Comportamento

Estudantes criam mapa para combater cantadas na Argentina

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Estudantes de criatividade digital de Buenos Aires criaram o "mapa da cantada" imagem: Hablamebien

Marcia Carmo De Buenos Aires para a BBC Brasil

Um grupo de estudantes de criatividade digital criou um mapa virtual para denunciar os locais de Buenos Aires onde as mulheres são vítimas de assédio sexual.

O mapa, intitulado $!$render-component.split('/')[$math.sub($render-component.split('/').size(), 1)]
Carolina conta que recentemente caminhava perto de casa quando passou por uma obra e foi alvo de assobios.

"Como não olhei para trás e continuei andando, me jogaram cimento do alto da construção. Eu não pude ver quem era, mas procurei o arquiteto da obra e contei o que aconteceu", diz.

Segundo ela, o arquiteto afirmou que demitiria os envolvidos. "Não cheguei a ver o rosto da pessoa. Eu me senti agredida", afirma.

"Os homens acham que tem liberdade de dizer o que querem. Acho isso um absurdo", critica.

Alerta

Os estudantes afirmam que o objetivo do mapa virtual é "alertar" sobre o problema das cantadas agressivas e do assédio sexual.

Eles recebem as denúncias das vítimas por meio de mensagens que são selecionadas e publicadas no Twitter e no site "Hablame Bien". Em seguida, marcam no mapa o local aproximado dos incidentes.

O projeto se assemelha ao brasileiro "Chega de Fiu Fiu", do site Think Olga, que também mapeia cantadas e violência contra mulheres em locais públicos.

"Algumas denúncias chegam a ser absurdas. Uma mulher contou que foi perseguida por um carro da polícia [com policiais que a cantavam]. Outras disseram que não se sentem à vontade com certas roupas porque levam cantadas, como se não pudessem escolher o que podem usar", afirmou Carolina.

No Twitter, o grupo alerta as seguidoras para que "tenham cuidado" em certos locais, citando mensagens enviadas pelas vítimas da agressão verbal.

"Se você vai caminhando pelas ruas Guemes e Beriso, cuidado porque alguém pode gritar: "Las agarro y las mato" [‘Agarro vocês e mato’]", diz o tuíte.

Em outro post, os estudantes reproduzem o que ouviram de uma usuária: "Mamita donde vás tan apurada, vení para cá" [Mãezinha, aonde você vai com tanta pressa, vem aqui"].

Diego Rubio, diretor do curso digital da escola Underground Argentina, onde o grupo estuda, diz que a proposta era que os alunos "usassem as ferramentas disponíveis para construir algo que fosse além da sala de aula".

Os estudantes participaram de programas de televisão e foram notícia nos principais jornais e sites de notícias da Argentina.
"Jamais imaginaríamos essa repercussão toda", afirma Rubio.

O professor diz que ele e os alunos, ao desenvolverem o projeto, concluíram que a agressividade verbal nas ruas não é um fato isolado.

"O principal objetivo do mapa virtual é que as pessoas visualizem essa realidade. Que fique claro que alguns ‘piropos’ [cantadas] que vemos agora no site 'Hablame Bien' dão até medo", diz o professor.

Segundo a imprensa local, existem três projetos de lei na Argentina que preveem multas de até mil pesos (R$ 340) para os autores de cantadas agressivas ou assédio sexual.

Neste ano, o Congresso do Peru aprovou uma lei para prevenir e punir "os 'piropos' e o assédio sexual nos espaços públicos" que "afetem a dignidade, a liberdade e o livre trânsito e integridade física e moral de crianças, adolescentes e mulheres".

Segundo a imprensa peruana, cada região deverá definir quais sanções devem ser aplicadas aos infratores.

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