Comportamento

Mulheres com "cara de mãe" fazem sucesso entre os rapazes e na indústria pornográfica

Arte/UOL
No Brasil, o termo MILF não é tão conhecido. Mas, por aqui, as mulheres maduras também fazem sucesso imagem: Arte/UOL

ALESSANDRA MOURA

Colaboração para o UOL

Dois garotos observam o retrato da mãe de um colega de escola e gritam: "MILF! MILF! MILF!...". Mais tarde, a tal mãe é seduzida por um amigo de seu filho e os dois acabam transando, sobre uma mesa de sinuca. As cenas são de "American Pie – A Primeira Vez É Inesquecível". O filme é o responsável por popularizar o termo "MILF", que nasceu em fóruns da internet, em meados de 1990. Mas você já ouviu falar em “MILF”? A sigla em inglês, que significa "mom I'd like to fuck", pode ser traduzida por algo como “mães com quem eu gostaria de f****”. E o termo já tem uma variação: "GILF", quando, em vez de mães, o alvo do desejo são as avós ("grandmother", em inglês).

Segundo um estudo publicado em abril de 2011, no livro "A Billion Wicked Thoughts" (Um bilhão de maus pensamentos, em tradução livre), o termo “MILF” é o terceiro mais buscado quando o assunto é sexo –perde apenas para “Youth” (juventude) e “Gay”. Os autores da pesquisa são Ogi Ogas e Sai Gaddam, neurocientistas da Universidade de Boston. Para confirmar a tendência, em nono lugar está “Mature” (maduro), que é uma palavra mais sutil para a busca de conteúdo sexual com pessoas mais velhas. "Nos filmes pornôs nacionais, 'MILF' não é tão usado. As traduções que se encaixam melhor são coroas ou maduras”, diz Leandro Moran, sócio da produtora de conteúdo adulto Buttman. Este nicho não é o mais popular entre os homens, mas o grande interesse prova que o mundo está mais aberto para assumir que pessoas maduras têm, sim, apelo sexual.

Puras e impuras

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    A atriz Jennifer Coolidge, que interpretou a cobiçada mãe do Stifler, no filme "American Pie – A Primeira Vez É Inesquecível"


A atração pela figura materna acontece tanto por sua força quanto por sua proibição. E o interesse por mulheres mais velhas não é modismo. "Esse desejo é natural, no sentido de que o primeiro amor é o materno e continua por toda a vida", explica a psicanalista Maria Laurinda Ribeiro de Souza, membro e professora do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo. Quando percebem que existe o amor erótico, os meninos passam a se interessar por outras mulheres. “Esse primeiro amor é idealizado –e, muitas vezes, serve de modelo para escolhas futuras– e dividido, para que a figura da mãe seja despojada de todo erotismo”, diz Gisela Haddad, psicanalista e autora do livro "Amor e Fidelidade" (Ed. Casa do Psicólogo).

“A mãe precisa ser pura, santa, sem erotismo aparente. Mas mulheres que esbanjam sensualidade jamais poderiam ser mães. Na cultura burguesa, era normal que homens tivessem uma vida sexual paralela ao casamento –era uma maneira de ajustar socialmente esta complicada divisão", diz Gisela Haddad. Mas os tempos mudaram: além de não aceitar mais esta situação, a mulher também conquistou sua liberdade. Ela pode ter uma vida sexual ativa, escolher quando se casar e ter filhos. “A maternidade passa a ter um lugar tardio ou secundário na vida da mulher. E as crianças dessa geração tentam, mais tarde, compensar a ausência da mãe nos primeiros anos de vida”, afirma Maria Laurinda. Assim, no futuro, o filho reencontra na “mulher-mãe” o cuidado que lhe faltou quando ainda era pequeno.

Maduras e independentes
Com tanta mudança no universo feminino, o homem está procurando novas maneiras de se relacionar com a mulher. “Uma delas é aceitar que elas podem ser, ao mesmo tempo, mães e mulheres; podem ser maternais e, em outros momentos, esbanjar sexualidade”, explica a psicanalista Gisela. E é assim que a ideia de se relacionar com aquela moça que já tem filhos deixa de ser aterrorizante e se transforma em uma alternativa. "A maternidade pode ser um grande estimulador, pois é uma consequência da sexualidade da mulher. E o homem que não quer ter filhos tão cedo sabe que ela não irá pressioná-lo –afinal, ela já tem o seu”, diz Sergio Klepacz, psiquiatra do Hospital Samaritano de São Paulo.

Mais do que se encaixar no papel da mãe, a mulher mais velha é vivida, confiante, e, em geral, já se estabeleceu profissionalmente. Foram estes atrativos que chamaram a atenção do administrador Otávio Oliveira, 28, em sua estadia na Inglaterra. Então com 22 anos, Otávio arrumou uma companheira de 35. “Ela era funcionária de um banco suíço, tinha grana, me levava a restaurantes. Isso era bom, claro, mas o que me atraiu mesmo foi que ela tinha um bom papo, era mais madura, independente. Fora que tinha um grande apetite sexual! A idade não faz diferença alguma, o que importa é que a gente se dava bem”, garante o rapaz.

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