Comportamento

17 dúvidas que todo mundo tem (ou já teve) sobre vibradores

Didi Cunha/Arte UOL
Há modelos de vibradores de todos os tamanhos, cores, formatos, texturas e funções imagem: Didi Cunha/Arte UOL

Priscila Rodrigues

Colaboração para o UOL, em São Paulo

Nas prateleiras dos sex shops e nos sites que comercializam produtos eróticos, a oferta é vasta. Há modelos de todos os tamanhos, cores, formatos, texturas e funções. Mas para obter o máximo prazer que um vibrador pode proporcionar, é importante não só conhecer direitinho como o aparelho funciona como saber o que ele é capaz de proporcionar à sua vida sexual.

A seguir veja respostas a 17 dúvidas sobre esse dispositivo.

Fontes: Ana Lúcia Cavalcanti, responsável pelo Ambulatório de Sexualidade e Climatério do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) e vice-presidente da Abrasex (Associação Brasileira dos Profissionais de Saúde, Educação e Terapia Sexual); Cristina Carneiro, especialista em ginecologia e obstetrícia pela Febrasgo (Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia); Eliane Said, CEO e representante na América Latina da Lelo, marca sueca de produtos eróticos de luxo; Paulo Tessarioli, psicólogo, terapeuta de casal e presidente da Abrasex, e Thais Plaza, pós-graduanda em terapia sexual na saúde e educação e coordenadora de eventos da Abrasex.
 

  • O uso com frequência faz perder a sensibilidade?

    Não, pelo contrário. O vibrador ajuda as pessoas --principalmente as mulheres-- a conhecerem melhor o próprio corpo e a descobrirem áreas mais sensíveis ao prazer. Isso ajuda, e muito, tanto na masturbação quanto na relação a dois.

  • Quais são os principais tipos?

    Em relação ao material, há versões feitas de silicone, que oferecem sensações realistas; de elastômero, duráveis, flexíveis e porosos; de "jelly" (espécie de gelatina), maleáveis e transparentes, mas de curta durabilidade; de "cyberskin", com textura parecida à da pele, e de materiais rígidos, como vidro, metal, látex, plástico ou acrílico. Quanto aos modelos, há para vários gostos e necessidades. Os "bullets", também chamados de balas, são pequenos, discretos e poderosos para seu tamanho. Há vibradores com estimulação clitoriana, à prova d'água, com acesso ao ponto G, outros que excitam o clitóris e a vagina ao mesmo tempo, alguns nos quais podem ser acoplados acessórios, indicados para a região anal etc. Os realísticos são os que mais imitam um pênis real com veias, curvas e alguns com escroto. Existem aparelhos com diferentes tipos de vibração e de intensidade. Há, inclusive, vibradores que brilham e que tocam músicas.

  • Há modelos exclusivos para homens?

    Sim, com curvatura especial para estimular a próstata e vibradores e plugues anais. Segundo especialistas, os homens heterossexuais costumam gostar bastante dos anéis penianos com vibrador, especialmente um que possui dois pontos de vibração, em cima, para estimular o clitóris da parceira, e a cápsula vibratória de baixo, que estimula a próstata. Outro vibrador usado por casais e que faz sucesso com o público masculino é o We-Vibe, que tem formato em U e vibra nas duas extremidades: uma estimula o clitóris e a outra é introduzida na vagina, permitindo que o homem penetre a parceira ao mesmo tempo. O homem também sente a vibração e ambos conseguem sentir prazer com esse "sex toy".

  • Quanto maior, melhor?

    Não. Um objeto pequeno pode ser muito eficiente e potente. O que importa no vibrador é a intensidade de vibração que o mesmo oferece e o material com que ele é feito.

  • O que levar em consideração ao escolher o primeiro?

    Depende dos desejos, da fantasia... No entanto, sempre é melhor ir a uma loja especializada, onde o vendedor poderá explicar como funciona cada objeto. No caso das mulheres, como a grande maioria só atinge o orgasmo se houver estimulação clitoriana, é melhor começar com um estimulador de clitóris em vez de investir em um vibrador penetrador. Mas nada impede começar com um modelo potente e realístico.

  • É preciso higienizar antes e depois de usar? Qual a maneira ideal?

    Sim. Sempre limpe o aparelho com sabão neutro e água morna, com o cuidado de evitar umidade no compartimento da bateria e nos controles. Se tiver uma capa removível, retire-a e lave a peça separadamente. Seque tudo usando um pano sem fiapos --nunca use toalhas de papel ou panos de algodão, pois esses podem deixar pedaços no vibrador. Caso você o tenha higienizado após o último uso e guardado em lugar limpo, envolto em um pano, pode usá-lo sem medo, mas, se ficou guardado muito tempo e sem o devido cuidado, é preciso limpá-lo antes de usar. Alguns sex shops vendem produtos de limpeza próprios.

