Comportamento

Pacientes com câncer mantêm a autoestima e a confiança para combater a doença

Haroldo Saboia/UOL
Monike Kineippe, de 22 anos. Há três anos, um médico lhe deu apenas seis meses de vida. imagem: Haroldo Saboia/UOL

MARCELO DUARTE JATOBÁ

Colaboração para o UOL

A notícia chega e assusta. Saber que o médico diagnosticou um câncer parece, à primeira vista, uma sentença de morte. Mas é só o impacto imediato. Não são nada raros os casos de cura ou sobrevida de qualidade. O ator Reinaldo Gianechini, por exemplo, comoveu milhares de pessoas, reage bem ao tratamento e participa de uma campanha em apoio aos que sofrem da mesma doença. O ex-presidente Lula mostra bom humor durante a batalha contra o câncer na laringe e até divulgou uma foto sua sem cabelos e barba (sua marca registrada). E tem muita gente que, mesmo com uma torcida infinitamente menor, encara bem o problema e mantém a autoestima elevada.

“Pessoas com maior capacidade de enfrentamento das adversidades, otimistas, têm muito mais chances de seguir em frente, de uma maneira melhor, aumentar bastante a sobrevida e até conseguir a cura", afirma a psicóloga clínica e psicoterapeuta Trina Portal. “Algumas pessoas fazem de um problema pequenininho uma coisa enorme. Outras recebem uma notícia como a de um câncer e conseguem tirar força de algum lugar e lutar para viver.”

Além de não representar o fim da linha, o câncer pode provocar uma espécie de ressignificação da vida. Aqueles que conseguem superar tudo o que essa doença traz adquirem uma capacidade maior de valorizar o que têm. “Há pessoas que vivem mais felizes e intensamente depois de um susto desses. Para isso, é preciso ter capacidade de enfrentamento, resiliência, otimismo e esperança”, diz a psicóloga.

Outros pontos importantes no processo de tratamento e recuperação, segundo Trina, são: a participação da família e amigos, uma equipe médica sensível e preparada, a fé do paciente e a espiritualidade -ainda que desligada de religiões.  Os familiares e amigos precisam conversar francamente e aceitar as dores e revoltas do paciente. “Ele precisa falar dos seus medos, do sofrimento, mostrar a raiva e a tristeza. Isso é terapêutico”, diz a Trina.

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