Vida no trabalho

Aprenda com o erro de famosos e evite que sua vida sexual seja exposta na internet

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Imagem capturada do vídeo de Jonas, do "BBB12", que caiu na internet imagem: Reprodução

Heloísa Noronha

Do UOL, em São Paulo

Todo mundo sabe que imagens eróticas excitam e podem funcionar como combustível extra para o casal –não é à toa que cada vez mais pessoas brincam de filmar a própria transa, com artefatos que vão desde o celular até uma câmera de última geração. Brincar com a webcam ou fotografar-se e enviar ao parceiro ou parceira também são práticas comuns, hoje em dia. Comuns, também, são os casos de pessoas que acabam tendo seus vídeos e fotos espalhados pela internet. Histórias de famosos não faltam: Scarlett Johansson, Heather Morris, os ex-BBBs Jonas e Yuri estão na lista que ainda inclui Colin Farrell e Vanessa Hudgens.

Os motivos para que o material que deveria ser privado vire público são vários: um dos parceiros, por vaidade, resolve mostrar aos amigos; vingança após o término de um relacionamento; inocentes que acreditam que o melhor amigo não encaminhará o material para ninguém;  pessoas que tiveram seu computador ou celular (com os arquivos salvos) invadido ou roubado etc.

Para a psicóloga Andréa Jotta, do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC-SP, a sexualidade humana ainda é um assunto envolvido por muitos tabus e preconceitos, e justamente por isso é que os abusos acabam acontecendo. "Muitos casais usam a internet como tempero nas suas relações. O que não pode e nem é saudável que aconteça é o uso de filmes ou imagens com propósitos unilaterais", diz.

Desejo e desvio

Para o terapeuta sexual Oswaldo Rodrigues Martins Jr., diretor do Inpasex (Instituto Paulista de Sexualidade), a atitude de um sujeito que grava as peripécias sexuais às escondidas tem muito a ver com as experiências da adolescência, quando ele começa a assistir aos primeiros filmes pornôs de sua vida com a turma. Esse tipo de produção transmite a mensagem de que vale a pena se exibir –vide a performance dos atores– e que quem o faz invariavelmente domina o assunto.

“É claro que o homem sabe que a parceira sexual não deseja se expor, mas o desejo dele de ser reconhecido, à semelhança do ator do filme pornográfico, pode continuar na idade adulta e ser muito forte, pois reforça a ideia que faz de si mesmo enquanto macho, masculino, homem”, explica o especialista, que diz que se graça é perdida se a parceira souber que está sendo filmada.

O terapeuta afirma ainda que esse comportamento revela uma pessoa que reconhece as regras sociais, mas sente que é prazeroso quebrá-las. Com a excitação que sente por conta disso, percebe que deve e precisa repetir a situação.

“Na minha opinião, expor o outro sem o seu consentimento demonstra raiva, falta de respeito e perversidade. Ultrapassar o bom senso e a ética podem configurar, ainda, desvios patológicos que merecem e devem ser tratados por um especialista”, diz Andréa Jotta.

O psicólogo Rodrigo Nejm, diretor de prevenção da SaferNet Brasil, associação civil de direito privado, lembra que muitas vezes, quando uma relação acaba, termina com ele a relação de confiança que os dois tinham.

“O conteúdo erótico pode se transformar em objeto de ameaça e chantagem e até mesmo em material pedado para machucar o outro”, diz o especialista, que aconselha ainda a ter cuidado, inclusive, com conversas via MSN e webcam. “A partir do momento que você usa a internet para se comunicar, as informações ganham dimensão pública. Ninguém tem ideia de onde aquilo tudo pode ir parar.”

Coisa de homem?
A psicóloga Andréa Jotta afirma que não são só homens que costumam aderir a esse tipo de brincadeira. "Assim como no filme ‘Cilada.com’, muitas mulheres também gostam de ser filmadas e consentem. O envio de imagens de partes íntimas é uma prática de sedução mais feminina do que masculina", diz. “Porém, a filmagem e a exposição de conteúdo erótico sem consentimento acontece muito mais entre os homens."

