Comportamento

"Descobri que era capaz de gostar de mais uma mulher, dar e receber carinho"

Da Redação

O militar, fotógrafo e escritor Samuel*, 43 anos, divorciado, já viveu formas diferentes de amar. Ele praticava swing quando era casado, mas sentiu falta de demonstrações de carinho, e isso o incomodava. Nessa época percebeu que era capaz de gostar de mais uma mulher, dar e receber carinho. E, após a separação, começou a viver o poliamor. Hoje, ele tem uma parceira, a principal, e uma ou mais secundárias. Leia abaixo o seu depoimento:

"A minha caminhada para a descoberta da possibilidade de se desejar afetiva e sexualmente mais de uma pessoa ao mesmo tempo começou há cerca de cinco anos, quando eu resolvi ‘passear’ pelo mundo swinger. Apesar de ter sido uma experiência nova para mim, logo percebi que não sentia ciúme de minha parceira. Porém, depois de algum tempo, observei que a filosofia vivida pela grande maioria dos casais swingers não me agradava, pois, quase sempre, não eram possíveis demonstrações de carinho e afeto. O que importa no swing é o sexo e mais nada. Passou disso, ocorrem demonstrações de ciúme. Então, vi que não era isso que eu queria. Comecei a perceber que era capaz de gostar de mais de duas mulheres, dar-lhes e receber carinho, etc.

Durante essa época do swing e das críticas que comecei a fazer a ele, eu era casado e, apesar de conversar muito com a minha então esposa sobre a possibilidade do poliamor, não havia espaço para isso no nosso relacionamento. Eu comentava com ela que me via morando com duas mulheres, por exemplo, ou dois casais juntos.

Praticante mesmo do poliamor eu me considero somente a partir de minha separação, quando comecei realmente a viver isso, permitindo e incentivando que minhas parceiras fizessem o mesmo.

A minha primeira experiência foi há cerca de seis meses. Eu saía e gostava de uma mulher de Minas Gerais e também estava saindo com uma carioca. Ambas sabiam uma da outra, pois eu não minto para ninguém a respeito disso. Sugeri que viajássemos juntos, os três. Elas toparam. Foi a primeira experiência bissexual e de poliamor das duas. Tudo novo para todos. Foi muito bom!

Eu já fiquei várias vezes com três ou quatro pessoas. Mas entenda: eu não me considero um promíscuo e muito menos as mulheres que desejam praticar ‘ménage’ ou swing. É apenas sexo, e encaro da mesma maneira entre duas pessoas, apenas com mais possibilidades de sensações. Enquanto a sociedade continuar sustentando a bandeira do romantismo, enxergaremos tudo que é ‘não é normal’ como aberrações.

Outra coisa: eu transo muito menos do que os ‘românticos’. Eu só vou para a cama com uma mulher se eu realmente me sentir atraído, se houver afinidades, se tiver certeza de que o depois será tão bom quanto o antes e o durante. Quando você descobre o poliamor, passa a entender realmente o que é fazer amor, já que antes as mentiras não nos permitiam amar alguém de verdade.

Hoje, não tenho uma namorada tradicional. Tenho uma parceira que, conceitualmente, o poliamor chamaria de principal, e uma ou mais secundárias. Mas, só nos vemos quando desejamos, e isso tem ocorrido toda semana, mais de uma vez. Basicamente, só tenho saído com ela, mas sem imposição alguma, pois ela também sai com quem quiser, inclusive me relatando casos quando sente vontade de compartilhar algo. Todas as ‘amigas’ com quem já me relacionei sabem da existência das demais. Defendo a verdade.

Algumas ficam um pouco assustadas e desconfiadas no início. Certamente, começam me considerando um safado. Depois as convenço (ou elas se convencem) de que é realmente uma filosofia legítima e que acredito nela. Sem exagero, não houve uma mulher que eu tenha conhecido, desde que me separei, há mais de oito meses, que tenha sumido de minha vida. Relacionei-me com todas que eu quis. O poliamor, se bem explicado e, se você realmente acredita nele, torna-se atraente, pois faz parte de nossa natureza pura e primitiva."  (ROSANA FERREIRA)

*O nome foi trocado a pedido do entrevistado

 

 

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