Comportamento

9 ideias erradas que as pessoas têm sobre suicídio

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Questionar sobre ideias suicidas, se feito de modo sensato, faz com que a pessoa se sinta acolhida imagem: Getty Images

Thais Carvalho Diniz

Do UOL, em São Paulo

Você sabia que o suicídio é um problema de saúde pública que pode ser prevenido? Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), 90% dos casos poderiam ser evitados. Para tanto, o assunto precisa ser visto como responsabilidade da sociedade para que tabus sejam quebrados, como achar que falar a respeito incentiva a prática.

Ao contrário do que prega o senso comum, tratar o tema sem julgamentos pode dar chance de as pessoas em crise pedirem ajuda, uma vez que o grande desespero que as acomete também pode estar ligado à quebra de vínculo e de confiança com pessoas próximas.

A seguir, veja mitos e verdades sobre o comportamento suicida que podem ajudar na prevenção.

Consultoria: Karen Scavacini, psicoterapeuta, co-fundadora do Instituto Vita Alere e autora do livro “E Agora? Um Livro para Crianças Lidando com o Luto por Suicídio” (AllPrint Editora); Neury Botega, psiquiatra, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e autor do livro "Crise Suicida" (Artmet); CVV (Centro de Valorização da Vida) e Abeps (Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio).

  • Quem fala que vai se matar quer apenas chamar atenção

    A maioria dos suicidas fala ou dá sinais sobre ideias de morte. A regra geral é levar a sério ameaças suicidas e, ao mesmo tempo, não se sentir refém delas.

  • Falar publicamente sobre suicídio incentiva a prática

    Reportagens sensíveis e ponderadas sobre suicídio têm a capacidade de conscientizar a população sobre um problema que existe, mas sobre o qual pouco se fala. Então, é importante tratar de forma ética o tema para gerar conscientização a respeito.

  • Perguntar se uma pessoa pensa em suicídio pode incentivá-la

    Questionar sobre ideias suicidas, se feito de modo sensato, fortalece o vínculo com a pessoa, que passa a se sentir acolhida por alguém que se interessa pela extensão de seu sofrimento. Falar a respeito sem julgamentos pode ajudar alguém com potencial suicida.

  • Suicidas são egoístas e covardes

    No geral, as pessoas se matam para acabar com um sofrimento intenso, do qual não veem outra saída que não seja a morte. Trata-se, na grande maioria das vezes, de um ato de desespero, condição que reduz opções, vínculos com pessoas queridas e esperança no futuro.

  • O suicídio é hereditário

    Não há fatos científicos que provem que o suicídio seja hereditário. No entanto, uma história familiar de suicídio é um fator de risco importante, bem como a existência de tentativas anteriores. Isso pode ter relação com um luto inacabado na infância, um comportamento aprendido diante de situações limite ou a existência de um tabu familiar sobre o tema.

  • Quem tenta o suicídio sempre tem um distúrbio mental

    Estudos mostram que cerca de 90% das pessoas que se matam sofrem de algum transtorno mental. Por outro lado, a maioria das pessoas que sofrem de problemas do tipo não colocam fim à própria vida. Portanto, distúrbios mentais têm papel essencial na maioria dos casos, mas é a combinação com outras circunstâncias pessoais e ambientais que pode levar ao suicídio.

  • Quando o indivíduo sobrevive a uma tentativa, está fora de perigo

    O período após uma tentativa de suicídio é especialmente perigoso porque há maior possibilidade de a pessoa tentar de novo. No entanto, há indivíduos que, após tentarem suicídio, conseguem se reestruturar, se engajar em um acompanhamento psiquiátrico e/ou psicológico e aprendem a lidar com o sofrimento de outras formas, que não pela morte. No caso da depressão --estima-se que entre 35% e 50% das pessoas com comportamento suicida têm a doença--, o período inicial do tratamento também requer cuidado, já que a pessoa ainda está doente, mas volta a ter iniciativa, que pode levar ao ato suicida.

  • Suicídio é uma decisão individual, já que todos têm livre arbítrio

    As pessoas com comportamento suicida estão passando quase que invariavelmente por uma doença mental que altera, de forma radical, a sua percepção da realidade e seus vínculos, o que interfere em seu livre arbítrio.

  • Quem vai se matar não dá sinais

    Na maioria das vezes, os sinais existem. Ocorre que, infelizmente, nem sempre as pessoas ao redor do suicida conseguem interpretá-los ou mesmo valorizá-los. Porém, não é justo se culpar por um suicídio. Alguns deles podem ser evitados, mas não todos. Muitas vezes, os indícios só fazem sentido após a morte. Na dúvida, tente sempre abordar o assunto ---sem julgamentos-- e aja.

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