Comportamento

Brincar na infância é mais importante do que atividades extras, dizem especialistas

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Inglês, informática e natação são importantes para as crianças, desde que isso não as impeça de brincar imagem: e-Vision

Simone Cunha

Do UOL, em São Paulo

Se você acredita que a agenda do seu filho precisa ser recheada de atividades extracurriculares, cuidado. Na ânsia de oferecer o melhor, você pode estar exagerando na dose, afinal, criança precisa de tempo livre. “Brincar é tão importante para a criança quanto alimentar-se, dormir, ir à escola. As crianças adquirem experiência brincando e elaboram vários sentimentos. Brincando, as crianças dominam os impulsos e dão escoamento à angústia. Brincar favorece a espontaneidade, que a acompanhará por toda a vida”, afirma a psicóloga Cynthia Boscovich.

Para a psicopedagoga Silvia Amaral de Mello Pinto, conselheira e membro titular da Associação Brasileira de Psicopedagogia, na hora de escolher uma atividade extracurricular para a criança, os pais devem se preocupar com com a qualidade, não com a quantidade. "Avalie o bem-estar e o benefício que determinado curso pode oferecer. E observe se o seu filho aguenta tal responsabilidade", diz Silvia.

Outra dica importante é manter o diálogo com a criança. "Qualquer escolha tem de ser negociada. Hoje, cada vez mais cedo, elas conseguem se expressar. E se perceber que seu filho não está aproveitando, melhor adiar para outra oportunidade”, diz o psicólogo Fernando Elias José, mestre em Cognição Humana na PUC-RS. Antes de terminar de ler a reportagem, faça o teste* e avalie se o seu filho tem tarefas demais.

 

Estresse infantil

A sobrecarga pode atrapalhar o desempenho das crianças e comprometer a sua saúde. "Nem todas as crianças dizem o que não está bem ou percebem que estão sobrecarregadas, fator causador de estresse", afirma a psicóloga Cynthia Boscovich.

Portanto, é importante ficar atento a alguns sinais. Crianças irritadas, chorosas, deprimidas ou agressivas podem estar enfrentando uma estafa.

"Além disso, o estresse pode levá-las a desenvolver sintomas físicos: inflamações, infecções e problemas de pele”, conta a psicóloga.

Uma criança sobrecarregada pode não adquirir autonomia e criar dependência. Para corrigir o problema, basta aliviar a sua agenda. "Elimine as atividades extras e deixe-a com mais tempo livre. Isso sempre melhora o quadro de estresse", diz a psicopedagoga Maria Irene Maluf.


De acordo com a psicopedagoga Maria Irene Maluf, o pediatra também deve ser consultado. “O médico pode orientar se a atividade é adequada à idade da criança”, diz. Ela comenta que uma atividade complementar vai preparar o indivíduo para viver em sociedade, além de contribuir para o desenvolvimento físico e intelectual. “Mas é importante não preencher a agenda da criança com tantas regras. Ela precisa ter tempo para fazer a lição de casa, para brincar e até para não fazer nada”, avalia Maria Irene.

Participe mais
Com a correria diária, falta tempo aos pais para brincar mais com seus filhos. No entanto, isso é muito importante, pois transmite segurança às crianças. “A intermediação do adulto é indispensável. Não adianta diminuir as atividades extracurriculares e deixar a criança em frente à TV, computador ou videogame por horas”, diz Maria Irene. Conte histórias, mostre desenhos, assistam a um filme, brinquem... "Os pais que conseguem reservar um tempo para os filhos têm mais facilidade em descobrir seus talentos e encaminhá-los para atividades que o agradem."

Também não vale colocar seu filho em atividades que você gostaria de ter feito na infância. "Isso é perigoso, pois a criança pode não ter talento para tal aula e sentir-se segregada", afirma Silvia. Isso também pode ocorrer quando a criança não tem espírito competidor, por exemplo, e os pais o colocam em uma atividade esportiva coletiva. “Cuidado. Não exponha seu filho. Se ele não se adapta a um esporte coletivo, procure estimular sua habilidade individual".  E nada de exigir apenas os melhores resultados e fazer comparações entre crianças.

Não existe regra para escolher a atividade das crianças, pois cada ser é único. Portanto, na hora de decidir, observe-o e dialogue bastante, além de consultar seu pediatra e seu educador: dois profissionais que poderão te ajudar a fazer a melhor escolha. Para facilitar, veja essas dicas:

* O teste foi elaborado com consultoria da psicopedagoga Maria Irene Maluf e não tem valor científico.

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