Vida no trabalho

Nada de mandar e-mail com textão ou chorar; o que não fazer ao ser demitido

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Se não conseguir segurar o choro, respire e retome o controle o mais rapidamente possível imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

Assim como é bom se preparar para um processo seletivo, é bom ter repertório para lidar com uma possível demissão. A seguir, atitudes que não devem ser adotadas durante o desligamento.

  • Chorar ou rir

    Chorar após a notícia do desligamento, ou mesmo na hora de recolher os pertences pessoais da mesa de trabalho, é uma reação comum. "Se conseguir evitar, é melhor, para não se expor tanto frente aos demais", afirma Andrea Leite, coordenadora do curso de gestão de recursos humanos da Umesp (Universidade Metodista de São Paulo). Porém, se não for possível segurar, respire lentamente e retome o controle da situação. Da mesma forma, se a vontade de rir for incontrolável, tente, ao menos, deixar claro que essa é a forma como você se expressa quando fica muito nervoso, para não causar mal-entendidos.

  • Ficar apático e parar de interagir com o gestor

    Isso acontece quando a pessoa é pega completamente de surpresa e não sabe como reagir. No entanto, se continuar sem ação até o final da conversa, você perderá a oportunidade de entender o ocorrido e poderá sair da empresa sem as respostas de que precisa. "Solicite cinco minutos para ir ao banheiro: caminhe, lave o rosto, tome água e respire. Só então busque as informações necessárias. Sem elas, você não saberá o que deve aprimorar", diz Andréa Deis, coach e gestora empresarial pela Fundação Getúlio Vargas.

  • Demonstrar que está feliz (ainda que esteja realmente)

    Ao ser demitido, aparentar alegria ou euforia está fora de cogitação, ainda que a situação tenha sido desejada. "Contenha-se em respeito à pessoa que está na sua frente, fazendo a demissão. Se for algo que você já previa, receba a notícia rapidamente, agradeça e focalize nos próximos passos", declara Agnelson Correali, coach executivo de carreiras e psicólogo da DCR Consultoria em Recursos Humanos.

  • Ir à forra com o ex-chefe

    Ao reagir com agressividade, você perde a razão e a oportunidade de uma indicação para futuros empregos. Além disso, corre o risco de ser demitido por justa causa. "Se ficou com raiva, agradeça e saia. Não dê oportunidade para a agressão", afirma Andréa Leite. E se não conseguir se conter, mostre-se ao menos arrependido quando a poeira baixar. "Escreva um e-mail retratando-se de forma oficial, dizendo que a emoção se sobressaiu à razão e que você lamenta o ocorrido", diz Andréa Deis.

  • Cobrar explicações

    Em situações ideais, as empresas indicam o motivo do desligamento, que já deve ser esperado pelo funcionário, por conta dos feedbacks que vem recebendo do gestor. "Na maior parte dos casos, a demissão não deveria ser uma surpresa", afirma Agnelson Correali. Porém, se o gestor não se posicionar de forma clara, pode-se perguntar sem medo sobre as razões do desligamento, mesmo se a justificativa da empresa for um corte por causa da crise. O que não significa pressionar o gestor ou se colocar na situação de vítima. "Prefira perguntar qual foi o critério usado ou os fatores que levaram ao desfecho, em vez de dizer 'mas por que eu'?", diz Correali.

  • Justificar-se

    Faça isso apenas se o gestor abrir espaço para os seus comentários no momento da demissão. "Essa seria a deixa para dizer o que a empresa deixou de cumprir enquanto organização", fala Andréa Leite. Porém, se não houver esse pedido expresso, limite-se a ouvir e a refletir. "Não se justifique nem se absolva, apenas escute com atenção. Certamente, algum ponto levantado por ele irá contribuir com você em sua nova fase", afirma Andrea Deis.

  • Pedir ajuda para se recolocar

    Se foi um desligamento saudável e você tem um bom relacionamento com a companhia, pode até contar com a ajuda dos ex-colegas para buscar um novo emprego, mas é importante que a iniciativa parta deles. "Um ponto fundamental é saber qual é a política da empresa. Mesmo se for permitido, o melhor é voltar para casa e pedir ajuda como pessoa física. E tenha em mente que os ex-colegas só vão ajudar se quiserem, não têm obrigação de fazer isso", diz Agnelson Correali.

  • Mandar e-mail de despedida

    Resista à ideia de mandar um e-mail afetuoso usando o correio eletrônico da empresa ou, pior, de tentar contar ?a sua versão dos fatos? nesse último contato. Melhor que isso é mandar um e-mail da sua conta pessoal aos ex-colegas, explicando que foi desligado da empresa, desejando sucesso a todos e deixando alguns contatos. Na dúvida, pergunte ao gestor como deve proceder, para seguir a regra de conduta da organização e não gerar desconfortos. "Lembre-se que a empresa ainda está no comando e que você deve respeitar o padrão seguido por ela", afirma Andrea Deis.

  • Não questionar sobre os próximos passos

    No ato da demissão, a empresa já vai lhe informar tudo o que precisará fazer para finalizar o processo de desligamento: se será necessário cumprir aviso prévio ou não, como e em quanto tempo vai receber seu dinheiro, se será feito exame demissional, entre outras questões práticas. Porém, se restarem dúvidas, não deixe que a emoção o impeça de questionar. "No ato da demissão, é importante entender o cenário e chegar a um consenso com o empregador, para finalizar o processo da melhor maneira possível", afirma Andrea Deis.

  • Retornar à empresa depois do desligamento

    Se a empresa pedir que cumpra aviso prévio, você pode até se oferecer para treinar alguém ou para finalizar projetos que estão em andamento. Porém, se o aviso prévio for indenizado, vá embora e não volte mais, a não ser para tratar de questões burocráticas, que serão resolvidas diretamente com o departamento de recursos humanos. "Se a empresa precisar do seu apoio, ela dirá. Não vale a pena expor-se sem necessidade. Pense que a demissão é apenas o início de uma nova fase e não anula suas competências e conhecimentos", diz Andréa Deis.

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