Equilíbrio

Feminismo não é o machismo das mulheres; entenda o movimento em 7 questões

Didi Cunha/Arte UOL
"O machismo é uma camisa de força e limita as escolhas e as oportunidades, tanto dos homens quanto das mulheres" imagem: Didi Cunha/Arte UOL

Thais Carvalho Diniz

Do UOL, em São Paulo

Algumas pessoas ainda confundem e enxergam o feminismo como um "machismo das mulheres". Segundo as ativistas, o movimento existe para mudar a realidade opressora que cada mulher vive --muitas vezes silenciosamente. E não oprimir o sexo masculino, o que acaba sendo o motor do machismo.

Para entender melhor o feminismo, o UOL fez uma lista com sete questões para esclarecer que a corrente de pensamento não é contrária aos homens, à família ou à maternidade, mas simplesmente busca a igualdade de gênero. Veja a seguir.

  • Por que o feminismo não é uma versão feminina do machismo?

    De acordo com Amana Mattos, professora de psicologia da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e pesquisadora do Degenera (Núcleo de Pesquisa e Desconstrução de Gêneros), o feminismo é uma luta contra o machismo, e não o seu oposto. "O machismo pauta as relações de maneira que determinadas minorias --em especial as mulheres, mas também homens que não se adequam aos ideais machistas de masculinidade, como é o caso de gays e homens trans-- sejam oprimidas cotidianamente. Já o feminismo luta para acabar com as opressões e a desigualdade de gênero."

  • O feminismo quer oprimir os homens?

    Amelinha Teles, diretora da ONG União de Mulheres de São Paulo, afirma que essa máxima é falsa e propagada pelos próprios machistas. "Pelo contrário, as feministas lutam pelos direitos da sociedade como um todo. Entendemos que não adianta termos os nossos direitos e tirarmos os dos outros." Para provar sua afirmação, Amelinha cita o apoio do movimento à licença-paternidade. "Não queremos o poder dos homens, o empoderamento é para todos. As feministas falam que temos o direito de chegar ao poder --social e político--, mas não excluímos o direito do sexo masculino."

  • E o que significa "feminazi" então?

    As ativistas explicam que "feminazi" é um termo que demonstra uma ignorância estratégica para maldizer as lutas feministas. "Os machistas nos chamam assim para desqualificar a nossa luta, dizer que somos histéricas e que estamos impondo nossa opinião. Dessa forma, tentam ridicularizar nossos objetivos", declara Lola Aronovich, professora do Departamento de Letras Estrangeiras da UFC (Universidade Federal do Ceará).

  • Feministas são contra relações heterossexuais e a maternidade?

    A blogueira feminista Lola conta que já ouviu todo tipo de estereotipagem sobre as ativistas: não se depilam; são lésbicas; odeiam os homens porque queriam ser como eles e têm inveja do pênis, entre outros absurdos. Entretanto, Lola, que é casada com um homem há 25 anos, afirma que nada disso é verdade. "O feminismo é plural e existe para diferentes causas. Existem ativistas maternas, raciais.... Ser dona de casa, casada e mãe não impede a mulher de ser feminista. Lutamos contra a obrigatoriedade de ser mãe e casada e para aquelas que não são nenhuma dessas duas coisas não sejam excluídas. Acreditamos que a mulher tem o direito de escolher o que quer para a própria vida, além das imposições machistas que ainda sobrevivem na sociedade patriarcal."

  • O feminismo também é para os homens?

    Sim, o movimento quer também acabar com o "pedágio" pelo qual os homens são obrigados a passar durante toda a vida em consequência da sociedade machista. "O machismo cobra o modelo machão, que não chora, não pode manifestar emoções, abraçar um amigo. O machismo é uma camisa de força e limita as escolhas e as oportunidades, tanto dos homens quanto das mulheres", declara Lola.

  • Quais as lutas do feminismo?

    Em linhas gerais, o feminismo enfrenta a discriminação histórica contra as mulheres, que nega a mulher como indivíduo em diferentes frentes sociais. O feminismo luta contra essa realidade a fim de promover o protagonismo das mulheres em defesa dos direitos básicos, como o de terem autonomia e poder de decisão sobre o próprio corpo, cidadania e sexualidade. Porém, o plural da palavra --feminismos-- é mais sabidamente utilizado pelas ativistas por se tratar de uma luta contra todas as opressões, não só a de gênero. Por isso, você não pode se dizer feminista e ser racista ou homofóbica.

  • Como o feminismo vê a violência contra a mulher?

    O feminismo deseja que o feminicídio acabe e que as mulheres deixem de ser alvo de agressões nas redes sociais. A ONU (Organização das Nações Unidas) estima que 95% de todos os comportamentos agressivos e difamadores na internet tenham mulheres como alvo. O movimento quer que elas possam andar na rua e ter relacionamentos sem medo de serem atacadas. A feminista Lola Aronovich, por exemplo, já sofreu ameaças de morte por ter um blog que defende a causa. Entretanto é otimista e diz acreditar que ainda pode demorar, mas que o feminismo se tornará obsoleto. "Acho que, em geral, o que vemos na internet não reflete de fato a realidade. Os comentários realmente são terríveis, mas acredito que existem grupos organizados para espalhar visões sexistas e isso dá a impressão de que o mundo é machista."

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