Comportamento

A invenção americana que revolucionou a paquera na Inglaterra vitoriana

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Patinando em 1882, 1912 e 1926... imagem: Getty Images

Justin Parkinson

Da BBC News

Andar de patins é um hobby antigo, uma chance de unir exercício físico a um bom passeio ao ar livre. O que poucos sabem é que a patinação ganhou popularidade devido ao desejo de mais liberdade para romances.

Todo mundo sabe que levar uma potencial sogra para um encontro romântico é uma má ideia.

Mas era exatamente isso o que acontecia com membros das classes altas e médias inglesas na época vitoriana. Quase todos os programas românticos juvenis, como bailes e reuniões, eram monitorados pelos mais velhos.

Havia poucas formas de se livrar disso até que, em 1863, o inventor americano James Leonard Plimpton patenteou um patins de quatro rodas que fazia curvas.

Patins já existiam havia cerca de cem anos, mas era difícil andar: para fazer a curva, era preciso tirar os pés do chão e virar. Com a invenção de Plimpton, os patinadores conseguiam mover-se facilmente em círculo.

Sabendo das possibilidades comerciais, Plimpton abriu os primeiros rinques de patinação em Nova York e Rhode Island. Os rinques, oferecidos como forma de lazer para toda a família e, ao mesmo tempo, uma atividade saudável, cresceram em popularidade.

Em meados da década de 1870, a moda de patinação havia chegado à Grã-Bretanha - em determinado momento, havia 50 rinques de patinação em Londres. A imprensa apelidou o fenômeno de "rinkomania" (de rinque), mas não era apenas o fato de ser um exercício saudável que atraia os jovens.

"A pista de patinação é o campo neutro onde os dois sexos podem se encontrar sem toda a pompa e circunstância da sociedade", relatou o jornal da Austrália Port Macquarie News.

"A pista não conhece a 'Mãe Grundy' --um termo da época para matriarca rígida--, com seus olhos de águia e língua afiada, porque a 'Mãe Grundy' não se atreve a patinar, e assim o patinador é mais feliz do que o cavaleiro cantado por Horácio."
Dar as mãos e trocar palavras doces se tornaram mais fáceis sem a 'Mãe Grundy' e sua marcação. O contato visual prolongado com um pretendente substituiu trocas furtivas de olhares.

Em 1876, a revista Punch cogitou de forma irônica que o Royal Albert Hall de Londres, local para exibição de belas artes cujo nome é uma homenagem ao falecido marido da rainha Vitória, poderia virar um rinque.

Um cartum no Illustrated Sporting and Dramatic News em março daquele ano brincou: "Se queres ser meu namorado, aprenda a brilhar nos patins de Plimpton". O compositor Edward Hoffman criou uma peça chamada Rinkomania Grand Promenade March.

A "Carta da Senhora" da coluna de Londres no California Mail noticiou que a 'rinkomania' estava "se espalhando com uma rapidez extraordinária, e em breve todo o espaço disponível estará ameaçado de ser convertido em uma planície asfaltada, em que homens e donzelas ... podem girar e girar sobre rodas, vestidos com chapéus de rinque e as últimas modas da patinação".

Na verdade, a roupa usada tinha relação com a formalidade da época. Com a mania de patinação no gelo nos EUA, cresceu o uso de roupas mais apertadas, mais convenientes. Esta moda dos rinques de patinação no gelo foi transferida para a versão de rodas.

Não era o mesmo tipo de revolução sexual que a Grã-Bretanha e grande parte do mundo ocidental experimentaria quase um século mais tarde, com o advento do "amor livre", das mini-saias e da pílula, mas pelo menos ela oferecia um pouco mais de liberdade.



"Se um jovem possui partes boas elas não brilham mais nas arenas de rodas; se uma donzela é graciosa, sua graça não torna-se ainda mais charmosa reforçada pela poesia do movimento?" questionou o Port Macquarie News.

"Acima de tudo, a patinação não se recomenda para além de todos os outros passatempos, na medida em que até mesmo o primeiro esforço bruto para encontrar um equilíbrio, para não dizer uma atitude, é auxiliado no caso de o sexo frágil ter o apoio gentil e respeitoso, mas firme e suficiente, de algum cavaleiro qualificado, cuja assistência oportuna e os conselhos experientes suavizam a áspera - não, isso não é suficiente - tornam menos glacial o caminho escorregadio".

Um caminho menos glacial era tudo que queriam os cavalheiros de meados para o final da era vitoriana. Mas patinação tornou-se menos popular na década de 1890, com muitas pistas, construídas às pressas, no auge da mania, fechando.

Em seu livro de 1897 Transformações Sociais da Era Vitoriana, Thomas Hay Sweet Escott olha com carinho para a década de 1870, quando ele era um jovem. Ele conta que a classe média tinha "contornado os problemas, e isso chama-se patinação".

Muitos encontros entre homens e mulheres tinham sido "provavelmente inocentes. E muitas vezes terminaram em um casamento feliz. Mas não sem um choque para o senso de decoro maternal da matrona inglesa de ideias antiquadas, que viu ou ouviu falar da sua filha sendo girada nos braços de jovens para os quais haviam acabado de ser apresentadas, ou nem isso".

É algo que as pessoas jovens de hoje não valorizam mas, na época, foi verdadeiramente revolucionário.

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