Comportamento

Conheça a nova etiqueta sexual

HELOÍSA NORONHA
Colaboração para o UOL

Sexo é algo que todo mundo (ou pelo menos a maior parte das pessoas) um dia vai aprender a fazer. Volta e meia, porém, os códigos de comportamento nesse assunto passam a seguir novos modismos. Fizemos uma listinha do que está em alta em 2010. Confira.

 

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SEX SHOP: PARADA OBRIGATÓRIA
Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Mercado Erótico (Abeme), as sex shops crescem 13% ao ano. Parece que o que era tabu agora virou moda. Para Fernanda Pauliv, consultora e palestrante de artes sensuais e técnicas sexuais, isso se deve muito ao fato da mulher estar mais bem resolvida com a sua sexualidade e se permitir’ ousar em busca do prazer.
“Além disso, as lojas, percebendo essa tendência, mudaram também seus layouts e sua forma de atendimento. Hoje se vêem muitas lojas bonitas, bem iluminadas, com vitrines atrativas e modernas, que oferecem um atendimento especializado e discreto”, comenta a consultora, que também é sócio-diretora do Joanah Pink Centro Integrado da Mulher, em Curitiba (PR). Que o diga Ana Maria Faro, umas donas da butique erótica paulistana Revelateurs. “Tudo depende da sex shop. Na nossa loja, as mulheres e os casais entram e ficam de uma maneira muito confortável e tranquila. Perguntam, tiram dúvidas e compram tranquilamente”, conta. “Já as pessoas tímidas ou que ainda não se sentem seguras para entrar numa sex shop têm ainda a opção de comprar pela internet. O mercado virtual também se encontra em franco crescimento”, destaca Maria Luiza Cruvinel Moretti, sexóloga, psicóloga e terapeuta de casal e família de São Paulo.

CURSOS DE ARTES SENSUAIS: PERCA A VERGONHA
Hoje em dia, maneiras de se especializar nas artes eróticas não faltam. Há cursos para aprender (ou aprimorar) as técnicas de strip-tease, massagem sensual, dança do colo, pompoarismo e até sexo oral. Cada vez mais as “salas de aula” estão lotadas. “Para mim, é uma forma de conhecer novas técnicas de dar e receber prazer, de inovar, de mudar a rotina dos relacionamentos de uma forma divertida e, ao mesmo tempo, muito discreta, já que é um grupo de pessoas desconhecidas que não sabem absolutamente nada de sua vida”, opina a empresária Ana Maria Faro.

Para a professora de artes sensuais Fernanda Pauliv, é importante que antes de frequentar palestras desse tipo a mulher se informe bem quem é que vai ministrar, qual é a experiência da pessoa na área e de preferência ir por indicação de quem já conhece. “Digo isso porque esta é uma temática que mexe com intimidade da mulher num nível muito profundo. Uma palestrante que não tenha isso em mente pode acabar com a autoestima e a autoconfiança de alguém. O ideal é que haja profissionalismo, respeito, bom gosto e muita leveza, tendo em vista que na platéia poderão existir mulheres de várias idades, diferentes histórias de vida e em momentos diferentes do relacionamento.”

Vale ressaltar, ainda que muitos homens já perceberam as mudanças de comportamento feminino e estão dispostos a enfrentar a "sala de aula" para se tornarem melhores amantes de suas companheiras, seja aprimorando suas técnicas sexuais (massagem, sexo oral, etc.) ou aprendendo dicas de como utilizar produtos e acessórios. Mesmo aqueles que acham que não tem nada a aprender, sempre acabam descobrindo um truquezinho novo!

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VIBRADOR: VOCÊ AINDA VAI USAR UM
Graças às protagonistas liberais da séria norte-americana Sex and the City, é cada vez maior o número de mulheres que usa vibradores. Estão mais interessadas em conhecer as novidades, as novas tecnologias. “A grande maioria usa como uma forma de descobrir novas formas de prazer. E isso pode ser a dois ou sozinha”, diz Ana Maria Faro, da Revelateurs. Os modelos mais comprados são os que têm formas diferentes – principalmente de bichinhos fofos, como coelhinhos e golfinhos, e que estimulam mais de um ponto, por exemplo, os que possuem estimulador clitoriano. Segundo os especialistas, os homens também têm deixado de encarar o brinquedo como um “rival” ou “substituto” e encontrado maneiras de utilizá-lo para proporcionar novas sensações às parceiras.

