Sexo

Brochar é normal: o que fazer para deixar a situação menos constrangedora

Getty Images
Não tente estimular o parceiro que brochou a todo custo; a atitude só tende a piorar a situação imagem: Getty Images

Andrezza Czech

Colaboradora do UOL, em São Paulo

Mais cedo ou mais tarde, todo homem irá brochar. “Pelo menos uma vez na vida, isso irá acontecer. No caso de quem está acima dos 40 anos, há uma série de fatores que podem impedir a ereção, como diabetes e pressão alta, e em todas as idades há fatores psicológicos, como estresse, insegurança, ansiedade”, diz a psicóloga e sexóloga Carla Cecarello, mestre em ciências da saúde pela Unifesp e fundadora da ABS (Associação Brasileira de Sexualidade), instituição que realiza pesquisas sobre o tema.

Mas saber disso não torna a falha de ereção menos constrangedora para o casal. Segundo Carla, a tensão que costuma seguir essa situação acontece porque há uma pressão social muito grande para que o homem sempre esteja disposto para transar.

“O sexo torna-se algo tenso e não prazeroso. Essa cobrança é metade do caminho para brochar”, diz a psicóloga e terapeuta sexual Maria Cristina Romualdo Galati, mestre em ciências da saúde pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Diante de uma situação como essa, qualquer frase errada pode piorar tudo. Por isso, veja atitudes que podem ajudar a amenizar o constrangimento e, quem sabe, até podem ser a saída para recuperar o clima.

Para quem brochou

  • Não diga "isso nunca aconteceu antes"

    Para Carla Cecarello, o homem jamais deve dizer essa frase clichê. "Vai soar como uma grande mentira e fazer com que a outra pessoa se sinta muito mal, como se ela fosse péssima no sexo. Isso vai azedar o clima mesmo", diz.

  • Entenda o motivo

    Segundo Maria Cristina, o homem precisa entender o que é a falha de ereção, assim ele poderá identificar qual foi a dificuldade e como agir para não tornar a situação mais constrangedora do que já é. "Se ele brochou por conta do efeito do álcool, por exemplo, não há muito a fazer além de descansar, dormir e tentar mais tarde. Depois de uma certa dose, a bebida deprime o sistema neurológico e ter ereção é algo complicado."

  • Não faça drama

    Para a psicóloga e terapeuta sexual Ana Canosa, o homem não deve dramatizar a situação, como se tudo estivesse perdido. "Se ele ficou triste com a situação, tudo bem, mas não pode entrar em desespero", afirma Carla. Maria Cristina lembra ainda que não há necessidade de pensar que há algo errado com você. "Não é o começo do fim. Se não é algo frequente, não há necessidade de se preocupar e muito menos de procurar um médico", diz Maria Cristina.

  • Dê um tempo

    Por mais complicado que seja para o homem tornar o momento da brochada algo natural, é preciso respirar fundo. Para Maria Cristina, o ideal é sair da cama e evitar continuar no quarto, para não criar expectativas nem aumentar a pressão. "Abraçar a outra pessoa e dar um beijo, mantendo os corpos juntos, com carinhos suaves nas costas, cabelos e braços pode ser suficiente para desanuviar a tensão", diz Ana.

  • Concentre-se nos carinhos

    Para Maria Cristina, a melhor coisa que o homem pode fazer nesse momento é se concentrar nos beijos e carinhos que ele recebe. "Ele precisa se esquecer do pênis e se concentrar no beijo, no cheiro ou em algo que o estimule. À medida que ele for relaxando, a ereção vai voltar também", fala.

  • Estimule a outra pessoa

    Desviar a atenção da brochada e concentrar suas energias no prazer da outra pessoa pode ser o segredo para sair dessa situação constrangedora e dar a volta por cima. "Ele pode fazer sexo oral ou masturbar a parceira. Focando no prazer dela, ele relaxa e, se isso for estimulante para ele, ainda volta a ter ereção", afirma Maria Cristina.

Para quem presenciou a brochada

  • Não faça perguntas

    "Sabendo que a situação costuma deixar os homens envergonhados, não acho legal ficar fazendo uma investigação sobre o que aconteceu, menos ainda suspirar, bufar e arregalar os olhos", diz Ana. Para Maria Cristina, cabe a quem presenciou esse momento apenas ficar atento. "O homem costuma querer se recolher e não falar sobre o assunto. O melhor é não chamar atenção para o ocorrido", afirma. Se for um relacionamento sério e houver mesmo a necessidade de falar, Carla aconselha que isso seja feito só depois --e nunca na cama. "Depois, se houver espaço, pode-se perguntar se ele gostaria de falar sobre o assunto."

  • Não tenha dó

    Em hipótese alguma, quem foi a "vítima" da brochada deve fazer o parceiro se sentir inferiorizado. "Não pode ter pena e fazer com que ele se sinta um coitadinho. O melhor a fazer é ter a atitude acolhedora de ficar ao lado dele", diz Carla.

  • Não console com palavras

    Não adianta tentar encontrar palavras para consolar o parceiro. O melhor a fazer é mostrar apoio em silêncio. "Você pode ter uma atitude não verbal. Encostar-se nele, ficar mais perto e aguardar o que acontecerá. É um momento em que não há muito o que dizer", afirma Carla.

  • Não tente estimulá-lo a qualquer custo

    Na ansiedade de querer reverter a situação, é comum que haja a tentativa de estimular o parceiro para que ele volte a ter a ereção e com isso o clima pode até piorar. "É um erro comum começar a fazer sexo oral ou masturbar o par com certa agressividade. Torna-se uma estimulação fria, e não prazerosa, e assim ele não terá ereção mesmo", declara Maria Cristina.

  • Deixe que ele guie a situação

    Nada melhor do que deixar quem falhou decidir como quer proceder. Se ele desejar parar, é preciso respeitar o momento. "Já se ele continuar junto, vale beijar e fazer carícias com um toque leve e relaxado, e só depois de um bom tempo chegar ao pênis, para não criar mais pressão", fala Maria Cristina.

  • Sugira uma massagem ou um banho juntos

    Uma boa saída para acabar com o clima tenso é perguntar para o parceiro se ele não gostaria de uma massagem ou um banho. Com o relaxamento, as chances de dar a volta por cima são maiores. "Sair desse constrangimento e criar uma situação mais erótica, com uma atitude mais tranquila pode ajudar muito", afirma Carla.

Topo