Comportamento

Romance na terceira idade ajuda a manter saúde emocional e física

Arquivo Pessoal
Após passar uma década viúva, Maria Evanir, 71 anos, se casou com José Geraldo Custódio, 80 imagem: Arquivo Pessoal

Cléo Francisco

Do UOL, em São Paulo

Viver um amor, em qualquer fase da vida, faz bem e dá prazer. Mas na terceira idade, o desfrute de uma relação afetiva pode trazer ganhos extras para os amantes. “Relacionar-se nessa fase é um dos elementos mais importantes para manter a vontade de viver e a sensação de ser amado e querido. Isso alimenta a saúde emocional e física e até minimiza problemas de saúde”, explica a psiquiatra Carmita Abdo.

Com a chegada da idade, o corpo começa a dar sinais de desgastes físicos e as consequências da velhice podem ser atenuadas com a companhia de um parceiro, assim como as dores e anseios. “É um período em que as pessoas estão mais frágeis, se locomovem com menos agilidade e começam os problemas de saúde. Fora isso, os filhos já saíram de casa e têm a própria prole para cuidar. Há uma solidão real”, diz Carmita.

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    “A solidão dói na alma", afirma Maria Evanir


Era assim, sozinha, que Maria Evanir Gama Sasso, 71 anos, se sentia. A pensionista foi casada por 40 anos e passou mais de uma década viúva. “A solidão dói na alma. Não nasci para viver assim”, diz Maria, que é mãe de dois filhos e também tem dois netos e um bisneto.

No entanto, há três anos, durante uma viagem com um grupo de terceira idade para Gramado, no Rio Grande do Sul, ela conheceu o militar aposentado José Geraldo Custódio, 80 anos, que na época estava viúvo há cerca de um ano.

Em 2010, eles se casaram, com direito a vestido de noiva e festa. “Não imaginava que encontraria alguém, achava que não tinha mais condições”, declara Custódio, que está decidindo com a mulher como será a comemoração do segundo ano de casado, em maio. 

Preconceito e interesse
Segundo o IBGE, a expectativa de vida dos brasileiros em 2010 era de pouco mais de 73 anos. Isso representa cerca de três anos a mais do que no começo dos anos 2000.  É natural que as pessoas queiram viver esse tempo a mais com qualidade, o que também inclui curtir um relacionamento amoroso. 

Mas, às vezes, há problemas no caminho para a felicidade amorosa dos idosos, como o preconceito dos familiares --principalmente, com relação às mulheres. ‘’É comum a vergonha de dizer que está apaixonada ou tem desejo por outra pessoa. Muitas famílias não concebem a ideia de que a idosa quer sexo ou ter um companheiro. Já os homens mais velhos não têm tanta dificuldade nesse ponto”, comenta Ana Canosa, psicóloga e terapeuta sexual.

Os familiares podem, ainda, sentir a presença e importância do pai ou da mãe que morreu ameaçada por um estranho, além da questão financeira. "Os parentes se questionam sobre a herança, para onde vai a aposentadoria do idoso e se a pessoa não quer apenas se dar bem”, conta Ana.

Retomando a vida afetiva
Sentir-se sozinho não faz bem a ninguém. No entanto, para espantar o fantasma da solidão na terceira idade, é importante que a pessoa tome algumas atitudes, não só para encontrar um novo amor, mas também para aproveitar esses momentos com segurança e prazer. Veja as dicas na tabela abaixo:

VIDA SOCIALCUIDADOSSEXO
- Reative a sua vida social e treine a paquera e a sedução em encontros, como bailes da terceira idade. Em lugares como esse, há muitas pessoas na mesma sintonia e à procura de uma companhia.- Ingenuidade e pouca experiência amorosa podem fazer com que o idoso caia em armadilhas de golpistas. Para evitar problemas não fale de sua vida financeira nem abra, de imediato, as portas de casa.- Use camisinha. Homens que ficaram muito tempo com uma parceira não têm o hábito. Segundo o departamento de Aids do Ministério da Saúde, os casos de HIV em maiores de 50 anos quase dobraram de 2000 para 2010, passando de 2.707 para 5.521.
- Manter o bom humor é fundamental. “Pessoas que enfrentam a vida com alegria têm mais facilidade de se relacionar amorosamente”, afirma a psicóloga Ana Canosa.- Avalie se o seu projeto de vida tem a ver com o da pessoa que você acaba de conhecer. Assim, você não corre o risco de se iludir com a relação e sofrer uma decepção.- Para as mulheres, a retomada da vida sexual exige cuidados, já que, após a menopausa, há a diminuição de hormônios responsáveis pela lubrificação.Segundo o ginecologista Eliano Pellini, isso pode ser contornado com lubrificantes e o uso frequente de hidratantes vaginais, devidamente indicados por um médico.
- Com a chegada da idade, é comum o isolamento. Não caia no hábito e inscreva-se, por exemplo, em um grupo de viagem ou um curso. Quem sabe você não encontra uma boa companhia?- Explique aos familiares que a nova pessoa não exclui algum parceiro que já morreu. "Mostre respeito aos filhos e à memória de quem não está mais entre eles", explica Ana Canosa.- Os homens que pensam em recorrer a remédios para melhorar a ereção devem procurar um médico. Sem acompanhamento, o medicamento representa sérios riscos. Cardíacos, por exemplo, não podem fazer uso desse tipo de comprimido.
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