Relacionamento

Mulheres que tratam os parceiros como filhos podem afundar o relacionamento

Rogério Cassimiro/UOL
Klaus Junginger, que diz não querer mais mulheres que cuidem excessivamente dele imagem: Rogério Cassimiro/UOL

GISELA RAO

Colaboração para o UOL

Não faltam mulheres que tratam seus maridos ou namorados como filhos. Algumas se recusam a admitir que certos cuidados deveriam ser dedicados apenas às crianças. Acreditam que é uma maneira de demonstrar amor. Mas será que é mesmo? Ou tentar criar uma dependência seria uma forma de controle?

Priscilla Andrade, de 30 anos, assume que ocupa o papel de mãe do namorado. “Faço de tudo para ele. Compro cueca, procuro emprego, me preocupo se ele está na rua até muito tarde, se tem comida em casa...”, exemplifica. Segundo ela, a intenção é estimular o namorado e cuidar dele. “Acho que posso fazer melhor as coisas que ele faz por si mesmo". Mas, apesar disso, ela admite que há uma outra razão. "Penso, que, se eu for útil, ele não vai me largar. No fundo, é uma forma de controle.”

Para a psicóloga Silvia Pedrosa, uma mulher que trata seu parceiro como filho, provavelmente, foi criada em uma estrutura familiar de características machistas, onde a mulher é responsável pelos cuidados com lar e com a família em geral. Ela foi educada para servir e, quando se relaciona, desempenha esse papel, às vezes, sem perceber. O parceiro que aceita esse código de relacionamento, geralmente, identifica na mulher a própria mãe.
 
“O grande problema desse tipo de relação é que o homem precisa de uma mulher e, fazendo isso, ela deixa de ter uma identidade, tornando-se alguém que está constantemente servindo e preocupada com o outro”, explica Silvia. “Ao longo do tempo, isso gera um desgaste, principalmente na mulher, que começa a se sentir sobrecarregada e infeliz com tantos afazeres e responsabilidades.”

Para muitos homens, esse tipo tratamento também não é positivo. Klaus Junginger, de 35 anos, desabafa: “Quando isso começa, a gente pensa que é mimo e acha legal. Mas esse é um lado da moeda. O outro é aquele que logo fica perceptível, como ‘está frio, leve um casaco’ ou ‘onde você esteve? está tarde e é perigoso’. Aí, não dá para aguentar”. Klaus diz, ainda, que, para ele, esse tipo de relação não serve. “Alguns homens podem achar que isso é o paraíso. Mas, para mim, é o inferno.”

Você está ultrapassando o limite quando...

Para a terapeuta junguiana Neiva Bohnenberger, a fronteira entre ser mulher e mãe em um relacionamento é muito tênue e nem sempre perceptível. “Cuidar é natural quando amamos. Para a mulher é mais do que natural. Mas confundimos esse cuidado quando ele passa a ser um exercício de poder, por medo de ficar sozinha, ser abandonada, criticada ou não ter os esforços reconhecidos", explica. Neiva sugere observar se o seu comportamento apresenta algumas das características abaixo. Se a resposta for sim, é hora de repensar suas atitudes.

SINAIS QUE DENUNCIAM QUE HÁ ALGO ERRADO

- Fazer concessões em detrimento das próprias necessidades

- Tomar atitudes temendo perder parceiro

- Durante discussões, ofender com violência ou ameaças

- Fazer tudo por ele, mesmo aquilo que ele poderia fazer 

- Usar raiva, culpa, expectativas e mau humor para manipular

- Esperar que o outro preencha suas carências

- Sentir que perdeu a individulidade

- Invalidar os sentimentos próprios ou do parceiro

Fred Wagner, autor do blog “Pergunte ao Fred” (que fala sobre o universo masculino), dá algumas pistas para as mulheres que têm tendência a serem mães de seus amados. "Elas precisam se policiar", diz ele. Veja as sugestões de Fred:

 

SETE MEDIDAS PARA CORTAR A RELAÇÃO MATERNAL COM SEU PARCEIRO

Não deixe o homem se acomodar, fazendo todas as vontades dele. Divida as tarefas domésticas e familiares, mesmo que a dinâmica da família esteja habituada a você fazer tudo. Converse, negocie
Pare de lembrá-lo a toda hora de levar um casaco na hora de sair ou coisas do gênero. Se ele ficar doente, não o encha de mimos e carinhos. Deixe-o pegar uma gripe para aprender
Cuidado com os apelidinhos como “thuthuco” e “pituquinho”. Evite falar com ele ao telefone como se fosse uma criança de três anos
Não o trate como um inútil. Deixe-o se virar de vez em quando, afinal, não é tão difícil ligar o forno para esquentar a própria comida
Não ligue a toda hora para saber como ele está. Assim, ele ficará com saudade de você -e não sufocado
Não tente vestir um homem. Se ele é desleixado, aceite. Se ele não se importa de sair descabelado e com a camisa amassada, o problema é dele. Se não está satisfeita é melhor trocar por outro
O homem está sempre em busca de cuidados. Alguns até gostam de todo esse mimo materno, mas sem exageros. Procure o equilíbrio

 

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