Comportamento

Pessoas submissas como Yuri do "BBB" precisam impor limite a parceiros dominadores

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Laisa e Yuri, do "BBB12"; especialistas dizem que é necessário cortar a dominação pela raiz imagem: TV Globo/Frederico Rozário

Bárbara Stefanelli

Do UOL, em São Paulo

Temperamental e autoritária, a participante do "BBB12" Laisa manda e desmanda no companheiro de confinamento Yuri, com quem está tendo um conturbado relacionamento desde a primeira semana do reality show. A gaúcha também já terminou diversas vezes com o professor de muay thai que, visivelmente apaixonado, sempre acaba dando um jeitinho de retomar a relação, mesmo que tenha de ceder aos caprichos da estudante de medicina.

Mas os especialistas advertem: é necessário cortar esse tipo de dominação pela raiz --seja o dominador o homem ou a mulher--, antes que o modo de lidar com a pessoa se cristalize e a relação permaneça assim para sempre.

Investidas de YuriPatadas de Laisa
“Eu sou louco por você, te acho massa. Nem preciso falar que é linda”, diz Yuri para Laisa, enquanto ela termina com ele."Tira isso aí", diz Laisa para Yuri, que deixara o cavanhaque crescer; ele atendeu ao pedido prontamente.
“Eu sou verdadeiro, eu me entrego para você.”“Tu não faz por merecer. Acabou, encerrou”, diz Laisa a Yuri em um dos términos do casal.
“Eu quero ficar com você, mas você só fez coisa errada.”"O que tu acha?", responde Laisa a Yuri após ele perguntar se ela sentira sua falta.
“Você quer morar comigo?”"O que tu tem? Alguma coisa te ofendeu? Se eu fui grossa, é meu jeito de ser. Mas se você preferir, não falo mais com você."
“Estou mal aqui. Não sei o que eu faço, não sei o que eu penso e nem sei o que eu quero", diz para Laisa em uma das discussões."Assim como eu não gosto de depender dos outros, eu não gosto que dependam de mim. Eu odeio depender de homem."


Segundo o psicólogo Alexandre Bez, especialista em relacionamentos, esse tipo de relação unilateral, em que apenas um do casal tem voz ativa, chega a demonstrar um caráter pré-sádico de ambas as partes: do dominador, que gosta de exercer o seu poder, e do dominado, que muitas vezes se deixa ser humilhado. "As pessoas submissas, normalmente, são mais fracas psicologicamente e mais carentes. Em função dessa carência, permitem que outra pessoa domine e estabeleça as normas da relação. E, por causa dessa passividade, o dominador vai continuar a manter esse modelo", explica Bez.

A psicóloga Suzy Camacho diz que as características de personalidade permissiva de Yuri vêm da infância. “Normalmente, homens como o Yuri estão familiarizados com esse tipo de situação, envolvendo uma figura feminina. Pode ter aprendido esse referencial de autoridade com a mãe ou a avó e acabam se sentindo atraídos por pessoas que dão continuidade a esse tipo de comportamento, pois, inconscientemente, se sentem familiarizados."

Para Suzy, a beleza de Laisa tem um peso fundamental. “Ela é uma mulher bonita e deve ter conseguido muitas coisas na vida com facilidade. Pela beleza, algumas pessoas se submetem a seus caprichos”, diz a psicóloga. A especialista ainda explica que os dois podem se complementar: "Muitos homens com dificuldade de se posicionar ou de ser direto e objetivo até admiram esse tipo de postura [em uma mulher], pois no fundo gostariam de ser assim”.

Corte pela raiz
Apesar das respostas atravessadas e das expressões de reprovação de Laisa, Yuri gosta da garota. Mas, para não ficar com fama de submisso em rede nacional e não se meter em uma enrascada, o rapaz deve impor limites, já que pode estar se envolvendo em um tipo de relação desgastante e duradoura.

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    Relações unilaterais como a de Laisa e Yuri tendem a permanecer assim por muito tempo


Segundo Suzy, uma vez condensado o modo que o dominador trata o parceiro, é um caminho sem volta ou bem difícil de contornar. “O limite tem que ser imposto desde o princípio. Muitas pessoas deixam situações como essa se arrastar durante meses, justamente porque está no início da relação. Com isso, o dominador acaba se acostumando, e não tem mais volta.”

Para o psicólogo Bez, para colocar um fim nesse hábito, o dominado precisa, antes de tudo, se fortalecer e impor limites para promover a mudança. “O primeiro passo é o entendimento da situação em que se encontra. Depois, vem o fortalecimento e, por último, a promoção da mudança comportamental”, explica. "Se não tiver mudança, tem de refletir se vale a pena continuar com uma pessoa assim", diz Suzy.

Elas preferem outro tipo de homem

De acordo com a psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em psicodrama, as mulheres não gostam de homens grudentos, pois tudo que é exagerado não é bom. "Um homem que gruda acaba passando a ideia de ser frágil, inseguro, carente ou submisso, tudo o que uma mulher não quer em um homem", diz. Para Marina, homens como Yuri são o oposto do que a maioria das mulheres idealiza. "Ele pode agir assim por ser muito ciumento e, por isso, costuma controlar a mulher –outra situação que ninguém gosta", diz a psicóloga, que afirma, ainda, que o grude é, sem dúvida, um comportamento mais feminino.

 

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