CHÁ DE LINGERIE: MAIS MODERNO (E ÚTIL) QUE O CHÁ-BAR
Esqueça jogos de fondue, copos coloridos, kits para vinhos e outros artigos parecidos. Em vez de planejar um chá-bar com os amigos para equipar a casa, as moças casadoiras modernas querem mais é montar uma bela coleção de peças íntimas para curtir cada noite da lua-de-mel com modelos ousados e diferentes.

No casamento, já se ganha muita coisa e o foco é a casa. No chá de lingerie, o objetivo é agradar o casal. Como o estilo pin-up e a renda estão na moda, vale a pena incrementar o closet erótico com corsets, ligas, meias 7/8, camisolas de seda. “Aquela chatice do passado, em que a noiva ganhava objetos para cozinha e saía pintada, descabelada e muitas vezes até sem roupa, não faz mais a cabeça dessa nova mulher. Graças a Deus!”, brinca Fernanda Pauliv.

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VOYEURISMO E EXIBICIONISMO: PECADOS MORTAIS
Em tempos de internet, todo cuidado é pouco. Gravar com filmadora ou celular aquela transa selvagem pode parecer a ideia mais incrível de todos os tempos durante o auge da excitação. Depois, pode virar uma dor de cabeça e tanto. A mídia volta e meia propaga notícias de cenas de sexo real (até entre adolescentes) que foram parar no YouTube ou em sites de relacionamento. Na dúvida, é bom controlar os impulsos.

“Após um rompimento complicado, esse material vira uma arma na mão de quem está ferido e com muita raiva”, alerta Adriana Grannah. “Na dúvida, curta as fantasias já existentes no mercado, como os filmes para adultos ou as prateleiras da sex shop.”

BALADAS PICANTES: POR QUE NÃO?
Vários casais, principalmente nas metrópoles, têm procurado diversão em baladas mais quentes - casas de swing ou de fetiche por pés, por exemplo. Mesmo sem participar das brincadeiras, observar esses universos vem servindo de combustível (e inspiração) para animar homens e mulheres mais curiosos. Segundo Fernanda Pauliv, do Joanah Pink Centro Integrado da Mulher, o crescente interesse por essas casas ou festas deve-se à inúmera oferta de novidades e à disposição do mundo cada vez mais ao alcance das mãos (graças à internet, TV a cabo, etc.). “As pessoas começaram a ver com mais evidência coisas que antigamente eram restritas apenas a determinados grupos. Acho que isso vem contribuindo para que mais pessoas se sintam motivadas a conhecer coisas diferentes, mesmo que para saciar apenas a curiosidade”, destaca.

Para a publicitária e consultora amorosa Adriana Grannah, do Rio de Janeiro frequentar as baladas picantes “varia o endereço do sexo”. “Esses subterfúgios criam uma ilusão conveniente ao casamento e às relações estáveis ou longas: um estilo de comportamento que foge da postura tradicional do casal e, com isso, reacende novamente a chama do prazer muitas vezes esquecida”, salienta. A sexóloga Maria Luiza Cruvinel, por sua vez, acredita que como nessas baladas o foco está no sexo por prazer, no desejo cru e desimpedido, presenciar uma sucessão de atos sensuais pode servir de dicas eróticas para uma ampla variedade de fantasias.

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MOTEL “PARQUE DE DIVERSÕES”: HIT DO MOMENTO
O seu conceito de uma suíte bacana se resume à tríade cama king size + piscina iluminada + teto solar? Pois você está por fora! A onda, agora, é curtir os quartos com decorações inusitadas. Os temas são bem variados: vão desde selva, oriental e sadomasô até píer com direito a lancha e aeroporto (isso mesmo!). Nada mais lúdico e divertido, não? “Esses motéis fazem sucesso porque ajudam a alimentar as fantasias dos casais. Como todo mundo sabe, as fantasias ajudam a quebrar a rotina. Poder aproveitar uma noite de amor num cenário diferente e, muitas vezes, vivendo personagens diferentes, pode ser o gatilho para esquentar o clima e isso é mais do que bem-vindo”, acredita Fernanda Pauliv.