A psicoterapeuta e educadora sexual Carmen Janssen destaca que quem investe nesse tipo de brincadeira erótica imediatamente se expõe a um possível risco de o conteúdo cair em mãos de gente mal intencionada. “Algumas jovens que participaram de cursos meus revelaram que fizeram vídeos e fotos eróticas com seus namorados e entregaram o material para eles como recordação, pois confiam nos parceiros. Mas dá para colocar mesmo a mão no fogo?", questiona.

Você confia?
Carmen Jessen afirma que topar ou não simular um filminho pornô depende muito do grau de confiança que se tem na outra pessoa, principalmente, em relacionamentos fixos ou de longa duração. “De qualquer forma é preciso manter o vídeo bem guardado e saber que um dia alguém pode achá-lo. Não dá para dizer que o risco é zero”, diz a terapeuta, que recomenda às mulheres usarem o próprio celular ou a própria câmera para gravarem as imagens e não entregá-las ao namorado.

“Por mais que haja confiança no outro, é preciso ser racional e pensar que, no futuro, tal contexto possa não existir mais”, explica o advogado Alexandre Atheniense, que mantém um blog sobre direito e novas tecnologias. “E tenha em mente que a máquina digital ou o computador no qual estão gravadas imagens íntimas podem ser furtados. O computador também pode ser invadido, fazendo com que as imagens secretas caiam em domínio público”, alerta Alexandre.

Cuidado com transas casuais
Em se tratando de sexo casual, a mulher pode tomar algumas medidas preventivas que não garantem total privacidade, é claro, mas criam dificuldades para os mal-intencionados. A primeira é escolher o local onde vão transar só na hora. Assim, farão sexo em um lugar neutro (um motel é um bom exemplo) sem possíveis armadilhas –como uma lente oculta na estante do quarto do sujeito, por exemplo.

“Se decidir ir para a casa do rapaz, não custa nada dar uma olhada sutil no local onde ele deixou as roupas. Vai que estão em um espaço estratégico para ocultar uma câmera?”, diz Carmen Janssen. Desconfie também se ele insistir para que os amassos ou a transa aconteçam em um ponto específico do quarto e fique de olho em computadores e armários entreabertos.

Evite exagerar no álcool. Ter consciência de tudo o que faz é fundamental. Se ainda não tem intimidade com o sujeito, nada de dormir nos braços dele –quem garante que ele não vai aproveitar o seu descanso para fotografá-la nua na cama com a câmera do celular? Outra dica: fazer sexo à meia-luz ou no breu total, já que o escuro dificulta que câmeras comuns sejam usadas.

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    Imagem reproduzida do vídeo em que Colin Farrel aparece transando com uma mulher

Guarde bem ou nem guarde
Evite exibicionismos na webcam. A pessoa do outro lado pode estar gravando a sua performance. Se você não resistir à tentação e quiser mostrar seus atributos, ao menos evite exibir o rosto.

Caso você queira fazer fotos suas, filmar uma transa ou algo do tipo, evite deixar o arquivo salvo em notebooks, tablets e celulares, que são frequentemente roubados. Também não é bom deixar no computador, afinal, se um dia você precisar chamar um técnico, ele terá acesso ao material e poderá colocá-lo na internet. Se você não quer apagar o arquivo, ao menos deixe-o salvo em um CD ou pendrive e certifique-se de que estará guardado em um lugar que só você tem acesso.

 

O que fazer se suas imagens forem parar na internet

- Verifique em que sites as fotos ou vídeos estão publicados. Imprima e guarde esses dados e, como segurança extra, fotografe a tela do computador (print screen) e salve o arquivo.

- Vá com este material a um cartório e faça uma ata notarial, uma espécie de autenticação que comprova que aquele conteúdo foi ao ar. Trata-se de uma medida preventiva, que confirma o que aconteceu mesmo que a pessoa resolva remover o site ou a página do ar.

- Registre o ocorrido, via boletim de ocorrência, na delegacia de polícia mais próxima à sua casa.

- Entre em contato com os sites que usaram as imagens. Diga quem é você e explique que foi vítima de um crime. Peça para que os administradores retirem as fotos do ar.

- Acione a justiça. Um advogado pode abrir dois tipos de processos: o criminal e o cível. O primeiro pode provar a autoria do crime e levar quem o cometeu a cumprir pena. Pelo segundo, pode-se pedir indenização em dinheiro por danos morais.

Fonte: Rodrigo Nejm, psicólogo e diretor de prevenção da SaferNet Brasil

 

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