Vida no trabalho

Livre-se desse complexo de rejeição

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Está na hora de você começar a se preocupar menos com a opinião dos outros imagem: Thinkstock

GISELA RAO

Colaboração para o UOL

 Quando eu era criança, um professor de biologia mandou fazer uma experiência: deveríamos plantar dois feijões em duas canecas. Quando as plantinhas tivessem crescido, deveríamos fazer assim: elogiar e falar boas palavras para a primeira e ignorar totalmente a segunda (ambas seriam regadas igualmente e ganhariam a mesma cota de sol). O resultado foi impressionante: a primeira planta cresceu linda e “confiante”; a segunda, cresceu minguada, “triste” e bem menor que a outra.

Com essa experiência dá para perceber bem o terror que é a energia da rejeição. Mas vamos entender melhor como a sentimos em nós. “Crescemos observando as reações ao nosso redor como uma descoberta de quem somos, assim criamos nossos conceitos a partir das percepções que temos. Realizamos sempre acreditando que estamos fazendo o melhor, mas o retorno dos outros nem sempre é o que esperamos. Então, para nós, a informação que acompanha uma rejeição é a de que alguma percepção de nossa realidade está errada. Por isso a sensação se parece tanto com a de fracasso e a de se sentir indigna” – afirma, Lucia Rodrigues, consultora em criatividade quântica.

 Para a consultora,  já que fizemos o melhor, tentamos compreender porquê não fomos compreendidos, assim vamos alimentando essa dor cada vez mais. Até chegar no sentimento de culpa. “E o que é a culpa? É nos arrependermos de não termos feito algo melhor por não saber. Mas como podemos nos arrepender de algo que não sabíamos?”, completa Lucia.

Para o psiquiatra Dr. Leonard Verea, especializado em hipnose dinâmica, é importante se perguntar: “A pessoa está realmente me rejeitando ou sou eu própria quem está fazendo isso?”. Se a resposta for a primeira opção, Dr Leonard sugere que você diga em alto e bom som: “Quem me trata assim, não me merece!”. “Não existe o ideal de pessoa certa. Então, eu proponho que deixemos de lado esses rótulos negativos – a rejeitada! – e comecemos a alimentar símbolos mais positivos. Temos que parar com essa história de nos preocuparmos tanto com as opiniões dos outros. No caso do amor, se ninguém se questiona por que a paixão começa, por que vai se questionar quando ela acaba, achando que a culpa é dela? Temos que ter mais humildade e aceitar que a paixão vem e vai”.

 

  •  O retorno dos outros nem sempre é exatamente o que esperamos

4 PASSOS PARA SE LIVRAR DA  CARÊNCIA

 

Sim, definitivamente a carência e complexo de rejeição andam de mãos dadas. É muito difícil ver uma pessoa autoconfiante se achando "a desprezada". Para diminuir essa característica, a americana Sukie Miller, psicóloga junguiana (ph.D), ensina um exercício revolucionário:

1- Pegue uma imagem que você acha que simboliza a sua carência. Pode ser sua própria foto da infância ou de algum bichinho abandonado, por exemplo... 

2- Recorte e cole num lugar que você vê sempre  (na frente do computador no espelho etc)

3- Dê um nome para esse serzinho, dê uma personalidade para ele: do que ele gosta? Do que não gosta?

4- Alimente, converse e brinque com ele  todos os dias (num plano imaginário). Dê café da manhã, almoço, jantar. Faça isso todos os dias.

Dessa forma, você leva sua própria carência para fora de você. E passe a vê-la como um observador e não como uma vítima dela. Por mais que pareça simples, funciona e muito. Experimente! Sê você veio até aqui é porque está procurando algo novo para lidar com esse problema.

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