Comportamento

Repórter oculta se infiltra em agência de encontros e conta tudo

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O primeiro contato é por telefone; se há interesse entre os dois candidatos, é marcado um encontro num local público imagem: Getty Images

RENATA RODE
Colaboração para o UOL

Quem nunca passou por isso: desejar conhecer alguém bacana, mas não conseguir? A pedido do UOL, uma repórter, que prefere não se identificar, infiltrou-se na agência de encontros A2, de Cláudya Toledo, para entender e explicar como é o processo de busca pelo par ideal.

 

Atualmente, são mais de 12.000 clientes ativos, entre pessoas de classe média, média alta e alta e de bom nível cultural - mais de 90% tem formação superior”, explica Cláudya. A agência se encarrega de tudo para que haja afinidade entre as partes, mas não garante o encontro do par ideal, apenas o sigilo das informações. 

 

Foram quase 15 dias de encontros, entrevistas e investidas. Você acompanha abaixo, com exclusividade, o diário de uma “espiã” em busca de sua alma gêmea.

 

A busca pela tampa da panela
“Sou separada já há algum tempo e procuro algo sério, que não achei (ainda)... Quando chegou o convite do UOL, adorei porque nunca tive a chance de viver uma experiência como essa. Tenho 41 anos, moro sozinha, sou independente e tenho um filho de 25 anos, que não mora comigo. Ou seja, estou super disponível a iniciar um relacionamento, mas não encontro (risos). Muitas vezes acho que tanta autossuficiência assusta alguns homens, mas não perco o pique nem a esperança. Moro em São Paulo, amo meu trabalho, sou apaixonada por salsa e tenho alto-astral. Agora, vamos ao que interessa: a agência de encontros.

 

Acessei o site e pude conferir depoimentos (com fotos) de casais que tinham sido formados pela agência. Com voracidade, li tudo para poder tomar coragem e entrar em contato com a empresa. Quatro dias depois de ligar agendando um horário, fui atendida por uma moça muito simpática que sempre me chamava pelo nome. Logo na chegada me mostraram livros e um vídeo para ressaltar a idoneidade da agência.

 

Depois de tudo isso, veio uma das partes mais difíceis para mim: preencher formulários que questionavam muitas coisas sobre minha vida: renda, placa do carro, bens e dados pessoais bem profundos. Quando questionei a entrevistadora, ela me respondeu que esse estranhamento é normal por parte das pessoas, mas que, como se trata de uma empresa séria em que pessoas serão apresentadas uma para outras, o ideal é colher o maior número possível de informações dos agenciados para a própria segurança deles.

 

Após a atendente me explicar os motivos pelos quais necessitava de tantos dados, eu, aliviada, fiz dois testes psicológicos, um com desenhos e outro com 150 perguntas. Então, juntas, discutimos os resultados e achei bem interessantes as descobertas que fizeram sobre meu perfil. Fiquei mais tranquila na hora em que comecei a conversar com a psicóloga, a Suzi. Ela me passou um endereço para que eu fosse fazer uma foto para colocar no meu perfil.

 

Com os documentos xerocados, retornei à agência dois dias depois para entregar o restante do meu cadastro. Todos os atendimentos foram pré-agendados, por isso me senti assessorada. Assinei o contrato como combinado e criamos meu perfil para que todos os associados pudessem acessar. Recebi seis perfis de homens na idade que eu escolhi: de 45 a 51 anos. Cada perfil mostrava somente algumas características: se era divorciado, separado ou solteiro, se tinha filhos, o que gostava de fazer, lazer, profissão. Eu tinha de escolher quem gostaria de conhecer em primeiro lugar. Fiz minha análise primeiramente pelas fotos e depois pelo que estava escrito no perfil. A atendente da agência me disse que ia passar para o primeiro candidato e ver se ele tinha interesse em me conhecer. Ai, que frio na barriga...

 

Esse primeiro contato seria por telefone, e o pessoal da agência me passou orientações sobre o que eu deveria falar ou não. Fui orientada a não fornecer dados pessoais, como endereço ou telefone fixo. Se eu gostasse do rapaz e ele também, marcaríamos o primeiro encontro em um local público (outra orientação da empresa).

 

Sendo assim, a A2 marcou com dois pretendentes no próprio estúdio onde eu faria a foto para meu perfil. Nas regras da agência, eu só poderia conversar com cada um por dez minutos. Se eles gostassem do meu perfil, me ligariam no celular para agendar outra conversa.

 

Primeiros pretendentes
Primeiro, conheci o Luís*, carioca que mora em São Paulo há 20 anos. Os dez minutos passam como se fossem dois... é muito engraçado... Descobri poucas coisas sobre ele, como profissão e o que gostava de fazer nas horas vagas. Engraçado que ele também frequentava Zona Norte, como eu (risos). E foi só o que consegui saber antes do gongo tocar.

 

Depois, conheci Souza*. Consegui saber apenas que ele trabalha com logística automobilística e que gosta de cantar em uma banda. Dos dois pretendentes, não tive preferência por um ou outro, os papos eram interessantes, mas senti que eles estavam tão nervosos quanto eu. Muito frio esse tipo de contato, sabe? Me senti num açougue onde um deles ia escolher que pedaço levar (risos). Normal sentir isso na primeira vez, segundo a psicóloga. Mas posso dizer que adorei a experiência apesar da sensação que descrevi.”

 

Veredicto
Nossa repórter continua sua busca acessando perfis pelo próprio site da agência. Até agora só conheceu pessoalmente os dois pretendentes acima, mas as “negociações” continuam em andamento. Quando questionada sobre o que ela achou de toda experiência e se recomenda, ela responde: “Sim, eu recomendo e estou adorando tudo. É diferente e, ao mesmo tempo, uma abordagem nova. A agência dá segurança e realmente acompanha de perto todo processo. Espero encontrar logo meu par perfeito”, finaliza.

 

*os nomes foram trocados para preservar o sigilo dos clientes e a ética da agência


 

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