Comportamento

Entenda o que as fantasias sexuais dizem sobre a sua personalidade

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Não sinta culpa; fantasias sexuais são saudáveis imagem: Thinkstock

Heloísa Noronha

Do UOL, em São Paulo

Fantasias todo mundo tem. Colocar em prática depende de vários fatores: local, oportunidade, disposição e até a sorte de encontrar alguém que tope participar. Mesmo que fiquem restritas à imaginação, as fantasias são inerentes à sexualidade e é saudável tê-las. "Elas exprimem algo reprimido ou remetem a algum desejo que, por várias circunstâncias, não pode ser declarado", diz a terapeuta sexual Isabel Cabral Delgado, do Rio de Janeiro.

Há algumas fantasias que são comuns –transar com um desconhecido, por exemplo– mas a história de vida e os planos de cada um é que podem revelar, com precisão, o que há por trás delas. "As fantasias sexuais podem dizer não só o que desejamos, mas que estamos lutando contra determinado anseio", diz a psicóloga Arlete Gavranic, do Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática. As fantasias triviais, porém, funcionam como um exercício de autoconhecimento. Por isso, confira a análise de especialistas* e entenda melhor os seus desejos:

Transar com "ex" e atual ao mesmo tempo
Há a hipótese de que o término esteja mal resolvido. Mais provável é que quem tem essa fantasia sonha em mostrar que pode se dar bem com outro parceiro na cama, como uma espécie de exibicionismo ou vingança. A fantasia também pode indicar necessidade de controle e sentimento de posse, além de uma vontade de demonstrar que faz sexo muito bem e que é capaz de dar prazer a quem quiser.

Sexo à força
Costuma ser mais comum entre as mulheres. Aquelas que se excitam ao se imaginar sendo forçadas a fazer sexo certamente querem se isentar de qualquer tipo de responsabilidade ou culpa em relação ao sexo. Não podendo recusar, o sexo não macularia a imagem de boa moça. Muitas garotas tiveram uma educação sexual rígida, assimilando, assim, o conceito de que o desejo é vulgar, feio ou indecente.

Dominar alguém na cama
Esse tipo de fantasia remete a uma associação equivocada de afeto e violência. Essa vontade se instala na infância e, muitas vezes, pauta o comportamento sexual do adulto, que se excita com o uso da força, porque não consegue suportar a manifestação de carinho baseada na carícia. Ela ainda pode denunciar baixa autoestima --a pessoa pode necessitar que o outro se submeta para se sentir segura. Mas essa é frequente e muito saudável, pois mostra o desejo de sentir-se importante, forte e demonstra autoconfiança ou o desejo de fortalecê-la.

Apanhar
Há diversas explicações possíveis: autopunição por achar que os desejos sexuais são impuros ou errados, fetiche masoquista de sentir prazer na dor, rebeldia e até história de rejeição familiar ou amorosa –a pessoa se sente cuidada mesmo ao levar um tapa, uma palmada ou sentir o estalo de um chicote. Se não houver um nível que caracterize violência física nem psíquica, cada um pode combinar até onde o tapinha pode chegar e brincar com a dor e o prazer com quem quiser e confiar.

Fingir que é prostituta
O fato de fingir que é prostituta permite à mulher se sentir mais livre e sedutora. Como uma profissional, ela pode sair do papel da boa moça e demonstrar interesse e prazer ao transar. Existe ainda a possibilidade da fantasia de que, encarnando uma prostituta, tudo é possível. A mulher também pode encarar o papel de que se submete ao mando e à agressividade do parceiro. Há, embutida, a vontade de investir na submissão. Apesar de mais comum em mulheres, o papel pode ser assumido por um homem, seguindo a mesma lógica.

Tratar a parceira como prostituta
Essa fantasia dá ao homem o prazer do poder oriundo da desigualdade que se estabelece entre os parceiros na relação. É a necessidade de se sentir superior. A parceira seria obrigada a fazer tudo que ele quer, pois ele está pagando. Para alguns homens, é uma autorização interna para práticas e prazeres diferentes com a mulher "de família", como sexo anal, sexo oral com ejaculação, entre outras. Mulheres também podem assumir o papel de clientes para seus homens, fantasiando que eles são garotos de programa. Os sentimentos, nesse caso, também são parecidos com os deles.

Imaginar que está com alguma celebridade enquanto transa
É uma fantasia corriqueira e inofensiva, que levanta a autoestima e faz a pessoa se sentir especial para uma pessoa famosa, que, ainda na imaginação, tem uma vida interessante e emocionante e, mesmo assim, está valorizando alguém comum --e que, no fundo, adoraria estar se sentindo assim tão especial para o companheiro ou companheira. Outra explicação é a fuga da rotina, de um parceiro convencional ou do romantismo associado ao sexo –um bom exemplo é imaginar que está transando com a vilã ou o bandido de um filme.

Transar com alguém desconhecido
Significa desvincular sexo de compromisso. Ao ir para a cama com um desconhecido, a pessoa pode se soltar completamente, sem nenhum tipo de repressão, já que não há cobranças. Essa fantasia permite deixar toda a sua história de vida para trás e reescrevê-la do jeito que achar melhor, sem passado nem culpa. Quem alimenta essa fantasia não quer que haja nenhuma avaliação prévia. Com o desconhecido, a pessoa se solta mais, aposta na bizarrice, na perversão e na vulgaridade.

Pensar em pessoas amigas ao se masturbar
Isso, obviamente, indica interesse sexual, que pode ser camuflado por razões sociais, familiares ou pessoais (dificuldade em aceitar que sente desejo por alguém do mesmo sexo, por exemplo). Há quem não o admita nem para si mesmo, o que acaba gerando angústia. Algumas vezes o simples fato de compreender, assumir e exercitar essa fantasia resolve a questão e permite que a vida siga seu curso normalmente.

*Consultoria da psicóloga Arlete Gavranic, corrdenadora da pós-graduação do Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática, da terapeuta sexual Isabel Cabral Delgado e da sexóloga Carla Cecarello

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