Comportamento

Como lidar com parceiro que usa drogas

WILSON DELL'ISOLA
Colaboração para o UOL

Ninguém está livre de se envolver com um parceiro que traga consigo complicações, manias, vícios e dependências. O envolvimento com drogas, em qualquer grau de relacionamento, é sempre uma questão delicada de se tratar. Quando se descobre que o assunto envolve a pessoa amada, o chão desaba completamente. Diante desse cenário, poucas são as opções se a pessoa não reconhecer que tem um problema e se mostrar disposto a resolver.

 

Não existe uma fórmula específica para manter um bom relacionamento com pessoas que tenham problemas relacionados ao uso de entorpecentes. Nesses casos, o comportamento de ajuda deve sempre ser estimulado. “Ajudar um indivíduo dependente não significa minimizar o seu comportamento ou tentar justificar com crenças pessoais. O importante é revelar para o parceiro o quanto você está preocupado com o consumo de substâncias, o quanto isso tem prejudicado o relacionamento e propor a procura de ajuda”, diz psicólogo Ailton Amélio da Silva, professor da Universidade de São Paulo.


Daí em diante, um campo de resoluções se abre. Se ele topar a ajuda e começar a se tratar, a força do parceiro pode ser crucial para o sucesso do tratamento. Se a resposta for negativa, então vale se perguntar: quero me manter na relação? Para responder, além do afeto, é preciso considerar duas hipóteses: aceitar a condição do parceiro, sem impor cobranças, e aguentar as consequências mesmo sabendo dos limites que essa situação traz; ou terminar o relacionamento.

 

Os dois lados
A advogada Luana*, 28 anos, namorou durante um ano e três meses um rapaz que fumava maconha. “No início do namoro, pensei que com o tempo ele deixaria a droga para ficar comigo, porque eu não gosto e sei que poderia fazer mal para ele. Certa vez, ele até disse que iria parar, mas isso nunca aconteceu. Como aquilo estava fazendo muito mal para mim - cheguei a perder 10 kg nesse período e quase entrei em depressão -, resolvi terminar definitivamente depois de sete rompimentos de pouca duração. Já estamos separados há dois anos. Ele é uma pessoa maravilhosa, mas agora está viciado em diversas drogas.”

 

  • Divulgação/TV Globo

    Em "Viver a Vida", Renata (Bárbara Paz) recebe o apoio do namorado Felipe (Rodrigo Hilbert) para superar a anorexia alcoólica

Na novela “Viver a Vida”, da TV Globo, a personagem Renata (Bárbara Paz), que sofre de anorexia alcoólica (quando a pessoa substitui a comida por álcool) tem sorte com os namorados. Quando namorava o médico Miguel (Mateus Solano), ele a incentivou a fazer terapia. Ela topou, mas entre seus altos e baixos, o namoro acabou. Nos capítulos recentes da trama de Manoel Carlos, Renata começou um romance com Felipe (Rodrigo Hilbert), que não bebe e adora esportes radicais, o que a incentivou a continuar na sua luta contra o problema.

 


Uma parcela significativa das pessoas que usa drogas vai conseguir destruir a própria vida e fazer bastante mal aos que o cercam. “O uso de drogas é e continuará sendo uma escolha pessoal. As pessoas têm todo o direito de escolher arruinar a própria vida, mesmo que isso cause danos materiais e emocionais às pessoas que estão em volta. Mas, do mesmo jeito que elas podem escolher se drogar, os outros também podem decidir se querem ou não se relacionar com elas”, afirma o psicólogo Amélio da Silva.

 

* O nome foi trocado a pedido da entrevistada

 

 

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