Vida no trabalho

Profissões divertidas têm muitas responsabilidades, mas causam inveja

Simone Cunha

Do UOL, em São Paulo

Quando chega segunda-feira, muita gente reclama de voltar ao trabalho. E só de pensar nos horários, compromissos, reuniões, prazos e cobranças já dá aquele desanimo. No entanto, existem profissionais que conseguem unir responsabilidade e diversão quando o assunto é trabalho e desempenham funções que facilmente causariam inveja a muita gente.

Já imaginou assistir aos filmes que vão estrear no cinema, em uma sessão exclusiva, antes de todo mundo? Ou conhecer cada detalhe daquele carro incrível que será lançado daqui a meses? Pense, então, se a sua profissão fosse degustar uma cervejinha, experimentar chocolates ou comprar roupas todos os dias, sem comprometer o próprio cartão de crédito. Não seria nada mau. Pois saiba que muitas pessoas ganham a vida exercendo essas tarefas. Conheça esses profissionais e veja o que eles acham das áreas em que trabalham:

Degustador de chocolate

“Meu trabalho consiste em transformar ideias em realidade. Basicamente, gira em torno do desenvolvimento e aplicação dos ingredientes, formulações de novos produtos e gestão da qualidade de produtos e insumos. No dia a dia, realizo testes e seleção de amostra em termos de sabor, cor e aroma. Com as amostras selecionadas, encaminho para a linha de produção. Após a aprovação, inicia-se uma nova etapa, o teste de análise sensorial, ou seja, a degustação desse novo produto. É divertido poder misturar os ingredientes e ver o resultado. É como brincar de fazer algo novo. E minha maior gratificação é ver um produto no mercado com bom desempenho. Na minha área, não existe rotina. Ele me possibilita criar, aplicar e descobrir novos sabores, aromas e formas que podem agradar ao consumidor.”

Flávio Venturini, 36 anos, engenheiro químico do Grupo CRM, administrador das marcas Kopenhagen e Chocolates Brasil Cacau. Foto: Divulgação

Testadora de jogos

“A minha tarefa diária é jogar games o dia inteiro! Jogo prestando atenção em cada detalhe, seguindo procedimentos de teste e analisando o que está de acordo com o previsto no documento de design ou o que não está se comportando de maneira apropriada. E repetindo o processo quantas vezes forem necessárias. Quando encontro um problema, tenho que explicá-lo para que a equipe possa corrigi-lo. Atualmente, testo jogos para Facebook e Orkut, tarefa bem mais dinâmica, já que o estúdio, geralmente, lança uma atualização do aplicativo por semana. Então, o processo de testes precisa ser bem mais veloz. Meu trabalho exige muita atenção, paciência, capacidade para seguir procedimentos e de me comunicar bem. Muitas pessoas me dizem: ‘Você passa o dia inteiro jogando, deve ser o melhor trabalho do mundo. Quero o seu emprego’. A principal dificuldade é escutar a mesma música e efeitos sonoros o dia inteiro. Às vezes, cansa”.

Luciana Fávero, 24 anos, testadora de jogos, da empresa 2Mundos. Foto: Divulgação

Dublador de filme e desenho

“Comecei dublando o George Clooney, em 1994, para o seriado ‘Plantão Médico’. Em 1999, veio o desenho ‘Pica-Pau’, que exige muito mais da minha voz. Quem tem bom ouvido, às vezes, identifica a voz. E, além de dublador, sou médico, e trabalho em emergência. Porém, não misturo as duas profissões. Sou dublador há 26 anos e, atualmente, só me dedico à dublagem duas vezes por semana. Sempre gostei de trabalhar com a voz e, a partir dos meus 14 anos, costumava ser o escolhido na escola para ler em cerimônias. Investi nisso, por que quis aproveitar as oportunidades que vieram. Mas não adianta apenas ter boa leitura, para ser dublador, é necessário passar toda a emoção da cena apenas com a voz e no tempo exato do ator em cena. Muitas pessoas têm certo fascínio sobre esse trabalho. Em geral, os desenhos são bem divertidos, mas também gosto de dublar o Clooney, pois é um desafio, me sinto na obrigação de fazer um bom trabalho. Afinal, ele é um ótimo ator.”

Marco Antonio Costa, 49 anos, dublador. Foto: Fernando Rabelo/UOL

Personal shopper

“Gosto de fazer compras e, depois de fazer uma pós em Consultoria de Imagem, transformei isso em meu trabalho. O cliente entra em contatos e fala de suas necessidades e eu faço uma pesquisa sobre os produtos que ele busca, de acordo com o orçamento indicado. Depois disso, saímos juntos para efetuar a compra. Sou eu quem indica os locais onde poderá encontrar tudo o que precisa. Se ele me pede opinião, dou minhas sugestões. Geralmente, atendo executivos que não têm tempo para pesquisar e não gostam muito de fazer compras. Entre os produtos, destacam-se roupas e costumo pesquisar presentes para datas especiais como Natal, aniversário de casamento, debutante e noivados, entre outros. Já tenho alguns clientes fixos, porém, o serviço ainda é muito recente no Brasil. É muito divertido conhecer pessoas, gostos e necessidades diferentes. O único problema é quando o cliente fica indeciso.”

