Comportamento

Como ficar bem depois de um fora

RENATA RODE
Colaboração para o UOL

“Todo mundo leva toco, todo mundo dá. Ninguém está livre dele e é bom aceitá-lo para não levar outros. O grande lance é saber que o toco doi, mas logo depois passa”, explica a jornalista Leticia Rio Branco, uma das autoras do livro recém-lançado "O Guia do Toco" (Ed. Best Seller). Ela e a amiga, a também jornalista Fabi Cimieri, uniram-se durante alguns meses para escrever experiências e desilusões de uma vida toda, já que a amizade vem desde o colégio. A ideia original aconteceu de maneira espontânea, fruto de uma reunião feminina. “Tivemos o insight de escrever o livro há um ano, quando estávamos solteiras e na pista. A gente sempre ouvia muitas histórias de pessoas que levavam e davam foras, assim como nós. Logo percebemos que não éramos as únicas que vivenciavam isso e decidimos compartilhar”, diverte-se Fabi.

“Já levei fora em diversos idiomas, acredita?”, comenta um internauta em comunidade de uma rede social chamada “Eu já levei um fora”. Outro participante lamenta: “Se a cada fora que eu tomasse, ganhasse R$ 1 já estava rico”. Mas os participantes concordam com uma estatística: homens levam mais tocos do que mulheres. Até porque elas são mais contidas na abordagem. “Eles tomam foras durante as cantadas e nós, mulheres, tomamos quando queremos compromisso, por isso essa discrepância na quantidade”, comenta M. E., vítima de um toco doido e recente. “Eu saía com o cara havia quase um ano, tomei coragem e perguntei como iríamos ficar. Ele disse que adorava minha companhia e só. Mandei pastar porque eu queria compromisso e ele não”, explica.

Tipos de fora

Você já ouviu a seguinte frase: “O problema não é você, sou eu, não estou pronto para um relacionamento agora”? Esse é o chamado toco clássico, dizem as “especialistas” no assunto. “Resolvemos classificar os tocos em nosso livro para que ficasse mais fácil e cômico superar os tantos que levamos e damos na vida. Cada toco tem um peso, de acordo com o poder que o fora tem de bombardear o amor próprio”, afirmam as escritoras.

Cuide da autoestima

Para Eliana Barbosa, consultora em desenvolvimento humano, o fora esconde um sentimento sinistro: a rejeição. “Levar um fora de um parceiro abala profundamente a autoestima, principalmente quando a pessoa costumava colocar mais expectativas no outro do que nela mesma, quando abria mão de sua vida para agradar o parceiro. É quando pode surgir uma espécie de depressão devido à dor da decepção”, afirma. Ela ressalta que se amar em primeiro lugar e jamais abrir mão de si mesmo para agradar a quem quer que seja é a fórmula certa para amenizar as desilusões.

Outra lição é passada pela terapeuta: “Depois de levar um chega pra lá, o melhor a fazer é marcar um encontro com você mesmo. Eu sugiro que você não saia por aí em busca de novos relacionamentos de imediato. Não vá buscar salvação em um novo amor, porque isso não dá certo, dura pouco. Salve-se primeiro, seja feliz primeiro e, dessa forma, com um jeito mais radiante e confiante, você vai atrair para sua vida pessoas mais resolvidas e confiantes também”.

 

  • Edu Rodrigues/Divulgação

    Fabi Cimieri e Leticia Rio Branco, autoras do livro "O Guia do Toco"

Evite

A dupla de jornalistas dá cinco dicas para fugir do toco:

  1. Valorize-se acima de tudo, nenhum homem gosta de mulher chiclete.
  2. Não ligue insistentemente para ele, mostre que você tem vida própria.
  3. Saia com as amigas e dê espaço para que ele faça isso também, uma vez por semana.
  4. Mantenha sua individualidade sabendo equilibrar as importâncias na sua vida.
  5. Não dê ataques de ciúmes, vasculhando celulares e afins. Homem nenhum quer uma mulher insegura ao lado dele.

Antecipe-se

Quer prever um fora? É fácil.  “O parceiro começa a dar sinais de que não está mais tão a fim de você. Se ele começa a sumir, sair mais com os amigos do que com você, não te beija mais como antes e nunca mais a procura na cama, atenção: pode estar começando o processo do toco. Nessas horas, basta ter feeling e dar o troco antes: diga que está um pouco confusa e que o namoro não é mais como antes. Com certeza ele irá se surpreender”, diz Leticia.

Dar e receber

E a pergunta que não quer calar: o que dói mais: dar ou tomar um toco? “Os dois, depende do grau de estrago. Levar um toco máximo, aquele em que a pessoa diz na sua cara que não tem mais tesão nenhum por você é muito doloroso. Por outro lado, dar um toco em alguém que ainda tem carinho, de certa forma, também e difícil, pois a gente sabe que vai magoar o outro. Mas, como ninguém é obrigado a gostar de ninguém e muito menos a ficar com quem não faz com que você sinta borboletas na barriga, vale sair logo desse relacionamento furado. E sempre dar ou levar um toco com muito bom humor”, ensina Fabi.

Cara a cara

Para as autoras, a facilidade da internet hoje possibilita que se dê muito mais foras do que antigamente. Com a informação cada vez mais diluída e a rapidez das redes sociais e outros meios de comunicação via web, é muito mais difícil dar aquele toco sinistro olhando na cara da pessoa, concorda? Outra modernidade que facilita a troca de foras são as mensagens por celular. “O frio na barriga na hora de teclar o ‘enviar’ de um torpedo é o mesmo de ligar para o carinha, com a vantagem de que ele não vai sentir o tremor na sua voz. Mas, ao mesmo tempo, o olho no olho e o telefonema ainda têm um poder de persuasão muito grande”, explica Leticia.

Aprenda com o toco

Depois de um fora, a pessoa deve aproveitar as lições dessa experiência ruim, para não repetir os erros em um próximo relacionamento. “Jamais fique insistindo e se humilhando diante da pessoa que o rejeitou. Você deve  aceitar os próprios erros, e entender que tudo o que sofreu foi porque, de uma forma consciente ou inconsciente, permitiu que isso acontecesse. Se tivesse se colocado em uma posição menos vulnerável neste relacionamento, com certeza não teria levado esse fora”, finaliza a consultora Eliana Barbosa.

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