Comportamento

Colecionador de mulheres ataca no mundo virtual

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Ele entra em site de relacionamentos, sai com o maior número de mulheres e não sossega enquanto não as leva para a cama imagem: Getty Images

GISELA RAO
Colaboração para o UOL

Quem não se emocionou assistindo ao filme “Mensagem para Você” (Nora Ephron, 1998), com Tom Hanks e a fofa da Meg Ryan? A história mostra a mocinha que se apaixona pelo mocinho ao trocar emails e, depois de muitos “reloadings”, tudo acaba dando certo. Mulher de sorte, já que na realidade nem sempre é assim. Descobrimos que nem todo homem que está num site de relacionamentos tem boas intenções, a não ser que “transar só por uma noite” signifique boa intenção na cabeça dele. Esse tipo de cara, que vamos chamar aqui de “colecionador de mulheres”, sai com várias - quanto mais, melhor - e não sossega enquanto não as leva para a cama. E depois some do mapa! Para conhecer melhor o perfil deste “predador online”, esta repórter participou de um site de combinações amorosas por um mês e identificou dois tipos; um "light" e um "hard". 

O primeiro tipo, representado por B.M.*, 48 anos, engenheiro, divorciado, inscreveu-se por curiosidade para ver o que rolava. Ele ficou três meses e acabou viciando em conhecer mulheres sem compromisso. Seu saldo? Saiu com 30 e transou com 20. “A maioria das moças não me despertou desejo de namorar, e quando eu via que existia a possibilidade fácil de rolar sexo, não tinha dúvida e ia em frente. Se demorasse muito para a mulher querer ir para a cama, não voltava a procurar. Tinha tanta oferta que eu acabei explorando todos os cenários e vários tipos de físicos, idades e personalidades”, conta M.B. Ele só largou o “vício” quando finalmente se envolveu com uma das candidatas que, segundo ele, era do mesmo círculo social e cultural que o seu. O namoro durou um ano e meio. “Eu voltei ao site faz dois meses, mas agora estou mais maduro; pensaria duas vezes antes de magoar alguém. Agora procuro mesmo uma companheira.” 

Eu escrevo uma carta padrão para todas, as que me respondem (geralmente 60%) passam para o MSN. Eu tenho oito contas diferentes no MSN para não dar confusão

J.C.*, 37 anos, gerente de vendas

Já J.C.*, 37 anos, gerente de vendas, solteiro convicto, ainda não chegou nessa fase e faz parte do tipo "hard". Em dois anos de registro no site ele já saiu com mais de 250 mulheres. Não é erro; é exatamente o número que você leu. Sua estratégia de ataque é tão refinada que ele criou uma planilha Excell com todas as características das moças. “Eu escrevo uma carta padrão para todas, as que me respondem (geralmente 60%) passam para o MSN. Eu tenho oito contas diferentes no MSN para não dar confusão. Aí, eu faço uma longa pesquisa para descobrir que tipo de homem elas procuram e incorporo o personagem. Para não dar confusão, coloco na planilha foto, nome, idade, cor dos cabelos, preferências etc. A loucura disso tudo é que estou longe de ser um cara bonito, mas a maioria cai facilmente. As mulheres andam muito carentes. Eu faço questão de investir uma parte do meu salário, digamos, nesse hobby”, revela. 

Antes que você queira torcer o pescoço deste moço, vamos tentar entender um pouco a sua cabecinha. Para a psicóloga Silvia Pedrosa, o mulherengo, de forma geral, é um homem de afeto instável, que se identifica com o papel de eterno sedutor. Mesmo que possua a “mulher ideal”, nunca se sente satisfeito, e está sempre disponível para tantas outras e em cada uma delas vê qualidades e beleza. “Talvez muitas mulheres que se interessem por um homem com esse perfil acreditem que não deu certo porque falta algo nelas, que não sejam suficientemente boas, mas a verdade é que existe uma dificuldade por parte desses homens em estabelecer um afeto mais profundo. Normalmente são imaturos para lidar com os próprios sentimentos e para reconhecer os sentimentos do outro. Um homem que não consegue dominar seus instintos, apelando apenas para a conquista do corpo, e que não consegue manter um relacionamento, está vazio de si mesmo”, explica a psicóloga. 

Dez coisas que devem afugentar você

  1. Homens que não perguntam absolutamente nada sobre você e só falam deles.
  2. Homens que só têm mulher (bonita) de “amigos” no Facebook ou Orkut. E, principalmente, os que colocam uma margem muito grande de idade para a futura companheira. Exemplo: 18 a 50 anos.
  3. Fotos do cara na praia de sungão ou na piscina se exibindo.
  4. Apelidos que contenham qualquer conotação sexual ou sensual.
  5. Fotos ao lado de carrões maravilhosos. Cuidado, o sujeito quer parecer o que não é.
  6. Fotos com coelhinhos ou chinchilas no colo. Tem troço mais brochante? Ao lado de cães, pode!
  7. Caras que nem saíram com você ainda e já te colocam para falar com os filhos. “Psico” total. Coitado dos filhos... Pessoa deprimida, então, nem pensar.
  8. Gente que mora com a mãe, acima de 35 anos, e que nunca casou. Famosa “Síndrome de Norman Bates”, em “Psicose”. Saia correndo sem olhar para trás!
  9. Caras que ficam somente na esfera online e nunca arriscam a vida real. Casados, querida!
  10. O rapaz quer transar com você na primeira noite e insiste muito, mas muito mesmo. 

Dez motivos que afugentam os homens

  1. Gente interesseira que quer saber o quanto o cara ganha. Você é uma mulher ou um gerente de banco?
  2. Mulher muito insistente, demonstrando estar matando cachorro a grito. Lembre-se: ansiedade é a inimiga da sedução.
  3. Neuroses do passado, da infância. Quem gosta de problema é psicólogo e não paquera.
  4. Falta de conteúdo e assunto. 
  5. Demonstração imediata de planos futuros (leia-se: casamento e filhos).
  6. Gente pesadona, com “nuvem cinza” na cabeça. Aproveite a era da saúde e seja light.
  7. Mulher “atração fatal”, que liga 50 vezes num dia, manda vários emails, persegue o cara.
  8. Mandar fotos do passado e ir ao primeiro encontro com 5 kg de maquiagem no rosto para disfarçar o “gap” do tempo.
  9. Trocar o nome do pretendente (pecado mortal, diga-se de passagem).
  10. Ficar falando dos “ex”. Lembre-se: você é uma mulher “deletada”, esqueça seu passado amoroso, pelo menos, no começo do relacionamento.

* Os nomes não foram revelados para garantir a privacidade dos entrevistados

 

 

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