Comportamento

Thalita Rebouças, autora de livros para adolescentes, lança obra voltada para os pais

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"Sinto-me honrada em fazer companhia para os adolescentes", diz Thalita Rebouças imagem: Divulgação

EDUARDO HEERING

Do BOL

Um sonho de criança que se tornou realidade. É assim que pode ser definida a carreira da escritora Thalita Rebouças, 37 anos, nascida na cidade do Rio de Janeiro. “Sempre gostei de contar e ouvir histórias. Escrevia muito na minha agenda e depois de algum tempo comecei a escrever uns livrinhos. Devia ter uns 10 anos na época”, conta Thalita.

Jornalista formada, Thalita deixou a carreira de repórter há 11 anos para se dedicar aos livros. “Decidi deixar as redações quando descobri que o livro ‘Traição entre amigos’ tinha vendido quatro mil cópias só no boca a boca. Foi aí que percebi que o passatempo podia ser minha profissão”, diz a autora.

Desde quando passou a se dedicar somente à criação de histórias, Thalita já escreveu 13 obras. Com muito bom humor, Thalita passou a abordar situações e dilemas recorrentes entre jovens, virando uma das escritoras favoritas entre os adolescentes.

Entres suas obras de mais sucesso estão os livros da série “Fala sério”, iniciada com a obra “Fala Sério, Mãe”, e que hoje tem seis títulos. Na série, a autora conta as principais passagens da personagem Malu, de sua família e de todos que a cercam. A mais nova criação de Thalita é o livro “Fala sério, filha! - A vingança dos pais”, que será lançado oficialmente no dia 7 de dezembro.

Em entrevista para o BOL, Thalita Rebouças fala um pouco mais sobre o início da carreira e de sua nova obra. Leia, abaixo, a entrevista completa.

BOL: Como surgiu o interesse por literatura e o desejo de se tornar escritora?

Thalita Rebouças: É um sonho muito mais comum que as pessoas pensam; recebo e-mails de pessoas de 8 a 80 anos e é grande a quantidade de crianças querendo ser escritoras. Principalmente as meninas, elas adoram escrever em agendas e diários. Eu comecei assim, sempre gostei de escrever, tinha meu diário. Sempre gostei de contar e ouvir histórias. Escrevia muito na minha agenda e depois de algum tempo comecei a escrever uns livrinhos. Devia ter uns 10 anos na época.

BOL: Como foi o processo em que você decidiu passar de jornalista a escritora?

Thalita: Me formei em jornalismo, mas jornalista não pode inventar história. Fiquei com muita vontade de realizar meu sonho. Me sentia realizada como jornalista, achava que seria mais uma repórter que escreve um livro de vez em quando. Decidi deixar as redações quando descobri que o livro ‘Traição entre amigos’ tinha vendido quatro mil cópias em um ano, que é muito para o mercado editorial. Isso foi só no boca a boca. Foi aí que percebi que o passatempo podia ser minha profissão. Devo muito aos leitores mesmo. Hoje você coloca no Orkut, Facebook e Twitter e em segundos ‘maior galera’ já está sabendo. Na minha época não tinha isso, foi divulgação de quem gostou do livro mesmo.

BOL: Você fala do universo jovem, mas atrai público de todas as idades. O que causa interesse tão amplo pelos seus livros?

Thalita: Comecei a escrever baseada em minhas paixões quando era mais nova. Autores como Luis Fernando Veríssimo, Fernando Sabino e João Ubaldo, que escreviam crônicas maravilhosas e eram grandes observadores da vida. Resolvi retratar o cotidiano do adolescente de forma bem-humorada, e todo mundo gosta de rir. Quando ninguém me conhecia, foi uma forma de fisgar o adolescente e outros leitores.

BOL: Como surgiu a ideia de escrever o “Fala Sério, Filha!”?

Thalita: Desde quando lancei o “Fala sério, mãe”, as mães me pedem uma resposta. Depois fiz o “Fala sério, pai”, aí os pais ficaram indignados e queriam se vingar, porque a Malu era muito abusada. Achava muito divertido isso. As mães e os pais dos leitores também querem falar “Fala sério”; quando eles ouvem um “fala sério, mãe”, eles querem responder: “Mãe não, fala sério, filha!”. De repente percebi que tinha mil histórias ótimas para contar. Queria mostrar o lado deles também, agora os pais falam sobre quando a Malu está com uns 16 anos até os 21. Foi bom dar voz para eles nesse período em que ela se achava mais adulta.

BOL: O que os fãs podem esperar dessa obra?

Thalita: Os leitores podem esperar muitos risos e vários momentos de reflexão. Quero que aconteça o mesmo que com o “Fala sério, professor”. Muitos professores me falam que os alunos os abraçam mais, que ficam mais carinhosos e começam a entender o lado dos professores. Os pais também dizem que aprenderam a entender melhor os filhos. Agora é hora de os filhos entenderem o lado dos pais. De como não é fácil criar adolescentes e pré-adolescentes.

BOL: Qual parte do “Fala Sério, Filha!” você mais gostou de escrever?

Thalita: Gosto muito de uma crônica que fiz baseada em uma história que o ator Marcius Melhem me contou. Ele tem uma irmã de uns 12 anos e disse que seu maior pânico é ver a irmã com um namorado com cara, roupa e cabelo de adolescente, mas com a perna cabeluda de homem. Nunca tinha pensado nisso, que o homem pode se assustar com uma “perna cabeluda namorando a filha”. Então, criei uma conversa entre a perna do namorado da Malu com o pai dela. Me diverti muito criando essa cena. O livro todo é o meu favorito de toda a série, foi o que mais me deu prazer escrevendo.

BOL: Esse será o último livro da série “Fala sério”?

Thalita: Quando escrevi o “Fala sério, mãe”, nem suspeitava que fosse virar série. Ai, começaram a surgir os pedidos. Todos os dias recebia e-mails pedindo “Fala sério...” professor, amor, pai, vó, irmão, doutor e por ai vai. Então parei de falar que um livro é o último da série. Se houver boas histórias de outros núcleos que rodeiam a Malu, vou escrever. Me divirto muito falando sobre ela e acho bacana que as pessoas gostem de acompanhar a vida da Malu.

BOL: Nesses 11 anos de carreira, o que mudou na escritora desde a primeira obra?

Thalita:  Eu era uma pirralha com 25 anos, acho que a maturidade só traz coisas boas. Minha escrita melhorou, acho que, quanto mais a gente faz uma coisa, melhor a gente fica. Gosto mais da minha escrita nos meus últimos livros. Mas continuo amando adolescentes, adoro dialogar com eles.

BOL: Na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, você foi eleita a “escritora favorita dos adolescentes”. Como você encara esse sucesso e o assédio dos fãs?

Thalita: É maravilhoso. Desde o momento que abandonei o jornalismo para viver da minha imaginação, de um sonho de criança, sempre esperei por isso. Ser reconhecido pelo trabalho é algo que todos almejam. Sinto-me honrada em fazer companhia para os adolescentes em uma época em que eles só pensam em celulares, iPads, computadores e tudo mais.

BOL: Você gosta de interagir com os fãs pela internet?

Thalita: Sou totalmente do mundo online, tenho 168 mil seguidores no Twitter, converso com eles até no meio da madrugada. Tenho página no Facebook também. É muito importante, posso responder para pessoas do Brasil inteiro e até mesmo do mundo, tenho fãs na Rússia que me escrevem. Eu adoro.

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