Comportamento

"Meu nome é Lilia Rodríguez...e não tenho Aids"

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Lilia pede a todos que tenham cuidado ao compartilhar informações nas redes sociais imagem: Reprodução

Gabriela Torres da BBC Mundo

Durante os últimos três meses, a mexicana Lilia Rodríguez, 19 anos, recebeu no Facebook mensagens e comentários de pessoas que a insultavam por algo que ela garante não ter feito.

Rodríguez ficou conhecida como a mulher que tem Aids e dormiu com um homem casado para "dar a ele uma lição" por ser infiel.

Seu desespero foi tão grande que, no início deste mês, ela decidiu contar sua história em um vídeo: "Meu nome é Lilia Rodríguez... e não tenho Aids".

O vídeo pede a todos que tenham cuidado ao compartilhar informações nas redes sociais, pois elas podem destruir a vida das pessoas.

"Umas garotas que estavam bravas comigo criaram um Facebook falso com meu nome e minha foto de perfil, além de uma conversa com um amigo em que diziam que eu teria tido relações com ele e o contaminado com Aids", diz no vídeo, que tem até o momento mais de 257 mil visualizações.

Segundo ela, o desentendimento ocorreu por uma disputa sobre a administração de um grupo no Facebook sobre a cidade de Leon, no Estado de Guanajuato, no México.

Quando a história começou a circular, Rodríguez viu aumentar o número de seguidores em sua conta na rede social. Sua primeira reação foi responder aqueles que enviaram comentários maldosos, mas isso só alimentou o debate. Ela trocou seu nome no perfil do Facebook e achou que a polêmica terminaria ali.

Mas, no início deste mês, quando voltou a colocar seu nome verdadeiro, deu-se conta de que, além de não desaparecer, a história da mulher que havia contaminado um homem com HIV havia se espalhado até por outros países. "Começaram a chegar mensagens de Porto Rico, Paraguai e da Venezuela", conta.

Ela tentou denunciar o caso à Promotoria "mas me disseram que era muito difícil provar". Ela ouviu que o caso era uma disputa entre particulares e não conseguiu fazer a denúncia.

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Lenda urbana

Stephany Capetillo é advogada e blogueira. Quando soube da história de Rodríguez, quis ajudá-la.

Capetillo tem uma aluna que sofreu uma agressão parecida e, há um ano e meio, sofre de depressão, "não tem trabalho porque, nas entrevistas, as pessoas veem a história que aparece nas redes sociais".

A advogada, que trabalha no Tribunal de Apelações de Yucatán, explica que o problema que Rodriguez tem agora é que, no México, para que haja um processo, a Promotoria tem de aceitar a denúncia. "E, como não aceitaram, por se tratar de uma conta falsa que já foi eliminada, não há um processo e portanto não pode ser investigado."

A história de Rodríguez emula a lenda urbana que começou nos anos 1980 que fala de uma mulher que dorme com homens e, no dia seguinte, escreve dizendo "bem-vindo ao clube da Aids".

"Não sei onde vai acabar"

Lilia diz que, depois de publicar o vídeo, muitos pediram desculpas e apagaram o post inicial onde ela aparece.

No entanto, a história segue circulando. Rodríguez disse se sentir nervosa. "Não sei onde isso vai acabar."

"Ainda me mostro forte, mas não é fácil. Não posso sair na rua porque começam a me dizer uma série de coisas", conta. "E ainda que eu tenha dito que não tenho Aids, muitos me desprezam e me olham feio porque acreditam que dormi com um homem casado."

Rodríguez fez até teste para mostrar que não tem HIV. Várias vezes, conta, pensou em tornar públicos os resultados, mas a advogada a aconselhou a não fazer isso.

Essa é a versão da história de Rodríguez. A BBC Mundo não conseguiu contato com o homem que participou da suposta vingança e cujo nome aparece no chat que se tornou viral.

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