Comportamento

Educação e limite não traumatizam as crianças

Colaboração para o UOL

Muitos pais temem ser rígidos por medo de gerar algum trauma nos filhos. Mas o que, de fato, provoca um trauma em uma criança? “O que pode traumatizar é a falta de carinho e de atenção. Educação e limite são imprescindíveis na formação integral do indivíduo”, diz a psicóloga Maria Regina Domingues de Azevedo.

Pesquisas comprovam que autoridade é muito bom para os filhos. Entretanto há uma grande diferença entre autoridade e autoritarismo. “Este último não dá espaço para desejos, preferências e competências individuais. Regra é regra, sempre, sem conversas e sem respeito pelas diferenças individuais. Pais que foram criados desta forma tendem a criar os filhos da mesma maneira e assim traumatizam a criança no sentido de que os filhos tendem a ficar dependentes da opinião do outro, pois aprendem que suas opiniões não são boas o suficiente porque nunca foram consideradas pelos seus pais”, alerta Maria Luiza Cruvinel. O resultado? Tornam-se adultos com baixa autoestima, inseguros e indecisos diante da vida.

Abusos físicos e surras são extremamente traumatizantes. O castigo doloroso ou degradante é uma experiência muito traumática, tanto por conta do que ele significa diretamente quanto por colocar em perigo a crença da criança na benevolência do pai, que constitui a base mais firme de seu sentido de segurança. Ela pode se tornar um adulto inseguro porque na infância sua segurança dependeu de uma pessoa de quem se ressentia e que, em vez de protegê-la, agrediu-a.

A rigidez ou o autoritarismo por parte dos pais e educadores provocam na maioria das crianças o medo e a insegurança; já o exercício da autoridade acompanhada de afeto positivo costuma alcançar melhores resultados quando limites estão sendo solicitados e ensinados. “Geralmente os traumas acontecem quando as crianças sentem falta de amor e respeito por parte de quem as educa, vão desenvolvendo reações de acordo com a forma como são tratadas”, salienta a pediatra Miriam Ribeiro de Faria Silveira, presidente do Departamento de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo. (Heloísa Noronha)

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