Comportamento

Aposentadoria: fim ou começo de uma vida mais feliz? Assista ao vídeo

KATIA DEUTNER

Colaboração para o UOL

O UOL Comportamento foi às ruas para descobrir se a aposentaria mudou para melhor ou pior a vida de alguns casais. Assista aos depoimentos:

Geraldo* trabalhou durante 35 anos em uma estatal até se aposentar. Depois de tanto tempo trabalhando, era a hora de aproveitar a vida e curtir mais a família. Sua esposa se aposentou um ano depois. Mudaram-se então para o interior para ter “tranquilidade e sossego” e viver o sonho de “não fazer nada o dia inteiro”. O que ele não sabia é que sua decisão ia influenciar negativamente o seu futuro.
 
Cinco anos foram suficientes para que o aposentado ficasse seriamente deprimido. “Não saia mais de casa, só ficava na internet. Cheguei a ter medo de colocar o pé na rua. Minha mulher desenvolveu uma doença conhecida como transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e passou a limpar a casa como uma louca. Não recebíamos mais visitas e, aos poucos, me distanciei da minha família”, relata emocionado.

Geraldo não é o único a sofrer com o fim da jornada de trabalho diária. “Os homens estão propensos a sofrer mais. Para eles, é muito difícil lidar com essa nova fase. Eles se sentem improdutivos e têm mais dificuldades em se relacionar com outras pessoas. Por isso, é comum desenvolverem depressão”, explica a psicóloga Jorgete de Almeida Botelho, membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, do Rio de Janeiro (RJ).
 
Isso significa que as mulheres são mais fortes?  Na verdade, não. Elas sentem tanto quanto os homens. “Só que a diferença é que elas possuem funções domiciliares mais definidas, o que facilita a realização de outras tarefas quando se aposentam. O maior desafio enfrentado por elas é incorporar o marido nos afazeres domésticos”, afirma a psicóloga.

Brigas e desentendimentos
“É esperado que no início dessa nova fase existam conflitos e desentendimentos entre o marido e a mulher. É preciso um ajuste diário e muita paciência nesse período de transição”, explica Jorgete.
 
A ausência dos filhos também pode afetar a vida do casal. “É a 'síndrome do ninho vazio'. Depois que os filhos crescem e saem de casa, os pais precisam aprender a usufruir e a preencher juntos o tempo disponível”, explica a psicóloga carioca.
 
“A aposentadoria não será uma lua de mel sempre. A vida a dois é investimento e construção diários e eternos. Sempre temos algo para aprender e ceder”, comenta a psicóloga Eliana Novaes Procópio de Araújo, mestre em Gerontologia pela PUC-SP.
 
O melhor é evitar discussões e aprender a lidar com as diferenças e o comportamento do outro. “Fique atento para perceber brigas que não existiam antes, mas que agora emitem um sinal de alerta de que algo não vai bem no relacionamento”, avisa o psicólogo Alexandre Bez, especialista em relacionamentos pela Universidade de Miami e em ansiedade e síndrome do pânico pela Universidade da Califórnia.

Os especialistas entrevistados pelo UOL Comportamento citaram dez comportamentos que podem gerar conflitos entre o casal.

DEZ COMPORTAMENTOS QUE GERAM CONFLITOS

1. Ficar de pijama o dia inteiro
2. Ficar sentado no sofá assistindo televisão por horas
3. Mulher reclamar da falta de iniciativa do homem para ajudar a arrumar a casa
4. Homens ou mulheres que invadem o campo do outro em suas principais atividades, deixando o cônjuge confuso em seu senso de valor e competência
5. Superproteção dos netos ou a falta de limites
6. Bebidas alcoólicas em excesso
7. Deixar a casa bagunçada, como uma toalha molhada na cama ou chinelo fora do lugar
8. Impor regras de afazeres
9. Proibir saídas ou dificultar que o cônjuge tenha atividade externa
10. Falta de atenção em conversas

Cinco dicas para viver melhor

Veja abaixo cinco maneiras de ser feliz e ter um bom relacionamento após a aposentadoria:

  • Realize atividades que
    tragam prazer aos dois

1ª DICA: ocupar o tempo de forma leve e prazerosa

“Hoje em dia, os aposentados têm um leque muito grande de atividades que ajudam a diversificar a rotina. Fazer cursos de informática ou pintura, praticar exercícios físicos leves ao ar livre, aprender dança de salão e participar de um coral são boas sugestões para ocupar o tempo com atividades divertidas e prazerosas”, orienta a psicóloga Jorgete de Almeida Botelho. Mas o casal não deve se esquecer de que cada um deve ter a sua atividade. “Ocupações individuais são um bom antídoto para o marasmo e para o sentimento de inutilidade”, afirma o psicólogo Alexandre Bez.

2ª DICA: enfrentar a nova fase com planejamento

Estipule um novo projeto de vida, baseado em atividades que tragam prazer e sentido aos dois, de forma a realizar sonhos e desafios mais simples. Crie amizades e ocupações que levem a uma convivência social com pessoas que estejam na mesma fase de vida que vocês.

3ª DICA: faça economia

“É importante se preparar economicamente antes de se aposentar. Fazer planos de aposentadoria privada ajuda a guardar dinheiro para aproveitar depois”, aconselha o psicólogo Alexandre Bez. Com as economias, o casal pode viajar ou realizar outras atividades sem se preocupar com os gastos.
  • Se não conseguir resolver
    os conflitos sozinho, procure
    a ajuda de um profissional

4ª DICA: os filhos não devem invadir a privacidade do casal

Os filhos não devem dar palpites, tomar decisões pelos pais, fazer com que eles mudem de casa ou obrigar que todos morem juntos. O casal deve ter sua casa, suas próprias atividades e decisões rotineiras. Os filhos devem cooperar e estimular a independência e a autonomia dos pais. "A longevidade é um fato mundial e o envelhecimento deve ser encarado como uma fase da vida com sua peculiaridades”, avalia a psicóloga Eliana Novaes.

5ª DICA: procurar ajuda profissional se houver sérios conflitos

“Com a aposentadoria, é necessário atualizar o relacionamento e reformular a relação. Quando o casal não consegue fazer isso sozinho, é recomendado procurar ajuda profissional”, aconselha a psicóloga Jorgete Botelho.

* O nome foi alterado para preservar a identidade do entrevistado.

Topo