Equilíbrio

Brasil cai 9 posições em ranking de igualdade de gênero

Agência Brasil
Mulheres protestam por direitos no Rio de Janeiro imagem: Agência Brasil

O Brasil caiu nove posições em um ranking de igualdade de gênero divulgado pelo "Fórum Econômico Mundial", grupo conhecido pelas reuniões que realiza em Davos.

O país aparece agora na 71ª colocação na lista. Em 2013, ocupava a 62ª posição.

A organização avaliou as diferenças entre homens e mulheres na saúde, educação, economia e indicadores políticos em 142 países.

A Islândia ocupa o topo do ranking, seguida por outros países nórdicos.

Apesar de ter mantido a igualdade entre homens e mulheres nas áreas de saúde e educação, o Brasil perdeu posições nos índices que medem participação feminina na economia e na política.

A maior queda ocorreu na avaliação que considera salários, participação e liderança feminina no mercado de trabalho.

Neste índice, a pontuação do Brasil caiu de 0,656 para 0,649 - quanto maior perto de 1, maior a igualdade entre os gêneros. A nota zero indica desigualdade total.

O Brasil foi da 74ª para a 81ª posição nesta lista. Segundo o relatório, houve uma "ligeira queda na igualdade salarial e renda média estimada" para mulheres no Brasil.

Apesar de estar em uma colocação pior, a nota individual do Brasil evoluiu desde que o índice começou a ser divulgado. Em 2006, a nota do país era 0,604.

Política

Outro índice que fez o Brasil perdeu posições no ranking foi o de "empoderamento" político das mulheres.

O quesito contabiliza mulheres no Congresso, em posições ministeriais e na chefia de Estado.

Neste índice, o Brasil perdeu colocações na comparação com outros países, apesar de ter melhorado sua nota individual.

A nota brasileira foi de 0,144 para 0,148. Porém, como outros países evoluíram mais, o país passou da 68ª para 74ª posição no ranking.

A curva de participação feminina na política brasileira mostra uma nítida ascensão desde a chegada da presidente Dilma Rousseff à Presidência, em 2011. Ela foi a primeira mulher a governar o país.

Em educação o Brasil atingiu a nota 1, o que significa que não há desigualdade entre homens e mulheres. A eliminação nas desigualdades na educação vem desde 2012. Na saúde, o país pontua 0,98 - o que o coloca em 1º lugar, empatado com outros países- desde o início da divulgação do ranking, em 2006.

O relatório destaca que o Brasil conseguiu fechar 70% da lacuna entre os gêneros.

"A queda do Brasil em nove colocações, ficando em 71º, aconteceu mesmo tendo fechado com sucesso ambas as lacunas entre gêneros no nível educacional e de saúde e sobrevivência. Sua prioridade agora deve ser de garantir retornos em seus investimentos através do aumento da participação feminina na área de trabalho", diz o relatório.

Poucos avanços

As cinco primeiras posições do ranking são ocupadas por países nórdicos.

Em 6º lugar, aparece a Nicarágua, o país mais bem colocado da América Latina há três anos.

Logo depois, em 7º, aparece Ruanda. Segundo o relatório, o país tem "grande pontuação em termos de participação econômica e política".

Entre os países dos BRICS, a África do Sul é a mais bem colocada (18º), "devido à forte participação política". Depois do Brasil aparecem Rússia (75º), China (87º) e Índia (114º).

O documento do Fórum Econômico Mundial destaca que os avanços em todo o mundo foram pequenos. A brecha entre homens e mulheres ainda está em 60%, e em 2006 era de 56%. Nesse ritmo, levará 81 anos para o mundo fechar essa brecha completamente.

Entre os dias 27 e 29 de outubro, a BBC promove o debate "100 Women", que reúne 100 mulheres que tiveram destaque em suas áreas. O projeto traz uma séries de reportagens mostrando a vida de diferentes mulheres pelo mundo. Participe do debate no Facebook e no Twitter usando a hashtag #100Women.

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