Comportamento

Conheça a etiqueta de Natal da família moderna

HELOÍSA NORONHA
Colaboração para o UOL

Nenhum núcleo da sociedade sofreu mais transformações comportamentais nas últimas décadas do que a família. Aquela composição clássica de comercial de TV com papai, mamãe, filhinhos bem vestidos e avós fofinhos em uma reunião feliz é, hoje em dia, cada vez mais rara na vida real, por conta de novos arranjos familiares e do maior número de relacionamentos assumidos entre pessoas do mesmo sexo. Nada mais convencional, porém, do que uma ceia de Natal. Em geral, festas familiares costumam ser regadas a muita risada, alegria e, às vezes, tensão. Imagine, então, que por mais evoluídas que sejam as mentes, sempre alguém vai tecer algum comentário depreciativo sobre a nova namorada do anfitrião recém-divorciado. Ou é o namorado da “desquitada” (por que os mais velhos ainda adoram usar essa palavra?) que se sente incomodado. Conversamos com alguns especialistas que deram dicas para algumas situações bem prováveis de acontecer na ceia de Natal das chamadas “famílias modernas”. Confira as dicas abaixo.

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    Por conta de novos arranjos familiares e do maior número de relacionamentos assumidos entre pessoas do mesmo sexo é preciso rever os comportamentos nos encontros sociais

Uma mulher, de 30 e poucos anos, se separou no início do ano e decide levar o novo namorado na ceia de Natal. Como ela deve se portar em relação aos filhos pequenos?

É importante que os filhos já o tenham conhecido e convivido com o “padrasto” em outros momentos ao longo do ano. A mãe e o padrasto nunca devem desrespeitar o pai das crianças. Se seu nome for lembrado durante o evento, deve ser com respeito.

Ela deve avisar à família que vai levar o namorado?

Com certeza. E pedir, se possível, que não falem sobre o ex nem façam perguntas indelicadas.

E o que deve fazer a família de um homem que acabou de se divorciar e resolve levar na festa a nova namorada?

Recebê-la bem e demonstrar – ou tentar demonstrar – que estão felizes com a nova relação, mesmo que ainda estejam abalados com o divórcio. O ideal é que se mostrem interessados pela vida da moça, mas sem investigar. Interrogatórios, nem pensar! É importante que todos aceitem a presença dessa nova pessoa e evitem ao máximo fazer comentários constrangedores do tipo: “Na época da fulana as coisas eram diferentes”.

O ex-marido de uma mulher resolve participar da ceia da família dela por causa dos filhos. E agora?

Não é necessário que o ex passe o Natal com a ex e os filhos, pois na separação, normalmente, fica combinado que as datas festivas serão alternadas. Portanto, em um ano o pai passa o Natal com os filhos e a mãe o Ano Novo e no ano seguinte inverte. Vamos supor, porém, que o pai e a madrasta se relacionem muito bem com a ex e o padrasto e combinem de passar a data juntos. É fundamental que nenhum assunto polêmico sobre relacionamento seja pauta da conversa e todos precisam se lembrar de que só estão ali reunidos por causa das crianças nesse momento especial.

Ex e atual se encontram na ceia. Como o atual deve agir nessa situação?

Ele precisa entender que os familiares podem ter um carinho especial pelo pai das crianças e isso não significa que ele não seja benvindo. É delicado que ele leve presente para seus sogros e para as crianças, além da namorada, claro! O namorado deve ser simpático com todos, e não deve chamar muita atenção sobre si mesmo. Afinal, trata-se de um primeiro contato e será prudente conhecer melhor o terreno onde estará pisando.

Sou a nova mulher de fulano e vou passar a ceia com a família e os filhos dele. Todo mundo adora a ex dele. Como devo agir?

Essa é mesmo uma situação bastante complicada e vai exigir muita segurança pessoal e discrição da sua parte. O mais acertado é deixar claro por meio das atitudes e comportamentos que não está disposta a competir pelo lugar da antiga companheira dele e que respeita o quanto a ex é querida. Porém, não se deixe constranger ou se humilhar; seja elegante, apresente-se bem e discretamente vestida e não deixe de se posicionar. Evite confrontos ou muita amizade. Educação, comedimento e bom senso ajudam a fazer uma boa figura. O importante é que todos entendam que a ex-mulher pode ser querida, mas quem está no jogo agora é você. E evite assuntos polêmicos; melhor falar de amenidades.

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    Casais homossexuais devem evitar intimidades em público nesse tipo de evento, como mãos dadas e beijos, aconselham os especialistas em etiqueta

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Assumi que sou homossexual e vou levar meu namorado na ceia. Como lidar com:

Olhares maliciosos: essa realidade é, de fato, uma situação normalmente complicada para os familiares, principalmente para os de mais idade. Se perceber uma cara feia, um olhar estranho, sorria, ignore, nunca feche a cara ou reclame. Se for muito ruim e o casal não se sentir bem, acolhido ou integrado, basta não ir mais a eventos familiares. Uma pena, mas não devemos ir onde não somos benvindos ou onde não nos sentimos bem.

Piadinhas inconvenientes: finja que não escutou e mude de assunto quando ouvir comentários do tipo “ele já tinha jeito desde criança”. Tudo depende muito de o casal estar bem resolvido com sua orientação sexual. O comentário pode ser ignorado e outro assunto vir à tona, ou ainda o casal homossexual pode compartilhar das lembranças. Boas sugestões são frases do tipo “É mesmo? Quando foi que você percebeu? Os estudos dizem mesmo que..." e ainda dar uma aula sobre homossexualidade.

Desprezo ou ignorância de alguns: sorrir, deixar que se acostumem (ou não) com a novidade. Não causar nenhum constrangimento, ou seja, não é hora de ficar de mãos dadas ou mostrar muita intimidade. Mesmo que o casal fique chateado e seja a verdadeira vítima, não deve dar mais munição aos inimigos.

E como um casal homossexual deve se portar? É bom evitar beijos na boca, por exemplo?

Exato, devem evitar beijos e mãos dadas. Não adianta querer que todos achem que aquele comportamento é adequado. Não adianta querer falar sobre direitos ou sobre preconceito nesse momento. É importante respeitar os mais velhos, principalmente, que ainda podem ter dificuldade para compreender esse tipo de relacionamento. Será mais fácil para eles respeitarem e até virem a compreender se o casal não causar constrangimentos. Pois, sim, um beijo entre homossexuais em um ambiente heterossexual pode causar muito constrangimento. Aliás, discrição e elegância são sempre boas atitudes para quem ama, seja um casal gay ou não.

Fontes:

Lícia Egger Moellwald, consultora em etiqueta pessoal e corporativa (SP)

Ligia Marques, consultora em etiqueta e marketing pessoal (SP)

Maria Aparecida de Araújo, consultora de comportamento profissional, etiqueta social e internacional, marketing pessoal, cerimonial e protocolo (SP)

Roberta Palermo, psicóloga e autora de “Madrasta – Quando o Homem da Sua Vida Já Tem Filhos” (Ed. Mercuryo)

Sabina Donadelli, consultora de imagem (SP)

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