Comportamento

Jogo online mais popular do mundo influencia relacionamentos amorosos, diz pesquisa

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Thraal, personagem do jogo de RPG online "World of Warcraft" imagem: Divulgação

Rafael Roncato

Do UOL, em São Paulo

Com a chegada da versão brasileira de "World of Warcraft" --o game online mais popular do mundo, com 12 milhões de assinantes--, muitos jogadores passarão algumas horas em frente ao computador em companhia de seus personagens guerreiros. Mas o prazer virtual pode levar à insatisfação real. De acordo com uma pesquisa realizada na universidade de Brigham Young, nos Estados Unidos, divulgada em fevereiro de 2012, jogos online de RPG podem afetar negativamente a vida real de uma casal. Por outro lado, não são poucos os casais que, quando dividem o mesmo gosto, se aproximam ainda mais com os games.

Liderada pela estudante Michelle Ahlstrom e pelo professor Neil Lundberg, a pesquisa analisou 349 casais para saber de que maneira jogos online como "World of Warcraft" afetam a satisfação dos cônjuges. O estudo notou que 75% dos casais interessados em seus personagens virtuais gostariam de dedicar mais tempo ao casamento do que aos grupos do game.

A culpa é do jogo?
"O primeiro passo para identificar um problema no relacionamento é prestar atenção na qualidade dele", explica o psicólogo Alexandre Bez, especialista em relacionamentos pela Universidade de Miami. A infelicidade na relação pode ter vindo primeiro e ser a responsável por tantas horas diante do computador. Com a vida conjugal indo mal, é natural que pessoas a procurarem algo que as satisfaça. "Muitas vezes, perde-se a cumplicidade, deixando uma lacuna, que acaba sendo preenchida por outra atividade, como jogar. E isso acaba dando a entender ao companheiro que o relacionamento não importa mais."

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    Se as atividades do casal não são negligenciadas, jogar não é um problema


O psicólogo ainda comenta que há casos extremos que ele já conheceu, como o de um homem que se divorciou devido à grande dedicação ao mundo virtual. "Ele não só se separou da mulher, mas, também, perdeu o trabalho por ficar jogando", conta.

O estudo da universidade de Brigham Young revela que não é o tempo gasto com jogos que causa insatisfação, mas, sim, os argumentos para jogar ou a falta de horário para deitar na cama. Essas situações acabam levando a problemas, como pouco tempo para a vida conjugal, falta de comunicação e cumplicidade.

"O problema é a sensação de ser deixado de lado por causa de um jogo", explica a psicóloga Luciana Ruffo, membro do Núcleo de Pesquisa em Psicologia da Informática da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Para ela, essa situação acaba gerando um mal-estar entre o casal, além das eventuais brigas e cobranças.

Prazer dividido
Os pesquisadores notaram que alguns dos casais pesquisados são formados por pessoas que jogam juntas, o que leva, em 76% dos casos, a um relacionamento mais positivo e saudável --dentro e fora do mundo virtual. "Nesse caso, existe um ponto em comum entre o casal", diz Luciana Ruffo, que completa: "É mais uma forma de interação."

Para Alexandre Bez, não há problema em conciliar a vida virtual e real no relacionamento. Basta que os horários não sejam muito extensos e que haja convivência entre as pessoas. "Pode jogar junto, brincar à vontade, desde que as atividades do casal não sejam colocadas de lado. É nesse ponto que uma diversão pode ser transformar em algo ruim", explica.

Especialistas dão cinco dicas para você conseguir conciliar vida real e virtual*

1. Tente trazer o outro para o mesmo universo, compartilhando um gosto. Mas não force a barra;

2. Combine horários para jogar e para fazer outros programas, evitando ficar negociando a todo momento (o que é desgastante);

3. Não proíba alguém de jogar e não permita que te proíbam. É uma momento de lazer e exige um acordo razoável para ambos;

4. Pequenos gestos são muito úteis para a manutenção da relação. Não deixe de demonstrar carinho, interesse, ter intimidade.

5. Combinem de sair depois de jogar (e não fure). Compense as horas no computador com passeios, mostrando que gosta de estar com a pessoa com quem você se relaciona.

*Consultoria: Luciana Ruffo e Alexandre Bez

 

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