Comportamento

Descubra os prós e os contras das brigas de casal

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As discussões de casal são normais, mas quando se transformam em brigas sem controle ou com certa constância podem danificar a relação de modo irreversível imagem: Getty Images

FERNANDA JUNQUEIRA
Colaboração para o UOL

Brigar para mostrar o descontentamento frente a uma situação não é o melhor caminho, mas acontece com frequência entre os casais. No entanto, um pequeno atrito de vez em quanto é algo perfeitamente normal – há até quem crie confusão só para fazer as pazes na cama, depois. Os homens detestam discutir a relação, mas ela precisa ser revista sempre. Já existem vários estudos que mostram que para se falar com um homem não adianta colocá-lo sentado numa cadeira e conversa frente a frente. “O ideal, para que se possa passar o ‘recado’, é criar uma situação que não seja persecutória. Por exemplo, enquanto está se fazendo uma caminhada, arrumando a casa juntos, durante o jantar, indo para o shopping etc. Sempre em um tom de diálogo e não de discussão recheada de raiva”, sugere a sexóloga Carla Cecarello, de São Paulo, consultora da Rede Mel, empresa de venda direta de produtos eróticos e sensuais.

As discussões de relacionamento podem se transformar em brigas que, sem controle ou com certa constância, chegam a danificar de modo irreversível a relação. “Estamos vivendo uma época em que as pessoas estão com tantos conflitos pessoais que um assunto considerado em outra época inofensivo torna-se oportunidade para emoções turbulentas serem extravasadas”, comenta a psicoterapeuta Erica Brandt, de Porto Alegre (RS), especializada em psicologia transpessoal, área que focaliza os cuidados do ser em todos os níveis. Erica cita como temas relativamente inofensivos a distribuição das tarefas domésticas, a educação dos filhos e a indisposição para o sexo; já os tidos como perigosos são o ciúme doentio, a infidelidade, a intromissão da família na rotina do casal e a diferença na contribuição ao orçamento familiar.

Seja qual for o tempo de relação e o tema do conflito, é fundamental saber discutir. Uma briga com doses certeiras de respeito e palavras adequadas pode servir para homem e mulher evoluírem como casal, enquanto uma discussão com ataques pesados e frases equivocadas oferece o risco de ir minando a convivência aos poucos. Com a ajuda de especialistas, listamos sete prós e sete contras das brigas de casal. Veja só:

PRÓS

Respeito total. As brigas podem ser consideradas normais desde que a imagem que um tem do outro não seja alterada; ou seja, não há ofensas à pessoa, e sim comentários (ainda que nervosos) sobre o comportamento alheio. Como a integridade emocional do casal é respeitada e preservada, há maior chance de conciliação.

Verdade absoluta. Deixar acumular certos descontentamentos só gera sentimentos de raiva, amargura e ódio. O ideal é, conforme as coisas vão acontecendo, colocar para fora todo e qualquer sentimento que venha a surgir com isso. Esperar muito tempo para abrir o jogo pode acumular muitas dores e, assim, há o risco de que a relação seja afetada de modo irreversível. A verdade é o melhor caminho a qualquer tempo.

Troca e compreensão. Para a coaching de relacionamentos Roselake Leiros, de São Paulo, especialista em terapia de constelações sistêmicas, brigar é bem diferente de discutir – assim, se há discussão, há aspectos positivos. “Brigar é querer fazer valer a sua verdade, sendo que a verdade do outro também é verdadeira para ele e deve ser respeitada. Quando brigamos ninguém ganha, pois não há comunicação, não há troca. Respeitar não significa concordar, e sim dar ao outro o direito de ter sua percepção. Por isso discutir diferentes percepções sobre alguma coisa é saudável, é dar-se a oportunidade de aprender com o ponto de vista do outro. É ampliar sua visão, é ter mais compreensão sobre a questão”, explica.

Chance de conhecimento. As brigas – não frequentes, é claro – podem ser positivas para o casal, pois ampliam os horizontes e abrem a possibilidade de entendimentos mais profundos. O parceiro ganha a oportunidade de conhecer melhor a mulher – e seus anseios, desejos, necessidades, aborrecimentos. E vice-versa.

