Comportamento

Cuidado com as emoções tóxicas

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Evite se agarrar em emoções como mágoa, raiva, tristeza, ansiedade e afins imagem: Getty Images/Thinkstock

GISELA RAO
Colaboração para o UOL

Já viu um panda agarrado a um bambu? É mais ou menos assim que, às vezes, até sem perceber, as pessoas se agarram a algumas emoções - como mágoa, raiva, tristeza, ansiedade e afins. Um exemplo? Você levou um fora, já passou um tempão, mas há tanta raiva acumulada que nem o incrível Hulk a seguraria. Outro exemplo? Seu chefe a mandou embora, você já está em outro emprego, mas chora toda vez que vê a canetinha com o logotipo da ex-empresa na sua bolsa. O problema é que, quando em excesso, essas emoções se tornam tóxicas e aí é um passo para as doenças fazerem a festa.

“As pessoas funcionam em um eixo psicossomático. Acredito que grande parte dos distúrbios e disfunções orgânicas tenham sua origem em problemas de natureza psicológica. O que acontece? Receber uma descarga hormonal (adrenalina) em alguma situação de estresse é normal. Mas, se o estímulo que a desencadeou já não existe mais, e o corpo continua se sobrecarregando de cortisol, aí é problema”, explica Artur Zular, presidente do departamento de medicina psicossomática da Associação Paulista de Medicina (APM) e autor do livro “Sucesso sem Stress” (Editora Best Seller).  

Para o cardiologista, a maioria das pessoas que alimenta as emoções tóxicas tem um padrão de funcionamento emocional repetitivo. “É como se o indivíduo fosse condicionado, como se um “software” fosse instalado em sua mente desde a infância e, então, fica bem difícil sair desta zona de conforto”, completa Zular.

Sai que esse corpo não te pertence!

Os especialistas dão dicas para você se livrar das toxinas emocionais:

“Naturalmente vivemos em função de símbolos e procuramos alimentá-los dentro de nós - seja um parceiro ou uma parceira. Se não der certo, parta em busca de outros. A vida sempre continua. Já diz o ditado: ‘Papa morto, Papa posto’. Agora, se o desligar-se for difícil demais, a hipnose quântica pode ajudar. Por meio de uma comunicação não verbal consegue-se entender melhor as emoções e a decodificá-las. Assim, é possível ficar livre de bloqueios.” – Leonard Vera, psiquiatra especializado em hipnose clínica

“Quando você deseja muito uma coisa e ela não acontece, cria-se uma energia, um desgaste tão grande que a emoção acaba atropelando tudo. E aí vem uma forte mágoa. Mas por que isso acontece? Por causa do medo, por exemplo, de achar que você não é bom o suficiente. O mecanismo que você cria é assim: ‘Se eu preciso ser a melhor, eu estou dizendo que não sou a melhor. Ou seja: tenho de me desgastar mais’. O que fazer? Quando começar este processo do ‘eu preciso’, pergunte-se: ’Eu estou brigando com o que dentro de mim? Que conflito é esse? O que falta para que eu me sinta bem sem entrar em uma energia de competição interna?’. A compreensão faz toda a mudança” – Lucia Rodrigues, consultora em criatividade quântica

“Invista em bom humor! Um experimento propôs aos voluntários que eles receberiam um pequeno choque a qualquer momento. Uma parte dos indivíduos apenas esperou pelo choque, outra parte esperou ouvindo um áudio sem conteúdo humorístico e um terceiro grupo esperou pelo choque ouvindo um áudio com conteúdo de humor. O áudio de humor foi capaz de reduzir a ansiedade antecipatória ao choque.” – Ricardo Teixeira, neurologista e colunista do site “Atmosfera Feminina”

“Ponha o seu foco na percepção, na elaboração e na atuação. Percepção é desligar o piloto automático, indignar-se com a situação. Elaboração é procurar ajuda na psicologia, espiritualidade e afins. E atuação é ‘botar a mão na massa’, gastar energia para mudar, levantar-se da cadeira.” – Artur Zular, especialista em medicina psicossomática

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