 mil e vendi por R$ 6.000”, relata.

Com o mesmo propósito, Ana Lemos Tavares de Figueiredo, 26 anos, de São Paulo (SP), criou o site Usei Uma Vez, um ano antes, em 2013, para vender apenas o seu vestido. Como deu certo, ela resolveu levar a ideia adiante. “Comprei meu vestido em Nova York e investi US$ 12 mil nele. Depois do casamento, percebi que poderia recuperar parte do valor, desocupar espaço no armário e ainda fazer alguém se sentir tão feliz quanto eu me senti no dia em que me casei”, conta.

Arquivo pessoal
Ana se casou em um Elie Saab byPronovias imagem: Arquivo pessoal

Anunciar o vestido por um bom preço é fundamental para garantir a venda, conforme orientam as ex-noivas. “Apesar de ser seminovo, o valor deve ser convidativo. Eu sugiro anunciar pela metade do valor pago”, diz Ana que, dois meses após anunciar seu vestido, conseguiu reaver R$ 9.500 dos US$ 12 mil que pagou. “Na época, o valor foi o equivalente a menos da metade do que gastei. Mesmo assim, valeu a pena, tanto para mim quanto para quem comprou.”

Disponibilizar imagens com boa resolução da peça também facilita as negociações on-line. “As interessadas querem ver cada detalhe do vestido. E uma boa foto pode fazer toda a diferença na hora da venda”, diz Sonaira.

Como vender
Os procedimentos variam de acordo com as lojas on-line ou físicas. No site Casarei em Brasília, há uma área específica para a venda de vestidos seminovos. “A interessada em anunciar a peça não paga pelo serviço. Precisa apenas enviar duas fotos vestida de noiva, com uma breve descrição do vestido, informar o nome, a cidade em que reside, o valor que está pedindo e um e-mail para contato”, explica Lívia Oliveira, responsável pela página. As formas de pagamento e entrega da encomenda ficam a critério de cada anunciante.

Segundo a diretora de Planejamento da Enjoei.com, Juliana Perlingiere, 26 anos, no site de desapegos, as ex-noivas precisam fornecer apenas uma imagem do vestido com pequena descrição e preço. “O serviço é gratuito e, em até 72 horas, o produto estará disponível para compra”, declara. Nesse caso, 20% do valor da venda fica para o site. A entrega é feita pelos Correios pela própria vendedora, que é paga pelo portal sete dias após a compradora receber a encomenda.

Já o My Vintage Dress utiliza as redes apenas como meio de divulgação e contato entre as clientes. As compras e vendas precisam ser feitas presencialmente. “Para deixar os vestidos em consignação no ateliê, é preciso entrar em contato com uma das donas, que avaliará se a peça é compatível com o público da loja ou não”, explica a estilista Camila Rossi, 29 anos, sócia do espaço. Uma vez aprovada, a peça passa por uma segunda avaliação, que checará se ela está realmente em boas condições. “Durante esse processo, nenhuma taxa é cobrada da dona, mas ficamos com 50% do valor total da venda ou aluguel do vestido”, declara a estilista. O pagamento é feito via depósito bancário ou diretamente na loja, onde a noiva retira o vestido.

A loja da Ana, Usei Uma Vez, também não cobra pela publicação do anúncio, mas fica com 30% do valor negociado, se a peça for vendida. As interessadas em anunciar precisam informar ao site o tamanho, a cor, as medidas do busto e da cintura da peça, além da própria altura e a do salto que usou. “Selecionamos as peças com o intuito de manter um padrão diferenciado”, afirma a empresária. “Temos muitos vestidos de marcas internacionais como Vera Wang, Monique Lhuillier, Carolina Herrera, Elie Saab, Valentino e Oscar de la Renta; além de estilistas brasileiros conceituados, como Wanda Borges, Sandro Barros e Júnior Santaella, por exemplo”, relata.

Vender ou alugar?
Alugar o vestido também é uma opção. O grupo do Facebook Casarei em Brasília e a loja My Vintage Dress oferecem mais esse serviço.“Tanto no aluguel quanto na venda, a cliente muito provavelmente irá recuperar pelo menos 30% do valor que gastou no vestido. Porém, com a venda, o retorno poderá ser mais rápido”, afirma Camila. “Na teoria, a pessoa precisaria alugar pelo menos duas vezes o vestido para chegar a um valor próximo ao da venda”, explica a empresária. Por outro lado, o processo de locação pode levar menos tempo que o da venda.

De acordo com Juliana Perlingiere, do Enjoei.com, a manutenção e a logística do aluguel de um vestido não são tão vantajosas. “Acredito ser quase impossível alugar o mesmo vestido mais de quatro vezes, levando em conta o tecido, as lavagens e o risco de avarias”, afirma. “Sem contar que recém-casadas geralmente não possuem costureiras para fazerem ajustes a cada aluguel”, completa.

Arquivo pessoal
Ana se casou em um Elie Saab byPronovias imagem: Arquivo pessoal
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