Mônica de Carvalho Segui, 54 anos, personal shopper. Foto: Maria Elisa Franco/UOL

Sommelier de cerveja

“Sempre gostei de cerveja, mas de provar as diferentes, artesanais e com aroma e sabor especiais. Por isso, buscava informações em livros e sites para ficar atento a lançamentos. Daí veio a ideia de fazer um curso de sommelier e trabalhar com isso. Ao contrário do que muita gente imagina, durante o meu trabalho, não bebo muito. Apenas o suficiente para apreciar e degustar cada tipo de cerveja. São mais de 100 estilos e preciso avaliar a coloração, a formação da espuma, o aroma e o sabor. Se há mais de um tipo durante a degustação, é preciso neutralizar o paladar com água e pão. Participar de eventos também é muito divertido, pois dá para trocar experiências e conhecer novos rótulos. As pessoas acham que minha atividade consiste em apenas beber o dia todo, mas não é bem assim. É um trabalho sério e o mercado está em crescimento.”

Guilherme Balbin, 27 anos, sommelier de cervejas da Cerveja Gourmet. Foto: Leandro Moraes/UOL

Babá de animais

“Essa profissão ainda é muito recente no Brasil e não há cursos de especialização. É fundamental gostar de animais e brincar com eles. Quando sou solicitada, faço uma visita gratuita à residência do cliente para conhecer e obter informações sobre os bichinhos. Na data marcada, com o dono ausente, inicia minha tarefa: repor a comida, trocar a água, limpar a área em que ficam e brincar com eles. Quando há cães, também programo um passeio. Se for necessário, é possível pedir cuidados extras, como escovar os pelos ou ministrar medicamentos. Estou nessa atividade, exclusivamente, há quatro meses. E gosto de fazê-la, por que amo os animais. Eles tiram o estresse do dia a dia. É uma alegria estar e brincar com os bichos. O desafio é conquistar a confiança das pessoas, para que me deixem entrar em suas residências sem preocupação.”

Shanna Capell de Holanda Rodrigues, 27 anos, babá de animais. Foto: Maria Elisa Franco/UOL

Piloto de testes

“Desde garoto, sempre adorei carros. Por isso, fiz curso técnico em mecânica. Faz 20 anos que estou nessa profissão. Preciso sentir o carro e a máquina é quase uma extensão do meu corpo. Os engenheiros desenvolvem um projeto, mas eu quem testo o veículo, por meio de avaliações teóricas e práticas. Esse processo pode levar anos, até que o veículo esteja pronto para ser lançado. A fase mais prazerosa acontece nas últimas etapas, quando entro com o carro em um autódromo, para testar todas as manobras em pista seca e molhada. Claro, é um trabalho divertido, mas exige muita responsabilidade. Não é brincadeira. Tenho o privilégio de ser um dos primeiros a dirigir um determinado veículo que ainda será lançado. Minha maior satisfação é, após este lançamento, o carro receber elogios da imprensa especializada.”

Paulo César Jorge, 48 anos, piloto de testes da PSA Peugeot-Citroën. Foto: Wallace Feitosa/Divulgação

Analista de classificação indicativa

“Sou formado em Sistema de Informação, com especialização em desenvolvimento de games, e isso me ajudou a prestar concurso e entrar no setor de classificação indicativa do Ministério da Justiça. Mas, apesar da minha especialização, trabalho no setor de filmes que serão lançados em DVD e cinema. Assisto até três obras por dia. Vi quase todos os filmes que concorreram ao Oscar. Para mim é ótimo, pois sou cinéfilo. Claro, tenho de assistir aos filmes com atenção e critério, para preparar um relatório e definir a classificação indicativa. A diferença entre um filme indicado para pessoas acima de 14 anos ou 16 anos, por exemplo, têm pequenos detalhes que o diferem. É um trabalho minucioso. Porém, é muito bom ver uma obra em uma sessão de cinema exclusiva. Aliás, não vou ao cinema faz tempo. Meus amigos se encantam com o meu trabalho. É muito divertido, no entanto, é bastante sério e exige responsabilidade.”

Henrique de Oliveira Rocha, 28 anos, analista de classificação indicativa no Ministério da Justiça. Foto: Isaac Amorim/ACS/MJ
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