  • Há algum risco se a pessoa não higienizar o aparelho?

    Sim, de contrair infecções, pois o vibrador pode estar contaminado com bactérias ou fungos.

  • Vibradores podem dar choque ou causar algum tipo de machucado?

    Atualmente os vibradores utilizam pilhas ou baterias cuja voltagem é muita baixa e, por essa razão, o risco de choque é muito raro. Além disso, são revestidos por borracha ou outros materiais do gênero. Machucados podem acontecer não por conta do vibrador em si, mas pela forma com que é utilizado --sem relaxar ou sem lubrificação, por exemplo.

  • Provocam alergia?

    Ninguém está livre de ter alergias. É importante observar a procedência do produto adquirido e se o mesmo possui algum tipo de comprovante que ateste sua qualidade, como registro da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Pessoas alérgicas à látex devem usar preferencialmente os vibradores de silicone.

  • Pode-se usar uma escova de dentes elétrica no lugar do vibrador?

    De jeito nenhum. Muitos são os riscos de se introduzir na região íntima objetos que não foram feitos para esse uso. Especialistas comentam que é comum receber no setor de emergência dos hospitais pacientes desesperados por conta de itens quebrados ou perdidos dentro do corpo. Se o interesse da pessoa é sentir a vibração por meio da introdução de objetos no ânus ou na vagina, o mais indicado são mesmo os produtos específicos comercializados por sex shops.

  • O uso de lubrificante torna a prática mais agradável?

    Com certeza. Menos fricção faz a experiência mais agradável e facilita a percepção corporal das sensações.

  • Há o risco de o vibrador ser sugado pela vagina ou pelo ânus?

    Pela vagina é mais difícil e menos grave, por ser uma região com "fundo cego", ou seja, é uma cavidade fechada, diferentemente do reto. O ideal é usar no ânus vibradores apropriados para essa área, pois costumam ter uma base de segurança mais larga, alça ou dispositivo que evita que sejam sugados para dentro do corpo.

  • Pode ser emprestado?

    Não, pois é um objeto íntimo e não deve ser compartilhado. Ao fazê-lo você corre o risco de adquirir DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) ou outra infecção qualquer. Caso o vibrador for utilizado por mais de uma pessoa, deve ser usado com preservativo.

  • Quando o uso de preservativo é recomendado?

    Se a pessoa quiser colocar o mesmo objeto no ânus e na vagina sequencialmente deve se proteger colocando camisinha no vibrador. Isso evita a transmissão de micro-organismos que habitam a flora anal para a vagina e vice-versa. Se o material usado para revestir o vibrador contiver ftalatos (os de "jelly", em geral, contêm), substâncias cancerígenas, também é recomendado o uso de preservativo. E adotá-lo aumenta a vida útil do brinquedo, o que, no entanto, não dispensa a higienização correta.

  • Pode dar mesmo prazer como em uma relação com uma pessoa real?

    Sim, claro! É importante lembrar que em toda a atividade sexual o corpo e principalmente a mente estão envolvidos. Na maioria dos casos, a relação sexual se inicia na mente.

  • Há benefícios à saúde?

    Ao explorar mais a própria sexualidade, cada um poderá entendê-la e partilhá-la melhor com o par, o que promove um relacionamento mais sadio e cúmplice. Outro benefício diz respeito à autoestima. Ao se conhecer mais e compreender como sente prazer, a pessoa passa a se gostar mais. E, segundo Mary Jane Minkin, professora obstétrica, ginecologista e de ciências reprodutivas da Universidade de Medicina de Yale, nos Estados Unidos, o uso frequente do vibrador aumenta o fluxo sanguíneo e a lubrificação da vagina, diminuindo a atrofia vaginal e outros sintomas típicos da menopausa. Ele pode ser também aliado a exercícios pélvicos --orientados por fisioterapeuta especializado-- para promover o fortalecimento muscular e a coordenação motora.

  • Em que circunstâncias a pessoa não deve usar?

    Quando há desconforto ou dor, infecção ou inflamação na região pélvica, é recomendável não utilizar vibrador e nenhum outro produto erótico. Se a pessoa tiver machucados na região anal, como hemorroidas, deve consultar um médico. E está vetado seu uso nos mesmos casos em que estão contraindicadas as relações sexuais na gestação: ameaça de aborto, placenta prévia (placenta baixa), trabalho de parto prematuro ou risco do mesmo e contrações frequentes.

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