Combustível sexual. Há quem brigue como “tempero” para o sexo – inclusive, indescritíveis. Vale a pena, mas é importante perceber que o relacionamento está desinteressante e criar opções diferentes de “temperos” para a relação.

Cumplicidade e diálogo. Muitas pessoas silenciam até que a grande briga ocorra, portanto haverá muitos conflitos pessoais que precisarão ser abordados. “Caso haja paciência, tolerância, reconhecimento das atitudes inadequadas e um desejo e compromisso em recuperar a boa relação, há possibilidade de a briga terminar em maior cumplicidade em que ambos cedem e passam a investir em mais diálogos que silêncios, possibilitando novos rumos mais saudáveis”, ressalta a psicoterapeuta Erica Brandt.

Aprendizado máximo. A vida de casal é a melhor escola para aprendermos a nos conhecer e a nos comunicar com maturidade. Um casal pode buscar ajuda quando não está conseguindo superar as dificuldades; a decisão de procurar um profissional deverá ser tomada em conjunto. Esta terceira pessoa (um terapeuta sexual), por não estar envolvida com a crise, auxilia na percepção e compreensão de como cada cônjuge contribui para as brigas e quais as competências pessoais que poderão desenvolver para uma boa convivência.

CONTRAS

Mau exemplo. “O primeiro modelo de homem e mulher que temos na vida é do nosso pai e da nossa mãe. Se a criança presencia discussões e brigas constantemente, isso pode deixar um registro de que relacionamento entre casais não é algo bom”, afirma a sexóloga Carla Cecarello. “Para os filhos, presenciar ou ouvir as brigas causam marcas profundas na alma que repercutem rapidamente nos estudos e nas relações sociais”, salienta a psicoterapeuta Erica Brandt. “Os pais são os pilares do mundo deles, as brigas são como se a sustentação de seu mundo rachasse. Simbolicamente diria que a dor dessas situações é como para nós, adultos, vivenciar a instabilidade de um prédio durante um terremoto. Não esquecemos nunca mais.”

Falsas ameaças. A coaching de relacionamentos Roselake Leiros aconselha evitar pronunciar determinadas frases de efeito, mesmo que ditas em um momento de extrema raiva, como “Você vai ver...”, “Nunca mais eu...” e “Se você fizer tal coisa, eu...”. “Não faça ameaças. Você pode não cumpri-las e cair no descrédito”, alerta a especialista.

Sinal vermelho. Brigar com uma determinada frequência sinaliza divergências que precisam ser avaliadas sinceramente. É um forte indício, ainda, que a relação está doente e precisa de “remédio”. Que não dá mais para disfarçar, ou querer tampar o sol com a peneira ou continuar a empurrar com a barriga.

Falta de respeito. Para a Erica Brandt, as brigas podem passar do limite considerado “saudável” quando têm início as agressões verbais. “Nesse ponto, deixa de existir o respeito entre o casal. A partir daí, os parceiros poderão perder o controle emocional e se tornarem cada vez mais agressivos”, justifica.

Pontos fracos. “Toda frase com carga emocional na qual você ‘congela’ o outro no tempo é extremamente prejudicial ao relacionamento”, pondera Erica Brandt, que cita como exemplos “Você sempre...”, “Você nunca...” e “Você é...” seguidas de adjetivos que denigrem a imagem do outro repetindo como um disco rachado a mesma coisa. “Infelizmente, num casal, cada um sabe qual é a ferida psíquica do outro. E esse ponto fraco é geralmente bombardeado, provocando o bate-boca que poderá desencadear atitudes violentas”, completa.

Rigidez e implicâncias. Um relacionamento estável dá oportunidade para descobrirmos que não somos iguais, que cada um tem sua individualidade, sua própria história de vida, valores e sonhos. E que podemos somar ao deixarmos de ser rígidos e inflexíveis, lembrando que o amor une; a crítica separa. Portanto, o excesso de implicâncias detona qualquer relação.

Alta frequência. As brigas constantes podem desgastar o casamento. Toda pessoa quer ser amada, quer ser especial. Quando os atritos são frequentes, o que se sente mais denegrido tenderá a sair da relação. Todo ser humano tem um limite de tolerância.
 

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