De acordo com a médica fisiologista e estudiosa da sexualidade Cibele Fabichak, autora do livro “Sexo, Amor, Endorfinas & Bobagens” (Ed. Novo Século), as fantasias geralmente aparecem de maneira casual, mas muitas vezes os nossos cinco sentidos (visão, olfato, tato, audição e paladar) são os “gatilhos” para começar uma fantasia erótica. “O tipo ou tema da fantasia irá depender muito da personalidade e da história de relacionamentos da pessoa. Por exemplo, mulheres românticas tendem a ter fantasias com situações de sedução e de romantismo, tais como fazer amor numa praia deserta ou numa cabana aos pés de uma lareira. Homens mais ativos sexualmente preferem enredos mais audaciosos e picantes, como transar num elevador ou num banheiro de avião. Mas vale lembrar que as fantasias sexuais ‘da teoria para a prática’ tendem a se submeter às regras sociais, às leis morais e, obviamente, à vontade do parceiro”, explica Cibele.

CAPA DE REVISTA MASCULINA: TODA MULHER PODE
Fazer um book sensual e dar de presente para o marido/namorado/amante também funciona como um combustível para o relacionamento. Bem produzidas e com direto a um retoquezinho aqui, outro ali, de Photoshop, as fotos dão um up na autoestima de qualquer mulher. Para seus parceiros, o book também rende frutos. “Antigamente, só as modelos faziam fotos sensuais e os homens eram consumidores desse prazer visual, mas sem toque. Agora, com mais esse filão no mercado da sensualidade, esses mesmos homens podem ter o prazer visual, emocional e carnal com suas parceiras”, destaca a consultora amorosa Adriana Grannah. A sexóloga Carla Cecarello, consultora da Rede Mel de produtos eróticos, lembra o ditado “santo de casa não faz milagre”, que acaba por contribuir para que o parceiro não enxergue mais a mulher como de fato ela é, sexualmente falando. “Então, através destes ensaios sensuais, ele acaba visualizando e enxergando melhor o potencial de sua parceira”, avisa. “A ciência já comprovou o que antes já sabíamos por ‘intuição’: o homem é muito mais visual do que a mulher no jogo da atração e sedução”, completa Cibele Fabichak.

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CAMISINHA: MÚLTIPLAS POSSIBILIDADES
Não só nos sex shops é possível encontrar preservativos com um “algo a mais”. Nas farmácias já achamos camisinhas texturizadas, aromatizadas, com propriedades retardantes, coloridas... A oferta prevê o atendimento de uma demanda que não se cansa de inovar na cama, mas não podemos esquecer que ainda há uma boa parte das pessoas que dizem que na hora é difícil se lembrar da camisinha. Essas pessoas ainda vivem uma fantasia de que nada pode acontecer com elas. “Utilizar acessórios que estimulem o uso do preservativo pode ajudar. Existem capas penianas massageadoras que apresentam diferentes texturas para dar mais prazer ao corpo da mulher. Alguns modelos trazem, ainda, um estimulador clitoriano instalado estrategicamente na base. Assim o homem pode colocá-la no pênis para efetuar a penetração, criar uma situação erótica e colocar o acessório. É um tipo de coisa que ajuda muito, principalmente aqueles homens que resistem a usar preservativos alegando que perdem a ereção quando o utilizam”, propõe a sexóloga Carla Cecarello.

Para a sexóloga Maria Luiza Cruvinel, a variação de produtos é uma tentativa por parte dos fabricantes de desconstrução do estigma que a propaganda criou em torno da imagem dos preservativos. “A intenção é desvincular o uso destes como proteção e associá-los mais ao prazer. A variedade de gostos, cheiros e de texturas visa mostrar que a questão é o prazer. Entretanto muitas pessoas desconhecem esta variação, pois as campanhas são feitas focando a proteção à saúde física”, lamenta.

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