Comportamento

Namoro sem glúten: os sites de encontros que atendem necessidades específicas

Arquivo pessoal
Strobel conheceu o namorado em um site que conectava pessoas que não comiam glúten imagem: Arquivo pessoal

Barbara Balfour

Antes de ser diagnosticada com a doença celíaca, a cabeleireira Pia Strobel nunca pensou que fosse se preocupar com os hábitos alimentares de seu futuro namorado ou com os cardápios dos restaurantes onde ele fosse levá-la para jantar.

Ela tampouco poderia imaginar que ficaria tão emocionada ao encontrar alguém que tivesse as mesmas preocupações –seria praticamente paixão à primeira refeição.

Aos 48 anos, quando procurava restaurantes de cardápio sem glúten na internet, Strobel encontrou um site de relacionamentos que mudou sua vida.

Foi na página "GlutenFreeSingles.com" (solteiros sem glúten, em livre tradução do inglês) que ela conheceu Dale Graff, um dos 25 mil membros do site que não buscam apenas um amor. A página também traz informações sobre saúde, receitas de comidas sem glúten e mais dicas para quem adota esse estilo de vida, seja por opção ou por necessidade.

E outros sites surgiram para atender demandas específicas de quem busca um relacionamento –desde pessoas com hábitos alimentares parecidos até aquelas que têm uma queda pelo sotaque britânico, por exemplo.

O "Birstlr" é um site de relacionamentos para quem gosta de barbas; o "Womenbehindbars.com" e o "Mulletpassions.com" são especializados em atender interesses específicos. Por enquanto, esses sites são mais populares fora do Brasil.

Pessoas que desejam encontrar uma cara-metade que que preencha requisitos tão particulares costumam estar dispostas a pagar mais pelo serviço desses sites.

'Estamos juntos'

Para Strobel, o site especializado em relacionamento de pessoas que não comem glúten foi um grande sucesso. Em menos de dois anos, ela havia se mudado de Connecticut para Montana para viver com Graff, um agrimensor de 46 anos.

Os dois dizem que não conseguem imaginar como seria ter uma relação feliz, como a que eles têm hoje, se um deles comesse glúten.

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Marcella e Sheri criaram o site para conectar pessoas "glúten-free" em 2013 imagem: Arquivo pessoal

"Comida é algo muito importante na rotina de todo mundo e pode se tornar um complicador em um relacionamento", disse Strobel. "Nós adoramos cozinhar juntos e amamos comer fora quando estamos de férias. Isso seria uma preocupação e não um hobby se não seguíssemos a mesma dieta."

"Estamos nisso juntos. Mas isso não é o que acontece quando uma pessoa fica irritada porque pode comer em qualquer lugar, enquanto o outro está preocupado com as opções que terá em cada restaurante", falou.

O site foi lançado em 2013 por Marcella Romaya, que mora na Califórnia e também sofre da doença celíaca, e Sheri Grande. O custo mensal de adesão ao site é US$ 23,99 (cerca de R$ 87 na cotação atual). Cerca de 57% dos membros são mulheres e 43% são homens. Atualmente, a página funciona somente nos Estados Unidos e no Reino Unido.

"Nos sites grandes e tradicionais de relacionamento, devo ter conseguido uma média de um encontro por ano com alguém que realmente entendia meu estilo 'glúten free'", contou Romaya, de 48 anos.

"Você passa por tantas situações –escolher o restaurante, pedir a refeição certa, a reação constrangedora que você tem quando come algo com glúten por acidente. Você fica preocupada se ele vai te achar muito complexa e se vai te chamar para um segundo encontro. Lembro da Sheri dizendo: 'Vamos procurar um cara glúten free para você…', nós só nos olhamos e foi aí que o site nasceu."

Qualidade x quantidade

Para Trish McDermott, especialista em relacionamentos que lançou o site Match.com em 1995, os sites especializados levam vantagem sobre os tradicionais por oferecerem relacionamentos que têm mais chances de dar certo.

"Para um site desses ser bem-sucedido, a qualidade tem de ser mais importante do que a quantidade. Não dá para competir com os sites grandes, mas o objetivo tem de ir além do algoritmo do 'match'. O que importa são as pessoas que você conecta, a experiência que elas têm e se o relacionamento dá certo ou não", disse Mc Dermott.

Frank Mastronuzzi cofundou o OneGoodCrush em julho deste ano, depois de se frustrar nos sites grandes, nos quais não conseguia encontrar relacionamentos que suprissem as necessidades da comunidade LGBT.

Como o único aplicativo on-line de relacionamento para solteiros de todos os gêneros e orientações sexuais em busca de relações duradouras, a descrição do perfil dos membros inclui questões como "status de HIV".

Os membros são validados como pessoas reais por meio de um login via Facebook e Instagram; os perfis são visíveis apenas para aqueles com quem você escolhe se comunicar. Por US$ 9,95 por mês, os usuários do aplicativo têm direito a dar "matchs" ilimitados, a conversar com quantos quiserem e ficarem com o perfil livre de propagandas.

Outro site específico de relacionamentos é o DateBritishGuys.com, para mulheres americanas que procuram homens britânicos e vice-versa.

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Ben e Rebecca fundaram um site para conectar mulheres americanas a homens britânicos imagem: Arquivo pessoal

O site tem 25 mil membros -6.000 homens e 19 mil mulheres. Há um controle rígido para comprovar a identidade britânica dos membros, por meio de documentos do governo britânico e até para identificar fotos falsas, pedindo aos usuários que informem as datas das imagens que colocam no aplicativo.

"Muitos sites têm perfis fakes ou membros que não parecem nem um pouco com suas fotos do perfil", contou o britânico Ben Elman, 35 anos, que lançou o site em 2010 com a mulher, a americana, Rebecca, 29. "Ao exigir uma prova da identidade da pessoa, nós aumentamos bastante a qualidade do site."

A dupla se conheceu em Londres, em 2005, quando Rebecca foi ao Reino Unido estudar, e se casou em 2008.

As amigas de Rebecca sempre perguntavam a ela como elas poderiam fazer para "conhecer mais caras britânicos" e foi assim que eles perceberam que "havia uma oportunidade de negócio ali".

Homens britânicos não pagam para se tornarem membros do site e, para as mulheres, há uma taxa de US$ 18,99 por mês, mas elas só pagam depois que receberem um e-mail do homem que adicionaram em sua lista.

A empresa tem dois empregados agora e cresceu cerca de 50% a 70% nos últimos três anos.

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