Comportamento

Guia ajuda a identificar gays enrustidos

ROSANA FERREIRA
Editora-assistente de UOL Estilo Comportamento

O  livro “Cuidado! Seu Príncipe pode ser uma Cinderela” (Editora Best Seller), das jornalistas Ticiana Azevedo e Consuelo Dieguez, ambas do Rio de Janeiro, mal foi lançado e já é um sucesso de vendas. A publicação ocupa o primeiro lugar no ranking de mais vendidos da Livraria da Folha na categoria "Sexo e Relacionamento". O sucesso pode ser explicado pelo tema – um guia prático para identificar gays no armário – tratado de forma bem-humorada pelas autoras.

Sabe aquele cara que adora roupas de grife, tem fixação por perfumes, cultua a vaidade excessiva e o corpo perfeito, adora fofoca e mantém o apartamento de solteiro impecável? Pois esses são alguns dos indícios que denunciam um gay no armário, segundo as autoras, que se basearam na história de Sofia, nome fictício da mulher que inspirou o livro. Ela passou sete anos casada com um gay e não percebeu os sinais. Só depois que ele revelou sua homossexualidade, Sofia foi ligando os pontos: “Aquele tênis Prada. Caramba, tênis Prada???!!! Como não liguei logo uma coisa a outra? Afora, a relação umbilical com a mãe, que tinha até a chave da nossa casa. E aquele xaveco todo com os amigos, por quem ele me trocava nos fins de semana”, conta no livro.

“Antes de ouvirmos a Sofia, já havíamos pensado num livro com esse tema, já que histórias desse tipo eram recorrentes nas rodas de conversa”, diz Consuelo. Além de Sofia, as autoras relatam situações vividas ou presenciadas por homens e mulheres, homos e héteros, casados e solteiros, médicos, psicanalistas, arquitetos, professores de ginástica e de piano, recepcionistas de boates e de academias, vendedoras de sex shop, corretores de imóveis e um monte de palpiteiros que ajudaram a “peneirar” os sinais que denunciam um gay no armário -divididos em dez capítulos.

Indícios

Segundo as jornalistas, a mulher deve se preocupar se o namorado ou marido apresenta quatro indícios relatados no livro. É assim:
1 indício é apenas 1 indício = fique atenta sem partir para a paranoia
1 indício + 1 indício = 1 evidência
1 indício + 1 indício + 1 indício = 1 evidência forte
1 indício + 1 indício + 1 indício + 1 indício = 1 comprovação

Brincadeiras à parte, o livro recorre ao bom humor para tratar de um assunto que pode trazer muitos transtornos tanto para mulher quanto o para o homem. “Não somos contra gays, muito pelo contrário. Apenas fizemos um guia para as mulheres se protegerem de gays enrustidos que as arrastam com eles numa mentira, com consequências sérias para a autoestima. Muitas mulheres procuram psicólogos e médicos para tentar entender o que tem de errado com elas. E o problema não são elas. E sabemos também que os gays no armário sofrem por não assumirem sua orientação sexual por vários motivos, entre eles o preconceito”, diz a jornalista.

Traumas e resoluções

E essa mentira pode deixar marcas, como foi o caso da própria Sofia, que no final do livro coloca suas conclusões. Ela confessa, por exemplo, que ficou obcecada com essa história de gay no armário. “Não podia mais ver dois homens num carro que já considerava uma atitude suspeita. Mal entrava num lugar, e já começava a procurar pelos enrustidos. Num restaurante, meus olhos percorriam todas as mesas. Quando dava por mim, estava encarando algum homem, tentando desvendar se ele enganava a mulher ao seu lado”, conta.

No Orkut, há uma comunidade chamada “Meu marido é homossexual”, criada por Angela Zani. Em seu depoimento para a descrição da comunidade, notam-se as marcas negativas que a experiência deixou em sua vida:

“Você percebe que seu marido não tem tanto interesse assim por você...
De repente, surge a resposta desta indiferença... Ele é homossexual!!!
Você se pergunta:
- Será que a culpa foi minha?
- Ele me usou para esconder sua homossexualidade?
- A família dele sempre soube?
- É possível ele se tornar heterossexual?
Quis fazer esta comunidade, pois quando descobri a homossexualidade do meu ex-marido procurei pesquisar sobre ‘mulheres que descobrem a homossexualidade de seus maridos’ e não encontrei absolutamente nada.
Muitas que passam por esta situação escondem, pois é algo singular e preferem manter a aparência da relação; muitas mergulham em antidepressivos - como eu fiz. Eu encontrei meu caminho, e descobri que poderia ser feliz e fui em busca da minha felicidade. No meu caso, a minha felicidade foi me separar e me valorizar como mulher que sou!!”

Como Angela, muitas mulheres encontram um caminho, como aconteceu também com Sofia: “Ouvir os depoimentos de mulheres que passaram pela mesma experiência, e também a explicação de homens perturbados com sua indefinição sexual, me fez encarar essa realidade de outra maneira”. Ela revela ainda que, no ano passado, já liberta de seu trauma, encontrou o Zeca (nome fictício), um veterinário charmosérrimo e interessantíssimo. “Ele me leva às nuvens. Creiam, queridas, ainda existem homens que desejam muito a nós, mulheres. Aprendam a identificá-los. E deixem que os gays cumpram seu destino”, diz Sofia.

 

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