Vida no trabalho

6 dicas para definir a pretensão salarial em tempos de crise econômica

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Não pega bem colocar uma pretensão salarial muito mais baixa no currículo só para chamar atenção do recrutador imagem: Getty Images

Do UOL

É comum as empresas pedirem aos candidatos a uma vaga que indiquem no currículo o quanto querem ganhar. São duas as razões para isso: elas precisam filtrar o alto número de pessoas interessadas na vaga e, quando não há um plano de cargos e salários, têm de definir a política salarial para o novo contratado.

“É também uma forma de poupar tempo e dinheiro. Se o valor informado pelo candidato não for compatível, a empresa nem vai chamá-lo para o processo seletivo”, diz o psicólogo e coach de carreira Silvio Custódio.

Mas os especialistas ouvidos pelo UOL são unânimes em afirmar: a informação só deve ser colocada no currículo quando houver uma exigência formal. Porque o melhor momento para falar sobre salário é durante a entrevista, quando há oportunidade de justificar e negociar o valor.

A seguir, consultores de carreira dão outras dicas para ajudá-lo a definir a quantia a ser pedida.

 

  • Utilize bons parâmetros

    O melhor dos cenários é quando a pretensão do candidato se aproxima da oferta salarial da empresa. Para chegar a esse equilíbrio, pesquise quanto o mercado paga: pergunte o salário de quem faz o mesmo que você e cheque as vagas na sua área e cidade. "Por outro lado, se você já tem uma base salarial estabelecida e não está disposto a abrir mão, é interessante passar essa informação logo no início do processo", diz Wagner Oliveira, especialista em educação corporativa e gestão empresarial.

  • Considere baixar o salário

    A medida é válida se o valor proposto for suficiente para preservar a sua motivação e produtividade. "Se no último emprego, o candidato construiu uma carreira e demonstrou qualidade, provavelmente, foi reconhecido por isso. Mas é preciso considerar que, na futura empresa, ele ainda terá de demonstrar seu valor", diz Oliveira. O que não pega bem é colocar uma pretensão salarial muito mais baixa no currículo só para chamar atenção do recrutador e depois subir o valor na hora da entrevista.

  • Não se deixe enganar com o argumento da crise

    De acordo com Silvio Custódio, o momento econômico atual não pode servir como desculpa para as empresas tirarem proveito dos profissionais, oferecendo salários muito abaixo dos praticados no mercado. "O que o candidato pode fazer é negociar prazos, aceitar um salário que será aumentado dali a três meses, por exemplo", diz. Só tenha em mente que, na crise, a média salarial efetivamente se reduz.

  • Analise as variáveis experiência e qualificação

    Entre um e outro, a experiência quase sempre será fator decisivo para estabelecer o salário de um profissional. "Quem tem pouca vivência não é um profissional sênior. Então, não adianta querer ganhar como tal, ainda que tenha uma excelente formação. O que consideramos é que o mundo acadêmico não é como o ambiente real de uma empresa", diz a psicóloga Tania Sanches, especialista em recursos humanos. Isso não significa se submeter a baixos salários, mesmo se estiver ingressando no mercado. "O importante é buscar valores condizentes com sua experiência real e com sua qualificação, que permitam que você viva bem e dê um gás para trabalhar e mostrar resultados. Daí, futuramente, poderá pleitear uma promoção ou aumento", fala Tania.

  • Saiba que o tipo de empresa faz diferença

    Empresas pagam de forma diferente, muito em função da estrutura que mantêm. "Prestadoras de serviços, por exemplo, gastam muito com folha de pagamento. Então qualquer aumento salarial interfere nos resultados. Já as indústrias possuem altos custos com investimento em maquinário, tecnologia e compra de matérias-primas, mas, geralmente, conseguem manter faixas salariais mais altas", declara o psicólogo Rodrigo Savio, especialista em gestão de pessoas. Leve esses aspectos em conta ao decidir em qual empresa quer trabalhar.

  • Lembre-se dos benefícios

    O salário oferecido pode não ser o sonhado, mas considere que a remuneração inclui também os benefícios. "Para a empresa, pode ser mais atrativo oferecer vale-transporte e vale-refeição do que acrescentar o valor no salário, até por conta dos encargos que são gerados", diz Wagner Oliveira.

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