Comportamento

Dê um basta à chatice do parceiro

WILSON DELL'ISOLA
Colaboração para o UOL

Ninguém arruma um relacionamento amoroso para ficar irritado ou triste. Alguns casais, entretanto, passam mais tempo discutindo do que aproveitando as vantagens de se ter uma companhia. Os motivos são diversos, desde a teimosia exagerada até a incompatibilidade total de gênios. Mesmo com o amor presente, às vezes a relação se torna desgastante, e uma das partes – ou as duas – acabam sucumbindo. Para você que costuma se estressar com tudo que o seu companheiro faz, vale ser mais tolerante e tentar entender a divergência de opiniões. Se você é a parte que recebe as críticas, a paciência e o diálogo podem ser a única solução.

A questão é mais comum do que se imagina. Tudo bem que discutir é algo normal e faz parte de qualquer relação interpessoal, mas quando isso vira uma constância a chance de um dos dois se cansar é bem grande. Para Angélica Capelari, professora de psicologia da Universidade Metodista de São Paulo, não existe um manual para “amansar a fera”, mas é ponto pacífico que ambos tenham em mente o problema e busquem uma solução.

Caso solucionado

Foi o que fez Leandro Simões, 32 anos, professor de informática, conheceu uma garota em um barzinho da Mooca, em São Paulo, onde reside. Ele e a moça, hoje com 27 anos, conversaram por dias e dias e começaram a namorar. “Depois que o encanto diminuiu e caíram as máscaras que usamos para conquistar alguém, ela se mostrou uma mulher totalmente controladora”, revela Simões, que diz ter sofrido muito com a chatice da namorada. “Ela vivia de mau humor, reclamava de todos os meus amigos, me proibia de ver futebol quando ela estava comigo e tinha ataques infundados de ciúme”, revela. Ainda assim, o relacionamento seguiu. Depois de muitas conversas, ambos decidiram que ela deveria procurar um psicólogo. “Foi a melhor solução que encontramos. Depois de cerca de dois meses de tratamento, a sua melhora foi nítida. Ela se tornou mais segura e nossa relação, mais saudável. Já estamos juntos há quatro anos e temos casamento marcado para abril do ano que vem”, comemora.

Não existe um manual para amansar a fera, mas é ponto pacífico que ambos tenham em mente o problema e busquem uma solução

Angélica Capelari, psicóloga

As pessoas, portanto, precisam se entender para ficarem juntas. Se um costuma ser mais chato e implicante do que o outro, ocorre um desgaste natural para os dois. “Aquele que é sempre questionado vai se sentir pressionado, sem espaço, e naturalmente injustiçado. O outro, que vê problemas em tudo o que o companheiro faz, sente que falta compreensão e, muitas vezes, imagina que aquilo é feito com o objetivo único de irritá-lo”, analisa a psicóloga.

Chato, sim, mas só às vezes

Algumas pessoas podem ter mau humor ou sofrer de uma chatice em alguns períodos específicos – o que não configuraria uma característica engessada de chatice. “Tem gente que fica mais irritada em determinados momentos, mais do que em outros. Há quem fique assim quando acorda, quando está com sono, quando está na TPM (Tensão Pré-Menstrual), quando pega trânsito. Os motivos podem ser inúmeros. Nestes casos, cabe à pessoa procurar tratamento, e o parceiro compreender e respeitar esse traço de personalidade se pretende manter o relacionamento”, explica Angélica.

 

Topo